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V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

 

Na mensagem para o V Dia Mundial dos Avós e dos Idosos — no contexto do Ano Jubilar de 2025 — intitulada “Bem-aventurado aquele que não perdeu a esperança”, o Santo Padre, o Papa Leão XIV, recorda que muitas vezes “os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações! A nossa gratidão e coerência nunca serão suficientes para agradecer este bonito legado que nos foi deixado com tanta esperança e amor.”

A mensagem foi divulgada no dia 10 de julho de 2025 e traz palavras de profundo consolo e orientação espiritual. O Romano Pontífice inicia o texto lembrando que “o Jubileu que estamos vivendo nos ajuda a descobrir que a esperança é, em todas as idades, perene fonte de alegria” e que, “quando é provada pelo fogo de uma longa existência, torna-se fonte de uma bem-aventurança plena”.

Na sequência, o Papa evoca a memória de diversas figuras bíblicas em idade avançada, que foram instrumentos nos desígnios salvíficos de Deus: Abraão e Sara, Isabel e Zacarias, Jacó — já idoso ao abençoar os filhos de José, seus netos —, Moisés e Nicodemos. “Deus mostra várias vezes a sua providência dirigindo-se a pessoas idosas. Com estas escolhas, Ele nos ensina que, aos seus olhos, a velhice é um tempo de bênção e graça e que, para Ele, os idosos são as primeiras testemunhas da esperança”, destaca Leão XIV.

O Pontífice observa que “só se compreende a vida da Igreja e do mundo na sucessão das gerações. Por isso, abraçar um idoso ajuda-nos a entender que a história não se esgota no presente, nem em encontros rápidos e relações fragmentárias, mas se desenrola rumo ao futuro”. E acrescenta: “Se é verdade que a fragilidade dos idosos precisa do vigor dos jovens, é igualmente verdade que a inexperiência dos jovens precisa do testemunho dos idosos para projetar o futuro com sabedoria.”

Com sensibilidade pastoral, o Papa retoma: “Quantas vezes os nossos avós foram para nós um exemplo de fé e devoção, de virtudes cívicas e compromisso social, de memória e perseverança nas provações! A nossa gratidão e coerência nunca serão suficientes para agradecer este bonito legado que nos foi deixado com tanta esperança e amor.”

O Santo Padre recorda, então, o sentido do Jubileu na tradição bíblica: “Desde as suas origens, o Jubileu representou um tempo de libertação: os escravos eram libertados, as dívidas perdoadas, as terras devolvidas aos seus proprietários originais. Era um momento de restauração da ordem social desejada por Deus, em que se sanavam as desigualdades e as opressões acumuladas ao longo dos anos.”

Nessa perspectiva, ele convida todos a viver com os idosos uma forma de libertação: “sobretudo da solidão e do abandono”. “Este ano é o momento propício para realizá-la: a fidelidade de Deus às suas promessas ensina-nos que há uma bem-aventurança na velhice, uma alegria autenticamente evangélica que nos convida a derrubar os muros da indiferença nos quais os idosos estão frequentemente encerrados.”

O Papa adverte que “em todas as partes do mundo, as nossas sociedades estão a habituar-se, com demasiada frequência, a deixar que uma parte tão importante e rica do seu tecido social seja marginalizada e esquecida.” E conclama: “Perante esta situação, é necessária uma mudança de atitude, que testemunhe uma assunção de responsabilidade por parte de toda a Igreja.”

Assim, Leão XIV propõe que “cada paróquia, associação ou grupo eclesial é chamado a tornar-se protagonista da ‘revolução’ da gratidão e do cuidado, a ser realizada através de visitas frequentes aos idosos, criando para eles — e com eles — redes de apoio e oração, tecendo relações que possam dar esperança e dignidade àqueles que se sentem esquecidos.”

E exorta: “A esperança cristã impele-nos continuamente a ousar mais, a pensar em grande, a não nos contentarmos com o status quo. Neste caso específico, a trabalhar por uma mudança que devolva aos idosos a estima e o afeto.”

O Papa Leão XIV recorda ainda que foi desejo do Papa Francisco que o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos fosse celebrado, antes de tudo, com a visita aos que vivem na solidão. Por isso, esclarece que “aqueles que não puderem vir a Roma neste ano em peregrinação podem obter a Indulgência Jubilar se visitarem por um período adequado idosos em situação de solidão, quase fazendo uma peregrinação em direção a Cristo presente neles.”

E reforça: “Visitar um idoso é um modo de encontrar Jesus, que nos liberta da indiferença e da solidão.”

Citando o Livro do Eclesiástico, o Papa retoma que “a bem-aventurança é daqueles que não perderam a esperança”, reconhecendo que, especialmente nas longas vidas, há muitos motivos que poderiam levar a olhar apenas para o passado. Mas lembra as palavras escritas por Francisco em sua última internação no Hospital Gemelli: “O nosso físico está fraco, mas, mesmo assim, nada nos impede de amar, de rezar, de nos doarmos, de sermos uns pelos outros, na fé, sinais luminosos de esperança.”

E conclui com vigor espiritual: “Possuímos uma liberdade que nenhuma dificuldade pode tirar-nos: a de amar e rezar. Todos podemos amar e rezar, sempre. O bem que desejamos às pessoas que nos são caras — ao cônjuge com quem compartilhamos grande parte da vida, aos filhos, aos netos que alegram os nossos dias — não desaparece quando as forças se esvaem. Pelo contrário, muitas vezes é justamente o carinho deles que desperta as nossas energias, trazendo-nos esperança e conforto.”

“Por isso, sobretudo na velhice, perseveremos confiantes no Senhor. Deixemo-nos renovar todos os dias, na oração e na Santa Missa, pelo encontro com Ele. Transmitamos com amor a fé que vivemos na família e nos encontros quotidianos durante tantos anos: louvemos sempre a Deus pela sua benevolência, cultivemos a unidade com as pessoas que nos são caras, abramos o nosso coração aos que estão mais longe e, em particular, aos necessitados. Assim, seremos sinais de esperança, em todas as idades”, conclui o Papa Leão XIV.

Padre Wagner Augusto Portugal 

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