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Como se lançar concretamente na oração quando se acaba de descobrir a fé?

 


CONSELHOS PARA COMEÇAR A REZAR

Caro(a) amigo(a), quero compartilhar com meus leitores alguns conselhos para começar a rezar, em espírito evangélico, e entrar aos poucos em uma relação íntima com o Senhor. Como se lançar concretamente na oração quando se acaba de descobrir a fé?

Primeiro – Todos os dias e em um lugar secreto: O primeiro conselho é rezar todos os dias. O ser humano é um ser de ritmos e rituais: suas atividades se inserem no cotidiano e orientam, de certa forma, a sua vida. A fidelidade à oração permite, aos poucos, descobrir essa vida nova e essa alegria prometidas por Cristo nos Evangelhos.

Outro conselho essencial: retirar-se, ao menos por um movimento interior, a um “lugar secreto”, onde possamos falar com Deus, nosso Pai, sem máscaras, ao abrigo do julgamento alheio. Se as nossas condições de vida nem sempre nos permitem isolar-nos para rezar em silêncio, podemos ao menos convidar Cristo para o nosso pequeno “quarto interior” e viver com Ele um momento de coração a coração.

Segundo – União e ação de graças, de manhã e à noite: Os Evangelhos nos ensinam que não podemos fazer nada sozinhos (João 15, 5). Por outro lado, tudo se torna possível para quem se entrega a Deus e permanece unido a Ele naquilo que faz (Lucas 1, 37).

Eu gostaria de convidar assim, o neófito a rezar em união com Cristo. Pela manhã, podemos reservar um momento para receber nossa existência como um presente renovado de Deus e render-Lhe graças por este novo dia, que nos é dado como uma nova oportunidade de amar. Podemos pedir à Santíssima Trindade o seu auxílio e a sua presença ao longo de todo o dia.

Ao cair da tarde, entregamos nosso espírito ao Pai, associando-nos ao abandono de Cristo nas mãos de Deus (Lucas 23, 46).

A cada manhã e a cada noite, o neófito é chamado a fazer a experiência da ação de graças, da oferenda e do abandono. Aos poucos, esses dois encontros com Deus dão ao seu dia uma nova orientação: ele começa a descobrir a alegria de uma oração e de uma vida voltadas para o Senhor.

Terceiro – A oração mais simples e mais profunda: Todo catecúmeno ou criança batizada aprende este primeiro gesto fundador: o sinal da cruz. No entanto, muitas vezes não percebe com clareza a força e a profundidade desse gesto que é, em si mesmo, uma oração.

Nós devemos tomar a consciência de tudo o que esse gesto, repetido tantas vezes, significa e a meditá-lo. Pelo sinal da cruz, recordamos o sacrifício de Cristo para a nossa salvação. Podemos também nos lembrar de que pertencemos ao povo cristão ou ainda fazer memória do nosso batismo, quando recebemos pela primeira vez a assinalação batismal.

Com o sinal da cruz, dizemos: “Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém”. Ao marcar o início de cada um dos nossos dias, ao acordar, lembramos de nossa vocação profunda: viver sob o olhar da Santíssima Trindade, dar-Lhe glória, deixar-nos guiar e moldar por Ela no dia a dia.

Por esse sinal, colocamo-nos também sob a cruz de Cristo e consentimos em renunciar aos poucos à nossa própria vontade para deixar reinar em nós a vontade de Deus. “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim”, escreve São Paulo após ter feito a experiência de uma vida inteiramente dada ao Senhor (Gl 2, 20).

Assim, um gesto que pode parecer mecânico torna-se, aos poucos, uma verdadeira oração: em poucos segundos, o cristão recorda quem é o seu Deus, a quem ele pertence e para qual vida é chamado.

Quarto – Nutrir a imaginação e a sensibilidade: Uma vez aprendido e interiorizado o sinal da cruz, o neófito pode, no entanto, sentir-se desamparado na hora de rezar: como falar com o Deus que ele está apenas começando a conhecer?

Devemos preencher a imaginação, nutrir a sensibilidade para encontrar as palavras e dar corpo à sua oração. Para isso, a leitura dos textos ouvidos no domingo na missa e a sua meditação ao longo da semana podem constituir um primeiro passo. Nós devemos ser apegados à leitura da Palavra de Deus e — na medida das nossas capacidades — até mesmo à memorização dos salmos ou de pelo menos alguns versículos.

Esse material bíblico torna-se então como uma reserva interior da qual nos abastecemos ao longo de nossos dias. Ele pode vir à nossa mente em um momento de tensão no trabalho ou na família, mas também durante uma caminhada contemplativa na natureza. Ele continuará até mesmo a dar frutos enquanto dormimos. Jesus nos faz compreender isso na parábola da semente que cresce por si mesma: “Quer esteja dormindo quer acordado, de noite ou de dia, a semente germina e cresce, sem que ele saiba como” (Mc 4, 27).

Da mesma forma, a Palavra de Deus depositada em nosso coração pode continuar a dar frutos, mesmo quando não estamos mais conscientes disso. Não controlamos tudo o que acontece no segredo de nossa alma: cabe-nos acolher, meditar e deixar que Deus faça crescer em nós aquilo que ali semeou.

Quinto – Ritmar o seu dia: O neófito que fez a experiência da oração matinal e noturna é chamado a ir um pouco mais longe: ritmar o seu dia com numerosos olhares de amor para Deus, com esses “impulsos do coração” dos quais falava Santa Teresinha do Menino Jesus.

Jesus convida seus discípulos a “rezar sempre, sem jamais desanimar” (Lc 18, 1), e São Paulo se junta a essa exortação: “Orai sem cessar” (1 Ts 5, 17).

Basta, ao longo do dia, reservar um breve momento para se voltar para o Senhor: no início de um trajeto, no momento de uma refeição para abençoá-la e dar graças, ao meio-dia na pausa para o almoço, ou ainda na hora da misericórdia (15h), para fazer memória do sacrifício de Cristo. À noite, durante o exame de consciência, podemos “retomar, sob o olhar de Deus, o dia que acabou de se passar e ver em que fomos fiéis ou não ao seu amor”.

Essas curtas orações tornam-se, aos poucos, pontos de referência no nosso dia e ocasiões para renovar nossa confiança em Deus. Elas nos ajudam a permanecer voltados para Ele no meio de nossas ocupações, sem que a oração fique separada do restante de nossa existência. O benefício vai muito além dos nossos pequenos esforços: é “o gosto da felicidade” que nos é dado gratuitamente por Deus.

No fim das contas sejamos neófitos ou cristãos mais avançados na fé, vai muito além de um simples método para aprender a rezar. Trata-se de aprender a viver com Deus, de perseverar nessa união; assim, ao longo do dia, toda a nossa existência acaba gradualmente por se tornar ela própria uma oração.

Rezar, como diz o Padre Zezinho, costuma fazer bem!

Padre Wagner Augusto Portugal.

 

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