“O apóstolo Pedro e Paulo, o
doutor das nações, nos ensinaram, Senhor a vossa lei”.
Na cidade do Vaticano, no dia 29 de
junho, o Sumo Pontífice Leão XVI, gloriosamente reinante, preside a Santa Missa
da Solenidade de São Pedro e de São Paulo. Tradicionalmente nesta data o Papa
Francisco impunha aos Arcebispos Eleitos desde junho do ano passado até o
presente momento o Pálio, símbolo da Dignidade Arquiepiscopal. No Brasil, no
domingo precedente ao dia 29 de junho, portanto na véspera, dia 28 de junho, queremos
nos unir ao Romano Pontífice e celebrar, com júbilo, a solenidade dos dois
alicerces de nossa fé católica.
Pedro foi
o primeiro Pontífice e é o fundamento da Igreja. Seu nome era Simão. Jesus o
apelidou de Pedro, isto é, de pedra, ao lhe dizer que sobre ele fundaria a Sua
Igreja (cf. Mt 16,18).
Desde a
fundação da Santa Igreja, de São Pedro ao Papa Francisco, a Santa Igreja teve
268 papas. Todos eles fundamentam a Igreja – ou seja – pedra da Igreja como
Pedro. Jesus poderia manter a sua Igreja somente com o seu desejo. Entretanto,
quis repartir o trabalho, a responsabilidade e o poder. Permanece sempre
presente. Por isso São Paulo dirá que “Jesus
Cristo foi e é a pedra principal do edifício. É nele que o edifício se une e
cresce” (cf. Ef 2,20-21).
Jesus confia a Pedro, o papa, o poder de governar, de decidir, de legislar, o
poder de santificar, o poder de confortar, o poder de apascentar o Rebanho.
Assim, a festa de hoje é a festa do Papa, que nos garante na fé.
Queridos Irmãos,
Pedro era
Galileu, que tinha um irmão que também era Apóstolo: André. A profissão de
Pedro era pescador e ele era filho de Jonas. Quando conheceu Jesus Pedro
residia em Cafarnaum. Pedro era casado e sua sogra morava com ele. Mas a
grandiosidade de Pedro estava na disponibilidade com que aceitou o convite de
Jesus para deixar de ser pescador de peixes para se transformar em pescador de
homens, de seguidores do Cristo. Coube a Pedro, juntamente com João e Tiago
Maior, o privilégio de assistir à transfiguração de Jesus, e à ressurreição da
filha de Jairo. A tudo isso, o episódio mais conhecido de São Pedro foi o
momento em que na noite da Quinta-Feira, apesar de ter sido prevenido por
Jesus, Pedro renega Jesus por três vezes. A negação de Pedro é um crime comparável
ao de Judas. Porém, enquanto Judas entrou no desespero, Pedro entrou no caminho
da conversão. Jesus não lhe tira o mandato apostólico, mas volta a confirmá-lo
depois da ressurreição.
Após a
festa de Pentecostes, Pedro assume de fato a direção dos apóstolos e é ele quem
preside a eleição de Matias, para substituir Judas. Pedro prega a Palavra do
Evangelho na Galiléia, na Samaria e Judéia. Tem a força dos milagres, a ponto
de ressuscitar mortos. Depois de uma visão, compreende que também a salvação
vem para os pagãos. Isso sim, que os pagãos têm o direito ao batismo. Pedro foi
preso e, por milagre de Deus, foi solto. Pedro toma a palavra no Primeiro
Concílio de Jerusalém e, depois, viaja para Antioquia. Mais tarde, Pedro chega
à cidade de Roma, onde vive por alguns anos, até ser martirizado entre os anos
64 e 67, durante a perseguição do Imperador Nero. Fala a tradição da Igreja que
Pedro foi crucificado de cabeça para baixo, em respeito ao Senhor.
