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Você tem coragem de carregar a sua cruz ou só quer as bênçãos? O desafio da cruz no discipulado.

 


Caro(a) amigo(a),

Você tem coragem de carregar a sua cruz ou só quer as bênçãos? O desafio da cruz no discipulado.

O itinerário espiritual proposto pela obra clássica “Imitação de Cristo” nos convida a uma jornada profunda de fé e entrega. Somos levados a meditar sobre um tema central e, muitas vezes, desafiador da vida cristã: a Cruz. O Capítulo Onze, intitulado “O pequeno número dos que amam a Cruz”, nos confronta com uma verdade incômoda, mas essencial para quem deseja seguir os passos de Jesus mais de perto. “Jesus, de fato, conta com muitos que amam o seu reino celeste, mas com poucos que carregam a sua Cruz. Encontra vários companheiros de mesa, mas poucos de abstinência.”

Essa passagem ressoa profundamente em nossos corações. É fácil amar as bênçãos e as alegrias do Reino de Deus, mas o verdadeiro discipulado exige mais. Ele nos chama a abraçar a Cruz, a renunciar a nós mesmos e a seguir a Cristo, mesmo quando o caminho se torna árduo. A Cruz não é um acidente na vida cristã; ela é parte integrante da nossa identidade e do nosso crescimento espiritual.

Por que tão poucos amam a Cruz?

Há muitos se interessam pelas coisas do Reino, dedicam-se e trabalham, mas a perseverança se torna um desafio quando a Cruz se manifesta. O sofrimento, a dor e as dificuldades são realidades que, por vezes, parecem amargas e dolorosas. No entanto, a obra “Imitação de Cristo” nos lembra que essa dimensão, embora difícil, é fundamental para a nossa vida e para o nosso amadurecimento na fé.

A Cruz como sinal de redenção

“Se quiseres me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua Cruz e me siga, venha atrás de mim.”

Essa exortação bíblica é um pilar da espiritualidade cristã. A Cruz, por mais amarga que seja, não é um fim em si mesma, mas um meio para a redenção. Assim como em um casamento, onde se permanece na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, a vida cristã é um compromisso com Jesus que comporta tanto as alegrias quanto os sofrimentos. É na aceitação e na assunção da Cruz que encontramos um sinal de redenção para cada um de nós.

Luzes e cruzes: a dualidade da vida cristã

A vida do cristão é marcada por uma dualidade constante: luzes e cruzes. As luzes representam as alegrias, as consolações e as graças que recebemos. As cruzes, por sua vez, são os sofrimentos, as provações e os desafios que inevitavelmente batem à porta de todos. Imitação de Cristo nos ensina que não podemos ignorar a dimensão da Cruz, pois ela faz parte da espiritualidade e da caminhada de quem busca imitar a Cristo.

O Capítulo Onze de “Imitação de Cristo” é um convite a reavaliar nossa relação com o sofrimento e a Cruz. Longe de ser um fardo sem sentido, a Cruz, quando assumida em união com Cristo, transforma-se em um poderoso instrumento de redenção e crescimento espiritual. Que possamos, em nosso itinerário de fé, abraçar tanto as luzes quanto as cruzes, encontrando em cada uma delas a oportunidade de nos aproximarmos ainda mais do nosso Salvador.

A harmonia da vontade

Com base nos ensinamentos da obra Imitação de Cristo, a prática da oração constante é incentivada para que nós possamos aprender a querer apenas o que agrada a Deus, buscando uma harmonia espiritual plena.

É muito importante sempre nós perguntarmos qual é a vontade de Deus para nossa vida e buscarmos sempre realizar essa vontade. Em nossas orações diárias, como o Pai-Nosso, tem um trecho que fala sobre fazer a vontade de Deus: “Dai-me sempre desejar e querer o que for mais do teu agrado e mais estimadamente te aprover. Tua vontade seja minha e a minha vontade siga sempre à tua e com ela concorde de forma excelente. Haja para mim um só querer e um só não querer contigo. E eu não possa querer ou não querer outra coisa a não ser o que tu queres ou não queres”.

Nós rezamos esse trecho, mas se o meditássemos, entenderíamos que ele também é exigente, já que, muitas vezes, a nossa vontade não está purificada. Nesse momento, devemos nos colocar sempre na presença de Deus, pedindo que ele vá iluminando o nosso caminho e mostrando Sua vontade através da nossa vida, das pessoas ao nosso redor.

Deus, caminho para a realização humana integral

Deus é um comunicador por excelência, e Ele deseja conseguir sempre passar Sua vontade, chegando ao nosso coração a mensagem de quais são os seus planos de amor, os planos de salvação que Ele tem para cada um de nós. Também sobre a sua vocação, o seu chamado, mas também se pergunte quando você viveu plenamente a vontade de Deus, quais são aquelas pequenas vontades que você reconhece no seu cotidiano. Dessa forma, você terá como discernimento o sentimento da paz, da alegria, pois fazer essa vontade é seguir um caminho de realização plena, de alcançar uma realização maior em sua vida.

Todas as vezes que acabamos por se desvencilhar desse caminho, onde queremos fazer outras vontades, nós acabamos nos frustrando, nos decepcionando. Por isso neste dia, recorde-se da vontade de Deus e coloque-se na presença d’Ele, desejando fazer a vontade amorosa do Senhor em sua vida.

Padre Wagner Augusto Portugal.

 

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