Caro(a) amigo(a),
Neste dia dedicado a São João Maria Vianney, padroeiro de todos os padres, devemos tratar do acompanhamento humano e espiritual dos presbíteros que atravessam momentos de dificuldades. Todos nós os cristãos e as pessoas de boa vontade devemos dedicar um breve tempo de oração, para reconhecer e aprofundar que por trás de cada ministério ordenado há uma vida que também necessita de cuidado, proximidade e escuta. Nós devemos rezar: “Senhor Jesus, Bom Pastor e companheiro de caminhada, hoje colocamos nas tuas mãos todos os sacerdotes, especialmente os que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte do que a esperança.”
Devemos pedir ao Senhor que conhece as suas lutas e feridas, para que renove nos sacerdotes em crise a certeza do seu amor incondicional. Os presbíteros não são funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e estimados, e pastores amparados pela oração de seu povo.
Destaco a importância de redescobrir a dimensão comunitária do ministério sacerdotal. “Pai bom, ensina-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos presbíteros: a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição, a partilhar com eles a missão batismal de anunciar o Reino com gestos e palavras, e a acompanhá-los com proximidade e oração sincera. Que saibamos amparar aqueles que tantas vezes nos amparam.”
O cuidado dos sacerdotes é uma responsabilidade partilhada entre todo o Povo de Deus. Peçamos ao Espírito Santo para reacender nos nossos sacerdotes a alegria do Evangelho e que eles possam contar com amizades saudáveis, redes de apoio fraterno, sentido de humor quando as coisas não acontecem como esperavam, e com a graça de redescobrir sempre a beleza de sua vocação. Que os sacerdotes não percam a confiança em Deus, nem a alegria de servir à Igreja com um coração humilde e generoso.
Sustentar fraternalmente aos que sustentam. Nós devemos sustentar fraternalmente aos que nos sustentam, ou seja, os presbíteros, diáconos e bispos. Eu mesmo sinto isto em minha experiência, convivendo com tantos companheiros, irmãos sacerdotes e amigos sacerdotes que atravessam momentos difíceis. É fundamental recordar a importância do acompanhamento humano, da amizade sincera e, sobretudo, da força da oração que sustenta. Os sacerdotes precisam saber que não estão sozinhos.
À luz do recente magistério da Igreja — desde o Concílio Vaticano II até os ensinamentos dos últimos pontífices — se evidencia que o sacerdote é um homem frágil que necessita de misericórdia, proximidade e compreensão. Por isso, a insistência para que não enfrentem sozinhos os momentos de desânimo, mas se deixem acompanhar e sustentar pela comunidade. A fraternidade sacerdotal, a vida partilhada e a oração do Povo de Deus são como fontes essenciais de graça, capaz de renovar sua vocação e sustentá-los em sua missão de cada dia.
“O Senhor não busca sacerdotes perfeitos”: Uma Igreja sinodal é também uma Igreja que cuida e sustenta a vocação dos sacerdotes, ajudando os presbíteros a serem pastores, irmãos e pessoas melhores. O Papa Francisco, em “O Vídeo do Papa” de julho de 2018, mostrou preocupação por seus irmãos sacerdotes, e disse: “O cansaço dos sacerdotes… Sabem quantas vezes penso nisso?”
Em 27 de junho de 2025, por ocasião do Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos presbíteros com estas palavras: “Não tenham medo de sua fragilidade: o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar como Ele mesmo nos amou”. Um dia antes, em 26 de junho de 2025, Leão XIV interpelou os participantes do encontro internacional “Sacerdotes felizes - «Eu vos chamo amigos», promovido pelo Dicastério para o Clero durante o Jubileu dos Sacerdotes, dizendo: “No coração do Ano Santo, queremos testemunhar juntos que é possível ser sacerdotes felizes, porque Cristo nos chamou, Cristo fez de nós seus amigos: é uma graça que queremos acolher com gratidão e responsabilidade”.
Não devemos apenas rezar pelos sacerdotes, mais também a agir: promover espaços de escuta, fomentar comunidades acolhedoras, evitar críticas destrutivas, e fortalecer vínculos como comunidade.
Como forma de vivenciar essa intenção, os fiéis são convidados a rezar:
“Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Senhor Jesus, Bom Pastor e companheiro de caminhada, hoje vos confiamos todos os sacerdotes, sobretudo aqueles que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte que a esperança. Vós, que conheceis suas lutas e feridas, renovai neles a certeza do vosso amor incondicional. Fazei com que não se sintam nem funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e preciosos e pastores sustentados pela oração do vosso povo. Pai bondoso, ensinai-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos sacerdotes: a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição, a partilhar com eles a missão batismal de anunciar o vosso Reino com gestos e palavras, e a acompanhá-los com proximidade e oração sincera. Fazei com que saibamos sustentar aqueles que tantas vezes nos sustentam. Espírito Santo, reacendei em nossos sacerdotes a alegria do Evangelho. Concedei-lhes amizades saudáveis, redes de apoio fraterno, um pouco de bom humor quando as coisas não saem como esperado e a graça de redescobrir sempre a beleza da sua vocação. Que nunca percam a confiança em vós, nem a alegria de servir a vossa Igreja com coração humilde e generoso. Amém.”
Neste mês, o convite é claro: rezar, cuidar e caminhar juntos. Afinal, uma Igreja viva se constrói na comunhão e isso inclui também amparar aqueles que dedicam suas vidas ao serviço do Reino.
Reze, sempre, pelos padres, particularmente pelos que passam dificuldades!
Com estima, em Cristo Ressuscitado,
Padre Wagner Augusto Portugal.

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