Coragem, Sou eu, não tenhas medo! Senhor, salva-me! Sejamos fortes na fé! Ao meditarmos o Evangelho deste XIX Domingo do Tempo Comum – Mt 14,22-33 –, podemos concluir que o mesmo não é um simples relato puramente histórico ou sentimental de um prodígio realizado na Galileia. Na arquitetura teológica do Evangelho de São Mateus, este texto é uma profunda catequese eclesiológica e cristológica, estruturada com rica simbologia do Antigo Testamento e da tradição apostólica. Para compreendermos a profundidade da mensagem que o Espírito Santo hoje nos transmite, precisamos descer aos detalhes do texto em sua linguagem original e no seu contexto teológico. Cada verbo e imagem nesta passagem traz uma densidade teológica fundamental. Detenhamo-nos, inicialmente, nas figuras do mar e da noite. No Antigo Testamento e no pensamento semítico, o mar agitado não é apenas um corpo d'água; é a representação do caos, do abismo e das forças demoníacas hostis a Deus (cf. Sl 107, 23-30; Jó 38, 8...