Amados Irmãos,
O Filho de
Deus, Jesus que foi enviado a este mundo para recriar a humanidade e fazer de
todas as criaturas um reinado capaz de dar ao Criador toda a honra e toda a
glória, entregou o papado a Pedro em Cesaréia de Filipe (cf. Mt 16,13). Jesus
entregou a Pedro o poder das chaves: “A
quem perdoar os pecados os pecados serão perdoados. A quem reterdes os pecados
os pecados serão retidos”. O poder das chaves que foi dado por Cristo a
Pedro e aos seus sucessores, simbolizam a autoridade sobre a cidade, sobre a
casa, sobre a Igreja, sobre todos os batizados. Pedro, e seus sucessores,
poderá permitir ou impedir o acesso ao Reino, à comunidade cristã. A figura do “atar e desatar” reforça o
símbolo das chaves. O fato de Jesus usar dois verbos antônimos, numa figura que
reforça a primeira – as chaves – significa dizer três vezes a mesma coisa, ou
seja, dizer com autoridade, sem deixar nenhuma dúvida.
Pedro,
assim, representa todos os homens e mulheres, pecadores e santos ao mesmo
tempo, com uma sede incontida de Deus e capaz de pesadas traições. Cada um de
nós tem essa experiência. As fraquezas e grandezas de Pedro podem nos servir de
consolo e estímulo. Deus não fundou a Igreja sobre anjos, mas sobre uma pessoa
de carne pecadora e espírito possuído de grande amor e esperança. Se temos a
experiência do pecado, tenhamos também a experiência da conversão e da
humildade.
O amor que
estava encheu o coração de Pedro era maior do que o pecado, por isso ele mesmo
disse: “O amor cobre a multidão dos
pecados” (cf. 1Pd 4,8). A esperança supera o desânimo. Esperança que, em
nome de Cristo, Pedro anunciou com misericórdia, com caridade, com graça,
manifestando a doce presença de Cristo.
Estimados Irmãos,
Paulo, que também celebramos em 25
de janeiro, aparece mais na qualidade de fundador carismático da Igreja. Sua
vocação se dá na visão do Cristo no caminho de Damasco: de perseguidor,
transforma-se em mensageiro de Cristo; “apóstolo
das gentes”. Paulo é que realiza, por excelência, a missão dos apóstolos,
de serem testemunhas de Cristo “até os
extremos da terra” (cf. At 1,8). As cartas a Timóteo, escritas da prisão de
Roma, são a prova inequívoca disso, pois Roma é a capital do mundo, o trampolim
para o Evangelho se espalhar por todo o mundo civilizado daquele tempo. Ele é o
“apóstolo das nações”. No fim de sua
vida, pode oferecer sua vida “como
oferenda adequada” a Deus, assim como ele ensinou (cf. Rm 12,1). Como
Pedro, ele experimentou Deus como um Deus que liberta da tribulação.
Queridos
irmãos,
No Livro dos Atos dos
Apóstolos, a primeira leitura da missa de hoje (cf. At 12,1-11), São Lucas
procura mostrar como o plano salvador de Deus para os homens continua a
cumprir-se, mesmo depois da partida de Jesus para junto do Pai. Os discípulos
de Jesus são agora, no meio do mundo, as testemunhas desse projeto de
libertação que Deus ofereceu aos homens através de Jesus Cristo.
A primeira leitura mostra como
Deus cauciona o testemunho dos discípulos e como cuida deles quando o mundo os
rejeita. Na ação de Deus em favor de Pedro – o apóstolo que é protagonista, na
história que este texto dos Atos hoje nos apresenta – São Lucas mostra a
solicitude de Deus pela sua Igreja e pelos discípulos que testemunham no mundo
a Boa Nova da salvação.
Como é que o mundo acolhe o
testemunho dos discípulos? Deus deixa as testemunhas do seu projeto de salvação
entregues à sua sorte, à mercê da perseguição e da incompreensão do mundo? O
texto que nos é proposto como primeira leitura procura responder a estas
questões.
1. Os elementos históricos
avançados por São Lucas sobre a morte de Tiago e a prisão de Pedro, no contexto
da perseguição contra a Igreja durante o reinado de Herodes Agripa I (At 12,1-4),
mostram como o testemunho do projeto libertador de Deus no mundo gera sempre
confronto com as forças da opressão e da morte. Trata-se de uma realidade que
não deve deixar os discípulos surpreendidos, pois o próprio Jesus teve que
percorrer o caminho da cruz (a indicação de que Pedro foi preso no dia dos
Ázimos e, portanto, muito próximo do dia de Páscoa, pode sugerir uma
correspondência com a Páscoa de Jesus: o caminho que Pedro está a seguir é o
mesmo caminho do Mestre). Por outro lado, a oposição do mundo não pode nem deve
calar o testemunho que os discípulos são chamados a dar.
