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Dia das Mães

 


Iremos celebrar, no próximo domingo, dia 11 de maio de 2025, o Dia das Mães. Será este dia uma oportunidade feliz de celebrar um grande dom: o da maternidade! Que graça imensa para as mulheres poderem cooperar com Deus na criação de um novo ser que, desde toda a eternidade, já foi amado e querido por Ele: a geração dos filhos. Diante de tamanha graça, as mulheres se encantam e adoram o mistério da vida, acolhendo-o com amor.

É tão grande a missão da mãe e do pai na vida dos filhos, que Deus nos deu o mandamento: “Honrar pai e mãe”, o primeiro que encabeça a segunda Tábua da Lei. O livro do Eclesiástico diz: “Deus quis honrar os pais pelos filhos e, cuidadosamente, fortaleceu a autoridade da mãe sobre eles” (Eclo 3,3). “Quem teme ao Senhor honra pai e mãe. Servirá aqueles que lhe deram a vida como a seus senhores” (v. 8).

A missão da mãe está diretamente ligada à vida. Ela gera e educa o filho para a sociedade e para Deus. Por isso, a maior contradição é uma mãe abortar seu filho. A mãe é a grande defensora da vida, desde a concepção até a morte natural do filho. A criatura mais desnaturada, mais perversa, é a mãe que rejeita o próprio filho.

A mãe é a primeira educadora do ser humano; ela o molda para viver as virtudes, o amor ao próximo, a civilidade e para desenvolver todos os seus talentos para o bem próprio e dos outros. “Educar é uma obra do coração”, dizia Dom Bosco. Por isso, a mãe tem o primado do amor. Com paciência e perícia, ela vai tirando os maus hábitos do filho e fomentando as virtudes dele. Michel Quoist afirmava “que não é para si que os homens educam os seus filhos, mas para os outros e para Deus”.

Educar é colaborar com Deus, e é na educação dos filhos que se revelam as virtudes da mãe. Sem o carinho e a atenção da mãe, a criança certamente crescerá carente de afeto e desorientada para a vida. Sem experimentar o amor materno, o homem futuro será triste.

É no colo da mãe que a criança aprende o que é a fé, aprende a rezar e a amar a Deus e as pessoas. A maioria das pessoas que se dizem ateias ou avessas à religião não recebeu a fé no colo de suas mães; porque é na primeira infância que o ser humano tem seu primeiro e fundamental encontro com Deus.

É no colo da mãe que o homem de amanhã deve aprender o que é a retidão, o caráter, a honestidade, a bondade, a pureza de coração. É no colo materno que a criança aprende a respeitar as pessoas, a ser gentil com os mais velhos, a ser humilde, simples e a não desprezar ninguém. É no colo da mãe que o filho aprende a caridade, a vida pura na castidade, o domínio das paixões desordenadas e a rejeitar todos os vícios. É a mãe, com seu jeito doce e suave, que vai retirando da sua “plantinha”, que cresce, a erva daninha da preguiça, da desobediência, da má-criação, dos gestos e palavras inconvenientes. É ela quem vai ensinando a criança a perdoar, a superar os momentos de raiva sem revidar, a não ter inveja dos que têm mais bens e dinheiro. É a mãe que, nas primeiras tarefas do lar, ensina o caminho redentor do trabalho e da responsabilidade. A mãe é a grande combatente do pecado original.

Ser mãe como Maria: até o Filho de Deus quis ter uma Mãe para cumprir a missão de salvar a humanidade, e Ele realizou o primeiro milagre nas bodas de Caná porque Ela Lhe pediu. Por isso, cada mãe é um sinal de Maria, que ensina seu filho a viver de acordo com a vontade de Deus.

Infelizmente, o secularismo que tomou conta do mundo atual e expulsa Deus da sociedade, das famílias, das escolas e das instituições, desvalorizou a maternidade, enterrou seus imensos valores e empanou o brilho de sua grandeza. Hoje, muitas mulheres, inclusive católicas, já não querem ser mães ou têm receio da maternidade, como se não fosse uma bênção a ser acolhida.

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) ensina: “A Sagrada Escritura e a prática tradicional da Igreja veem nas famílias numerosas um sinal da bênção divina e da generosidade dos pais” (CIC §2373; GS, 50,2). E afirma ainda: “Os filhos são o dom mais excelente do matrimônio e constituem um benefício máximo para os próprios pais” (CIC §2378).

Os filhos são sinal de bênção: como, então, rejeitá-los, se são uma bênção de Deus? Será que o medo e o comodismo estão superando nossa fé? Será que Deus não cuidará mais daqueles a quem Ele mesmo deseja dar a vida?

Nunca me esqueci do que um homem pobre me disse na juventude. Havia nascido seu oitavo filho e ele me contava que estava tão mal financeiramente que, no dia do batismo, o padrinho da criança pediu para levar o afilhado para criar. Ao que o pai respondeu: “Não. Deus dá, Deus cria.” E, depois desse, ainda teve muitos outros filhos.

Salvação pela maternidade: o Salmo 126 diz com todas as letras: “Vede, os filhos são um dom de Deus: é uma recompensa o fruto das entranhas. Feliz o homem que assim encheu sua aljava […]” (Sl 126,3-5). Ainda cremos nessa palavra de Deus? Victor Hugo declarou: “Um lar sem filhos é como uma colmeia sem abelhas”; acaba ficando sem a doçura do mel.

Na “Carta às Famílias” (CF), o saudoso Papa João Paulo II denunciou o perigo de um mundo que vive hoje apenas em busca de prazer: “Visando exclusivamente ao prazer, pode-se chegar até a matar o amor, matando o seu fruto. Para a cultura do prazer, o ‘fruto bendito do teu ventre’ (cf. Lc 1,42) torna-se, em certo sentido, um ‘fruto maldito’” (CF, 21).

São Paulo afirma que a mulher tem, na maternidade, um meio poderoso de sua salvação — embora não seja, é claro, o único: “A mulher será salva pela maternidade, contanto que permaneça com modéstia na fé, na caridade e na santidade” (1Tm 2,15).

É preciso que cada mulher, especialmente a mulher católica, medite profundamente sobre a missão de ser mãe, a mais sublime que Deus confiou à mulher.

Nós, que temos a graça de ter nossas mamães vivas e com saúde, devemos agradecer a Deus, todos os dias, pela mamãe que Ele nos concedeu. E devemos rezar por elas:

Rezemos por nossas mães:

Deus, Pai misericordioso, que sempre nos ouves com amor e compaixão, venho hoje pedir-Te a Tua proteção para a minha mãe. Enxuga suas lágrimas de preocupação com a paz que emana do Teu coração paternal. Protege-a de todos os perigos espirituais e corporais, para que seus dias sejam plenos de saúde. Amém!

Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, abençoai nossas mamães. Amém!

 

Padre Wagner Augusto Portugal.

 

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