Boa Esperança, MG, 01 de outubro de 2026.
Caro(a) amigo(a),
Os pecados capitais da internet. Sim, também nas redes sociais surgem muitas oportunidades para nos afastarmos de Deus; por isso, vejamos quais são esses sete pecados capitais. Acreditamos que entrar nas redes sociais é um passatempo inócuo; no entanto, se analisarmos com consciência, encontraremos os sete pecados capitais saltando aos olhos na maioria dos conteúdos que consumimos. Não acredita? Façamos um exercício.
Os vícios permitidos
É conveniente lembrar que ninguém está isento de pecar. Lemos no Catecismo da Igreja Católica que Santo Agostinho era muito consciente dessa realidade: “O homem, enquanto permanece na carne, não pode evitar todo pecado, pelo menos os pecados leves” (Santo Agostinho, In epistulam Iohannis ad Parthos tractatus 1, 6) (CIC 1863).
Agora, se reconhecermos essa verdade, será mais simples descobrir como nos deixamos arrastar pelos pecados capitais, que são chamados assim “porque geram outros pecados, outros vícios”, como nos ensina o Catecismo. E acrescenta que estes “são a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça” (CIC 1866).
Bem, entremos no assunto.
1. A soberba dos especialistas e a ira dos desconhecidos
Encontramos esse vício na maioria dos conteúdos. Todos julgam ser especialistas e saber mais do que os outros. Os “criadores de conteúdo” se esforçam para dar conselhos sobre autoestima, individualismo e qualquer tema que os faça sobressair em relação aos demais.
O perdão é quase inexistente e, quando é encontrado, disfarça-se de indiferença diante do irmão que foi ofendido, porque nada está errado, não há erros e, como cada um tem a sua verdade, não há necessidade de buscar a reconciliação.
Deus não existe porque foi substituído por homens e mulheres que prestam culto a si mesmos com discursos intermináveis de beleza, dietas, exercícios, produtos milagrosos e cirurgias estéticas.
Além disso, há um gozo inexplicável nas discussões travadas entre aqueles que se expõem nessas vitrines e que alimentam a morbidez de seus consumidores com competições absurdas entre influencers.
E mais ainda: deixamo-nos arrastar para as brigas e terminamos discutindo com desconhecidos que também se comprazem em nos ofender, embora não conheçam a nossa história pessoal. É assim ou não?
2. Aparecem juntas a avareza e a inveja
Chegam as viagens a lugares paradisíacos e locais distantes quase inexplorados; somos bombardeados com publicidade de cartões de crédito, carros dos sonhos, roupas, acessórios, telefones, casas e quanto objeto inútil possamos imaginar para provocar o desejo de acumular e dar a sensação de que somos melhores do que qualquer um.
Uma e outra vez encontramos uma pessoa diferente, mas anunciando a mesma coisa que a anterior, tocando nos mesmos temas, repetindo danças e desafios da moda porque não quer ser menos do que os outros.
As comparações e os ataques surgem em todas as plataformas em uma corrida frenética para superar os demais e ganhar muitos seguidores que deem “curtidas” e compartilhem os conteúdos para poder “monetizar” e ter mais dinheiro, viagens, roupas, cartões de crédito... em um círculo vicioso interminável.
3. As cerejas do bolo: preguiça, gula e luxúria
Por suposto, encontramos o terrível vício da luxúria em redes especializadas — que não há necessidade de mencionar —, mas que também se misturam com aquelas onde abundam vídeos musicais com letras e cenas explícitas.
Quanto à gula, muitos fazem vídeos nos quais comem e bebem demais, mesmo às custas de sua saúde. Ou então, mostram os estragos de seus transtornos alimentares exibindo-se de maneira indigna, esquecendo que são seres humanos que merecem respeito. Mas a gula também é gerada porque se desperta o desejo de comprar sem necessidade.
E o que dizer da preguiça? Mostram-nos estilos de vida inalcançáveis: viajantes que percorrem o mundo, pessoas de sucesso que vivem de seus lucros ou de seus incríveis investimentos, gente comum transformada em modelo... enfim, não sabemos como, mas todos aparentam não trabalhar.
E, no entanto, vendem-nos o que as marcas querem porque gastamos nosso valioso tempo olhando as redes sociais, sonhando em ser como eles, descuidando de nossas responsabilidades e deixando nossa família para quando tivermos algum tempo.
E Deus? Talvez apareça algo sobre Ele no que consumimos... não basta isso?
Oxalá sejamos mais conscientes do mal que estamos fazendo a nós mesmos e tomemos a decisão de prescindir do celular e das redes que já nos têm aprisionados.
Para vencer os pecados capitais da internet e das redes sociais segundo o legado e os ensinamentos do Papa Francisco, a Igreja propõe trocar a lógica do engajamento agressivo pela “cultura do encontro” e pela empatia do Bom Samaritano. Inspirados nos alertas de Francisco contra a “podridão cerebral” causada pelo uso excessivo de telas e estruturados em iniciativas recentes de reflexão Pontifícia, os pecados tradicionais migraram para o universo digital. Vivamos a santidade em Deus!
Padre Wagner Augusto Portugal.

Comentários
Postar um comentário