2. Enquanto Pedro estava na
prisão, a Igreja orava por ele (At 12,5). A indicação mostra uma comunidade
cristã unida, em que os crentes estão próximos e solidários apesar da distância
e das grades da prisão. Por outro lado, o fato de a libertação de Pedro
acontecer enquanto a Igreja “orava instantemente a Deus por ele”, mostra como
Deus escuta a oração da comunidade.
3. A maravilhosa história da
libertação de Pedro (At 12,6-11) mostra a presença efetiva de Deus na caminhada
da sua Igreja e a solicitude com que Deus cuida daqueles que dão testemunho do
seu projeto de salvação no meio dos homens. O relato está construído com
elementos maravilhosos e prodigiosos que não são, certamente, de caráter
histórico (o aparecimento do “anjo do Senhor”, a luz que iluminou a cela da
cadeia, a passagem pelos guardas sem que nenhum deles se tivesse apercebido da
fuga do prisioneiro, a abertura milagrosa da porta da prisão); mas pretendem
sublinhar a presença de Deus, e apor no testemunho dos apóstolos o “selo de
garantia” de Deus. Não há dúvida: Deus está com os apóstolos e, diante da
oposição do mundo, garante a autenticidade da proposta apresentada por eles.
Como cenário de fundo da nossa
primeira leitura, está o fato de a comunidade cristã (aqui representada por
Pedro) ser uma comunidade que tem como missão dar testemunho do projeto
libertador de Deus no meio dos homens. A Igreja que nasce de Jesus não é uma
comunidade fechada em si própria, ou que vive apenas de olhos postos no céu à
espera de que Deus, de forma mágica, renove o mundo; mas é uma comunidade
comprometida com a transformação do mundo, que testemunha – com palavras e com
gestos concretos – os valores de Jesus, do Evangelho e do mundo novo.
A primeira leitura mostra que o
anúncio da proposta de salvação que Deus faz aos homens gera sempre oposição.
Essa oposição vem, especialmente, daqueles que querem perpetuar os mecanismos
de exploração, de injustiça, de morte; mas também pode vir de quem está
comodamente instalado na escravidão e não tem a coragem de questionar as
cadeias que o prendem. Em qualquer caso, a oposição traduz-se sempre em
atitudes de incompreensão, de desrespeito, ou mesmo de perseguição declarada.
Uma Igreja que procura ser fiel ao mandato de Jesus e testemunhar a libertação
de Deus ver-se-á sempre confrontada com esta realidade. Todos nós, discípulos
de Jesus, chamados a testemunhar a vida de Deus na sociedade, no nosso local de
trabalho, na nossa família, conhecemos a oposição, as calúnias, os sarcasmos, a
dificuldade em que levem a sério o nosso testemunho. Tal fato não deve
preocupar-nos demasiado: é a reação lógica do mundo quando se sente questionado
pelos valores de Jesus. Para nós, o que é importante é afirmar, com sinceridade
e verticalidade, os valores em que acreditamos.
A história de Pedro que hoje
nos é proposta garante-nos que, nos momentos de perseguição e de oposição, o
nosso Deus não nos abandona. Ele será sempre uma presença reconfortante e
libertadora ao nosso lado, dando-nos a coragem para continuarmos a nossa missão
e para darmos testemunho dos valores do Reino. O cristão não tem medo porque
sabe que Deus está com ele e que, por isso, nenhum mal lhe acontecerá.
A nossa história sugere,
também, a importância da união e da solidariedade da comunidade, sobretudo para
com os irmãos que estão longe ou que estão em situações dramáticas de
sofrimento. A oração é uma forma de manifestar essa solidariedade e a comunhão que
deve unir todos os irmãos, membros da mesma família de fé.
Caros irmãos,
A segunda
leitura, retirada da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 4,6-8.17-18, apresenta-se
como o “testamento” do Apóstolo Paulo. Numa espécie de “balanço final” da vida
do apóstolo, o autor deste texto recorda a resposta generosa de Paulo ao
chamamento que Jesus lhe fez e o seu compromisso total com o Evangelho. É um
texto comovente e questionante, que convida os crentes de todas as épocas e
lugares a percorrer o caminho cristão com entusiasmo, com entrega, com ânimo –
a exemplo de Paulo.
Observa-se que
o autor da carta se apresenta na pele de São Paulo, prisioneiro em Roma; e,
nessa pele, faz um balanço final da sua vida e da sua entrega ao serviço do
Evangelho.
A vida de
Paulo foi, desde o seu encontro com Cristo ressuscitado na estrada de Damasco,
uma resposta generosa ao chamamento e um compromisso total com o Evangelho. Por
Cristo e pelo Evangelho, Paulo lutou, sofreu, gastou e desgastou a sua vida,
num dom total, para que a salvação de Deus chegasse a todos os povos da terra.
No final, ele sente-se como um atleta que lutou até ao fim para vencer e está
satisfeito com a sua prestação. Resta-lhe receber essa coroa de glória,
reservada aos atletas vencedores (e que Paulo sabe não estar reservada apenas a
ele, mas também a todos aqueles que lutam com o mesmo denodo e o mesmo
entusiasmo pela causa do “Reino”). Para definir a sua vida como dom total a
Deus e aos irmãos, São Paulo utiliza aqui uma imagem bem sugestiva: a imagem da
vítima imolada em sacrifício. São Paulo fez da sua vida um dom total, ao
serviço do Evangelho; a sua entrega foi um sacrifício cultual a Deus. Agora,
para que o sacrifício seja total, só resta coroar a sua entrega com o dom do
seu sangue. A referência à oferta “em libação” faz referência aos sacrifícios
em que se vertia o vinho sobre o altar, imediatamente antes de ser imolada a
vítima sacrificial.
Há duas maneiras de dar a vida por Cristo: uma é gastá-la dia a dia na tarefa
de levar a libertação que Cristo veio propor a todos os povos da terra; outra é
derramar, de uma vez, o sangue por causa da fé e do testemunho de Cristo… Paulo
conheceu as duas modalidades; imitar Paulo é um desafio que o autor da Carta a
Timóteo faz aos discípulos do seu tempo e de todos os tempos.
Na segunda
parte da segunda leitura (2Tm 4,16-18), o autor desta carta põe na boca de
Paulo o lamento desiludido de um homem cansado que, apesar de ter oferecido a
sua vida como dom aos irmãos se sente, no final, votado ao abandono e à
solidão. Mas, apesar de tudo, Paulo tem consciência de que Deus esteve a seu
lado ao longo da sua caminhada, lhe deu a força de enfrentar as dificuldades, o
livrou de todo o mal e lhe dará, no final da caminhada, a vida definitiva. Daí
o louvor com que Paulo termina: “glória a ele pelos séculos sem fim. Amém”. É
esta a atitude que o autor da carta pede aos seus irmãos: apesar do desânimo,
do sofrimento, da tribulação, descubram a presença de Deus, confiem na sua
força, mantenham-se fiéis ao Evangelho: assim recebereis, sem dúvida, a
salvação definitiva que Deus reserva a quem combateu o bom combate da fé.
São Paulo foi
uma das figuras que marcou, de forma decisiva, a história do cristianismo. Ao
olharmos para o seu exemplo, impressiona-nos como o encontro com Cristo marcou
a sua vida de forma tão decisiva; espanta-nos como ele se identificou
totalmente com Cristo; interpela-nos a forma entusiasmada e convicta como ele
anunciou o Evangelho em todo o mundo antigo, sem nunca vacilar perante as
dificuldades, os perigos, a tortura, a prisão, a morte; questiona-nos a forma
como ele quis viver ao jeito de Cristo, num dom total aos irmãos, ao serviço da
libertação de todos os homens. Paulo é, verdadeiramente, um modelo e um
testemunho que deve interpelar, desafiar e inspirar cada crente.
O caminho que
São Paulo percorreu continua a não ser um caminho fácil. Hoje, como ontem,
descobrir Jesus e viver de forma coerente o compromisso cristão implica
percorrer um caminho de renúncia a valores a que os homens dos nossos dias dão
uma importância fundamental; implica ser incompreendido e, algumas vezes,
maltratado; implica ser olhado com desconfiança e, algumas vezes, com
comiseração.
Prezados irmãos,
O
Evangelho (cf. Mt 16,13-19) de hoje é permeado pela pergunta quem é Jesus? O
que é que “os homens” dizem de Jesus? Para os discípulos, Jesus foi bem mais do
que “um homem”. Ele foi e é “o Messias, o Filho de Deus vivo”. Defini-l’O dessa
forma significa reconhecer em Jesus o Deus que o Pai enviou ao mundo com uma
proposta de salvação e de vida plena, destinada a todos os homens. A proposta
que Ele apresentou não é, apenas, uma proposta de “um homem” bom, generoso,
clarividente, que podemos admirar de longe e aceitar ou não; mas é uma proposta
de Deus, destinada a tornar cada homem ou cada mulher uma pessoa nova, capaz de
caminhar ao encontro de Deus e de chegar à vida plena da felicidade sem fim. A
diferença entre o “homem bom” e o “Messias, Filho de Deus”, é a diferença entre
alguém a quem admiramos e que é igual a nós, e alguém que nos transforma, que
nos renova e que nos encaminha para a vida eterna e verdadeira.
“E vós, quem
dizeis que Eu sou?” (cf. Mt 16,15) É uma pergunta que deve, de forma constante,
ecoar nos nossos ouvidos e no nosso coração. Responder a esta questão significa
interrogar o nosso coração e tentar perceber qual é o lugar que Cristo ocupa na
nossa existência. Responder a esta questão nos obriga a pensar no significado
que Cristo tem na nossa vida, na atenção que damos às suas propostas, na
importância que os seus valores assumem nas nossas opções, no esforço que
fazemos ou que não fazemos para O seguir. É sobre a fé dos discípulos (isto é,
sobre a sua adesão ao Cristo libertador e salvador, que veio do Pai ao encontro
dos homens com uma proposta de vida eterna e verdadeira) que se constrói a
Igreja de Jesus.
Depois de
responder quem é Jesus, devemos nos questionar o que é a Igreja? O nosso texto
responde de forma clara: é a comunidade dos discípulos que reconhecem Jesus
como “o Messias, o Filho de Deus”. A Igreja existe para o testemunhar e para
levar a cada homem e a cada mulher a proposta de salvação que Cristo veio
oferecer.
O Evangelho
convida os discípulos a aderirem a Jesus e a acolherem-no como “o Messias,
Filho de Deus”. Dessa adesão, nasce a Igreja – a comunidade dos discípulos de
Jesus, convocada e organizada à volta de Pedro. A missão da Igreja é dar
testemunho da proposta de salvação que Jesus veio trazer. À Igreja e a Pedro é
confiado o poder das chaves – isto é, de interpretar as palavras de Jesus, de
adaptar os ensinamentos de Jesus aos desafios do mundo e de acolher na
comunidade todos aqueles que aderem à proposta de salvação que Jesus oferece.
Prezados irmãos,
Uma das
tarefas da Igreja é ligar ou desligar do Reino do Céu tudo o que está na terra.
Essa tarefa não diz respeito, de forma alguma, a uma autoridade soberana do
chefe da Igreja, mas se refere à responsabilidade pastoral na orientação dos
fiéis em sua comunhão com Deus e com a comunidade crente, concretizada na
visibilidade do sacramento da reconciliação.
Assim, por
meio de seus pastores, no ministério da reconciliação, a Igreja não só declara
que alguém está excluído oficialmente da comunhão plena com ela, que faz a
mediação da comunhão com Deus, mas também exerce sua missão de readmitir e
reconciliar quem se encontrava separado dela, uma vez cumpridas certas
condições que sinalizem verdadeira conversão.
A Igreja,
representada nesses dois apóstolos, é formada por pessoas que professam sua fé
no Cristo e assumem essa mesma fé na vida, de modo concreto, por suas ações,
palavras e compromisso com o Reino de Deus. Essa é a verdade do testemunho de
Pedro e Paulo, apóstolos de Cristo que foram até as últimas consequências em
sua missão de anunciar a Boa-nova da salvação. Por isso, ambos são referenciais
para a vivência da fé. Eles nos lembram que a liderança, na comunidade de fé, é
serviço aos irmãos e irmãs, ajudando-os a solidificar a fé e levar adiante a
missão iniciada pelo Mestre Jesus.
Celebrar a Solenidade de São
Pedro e São Paulo é manifestar nossa adesão a fé, vivida com perseverança,
constância, autenticidade e verdade. O martírio de Pedro e Paulo deve ser visto
como caminho que a fé alcança até as últimas consequências. As figuras dos
apóstolos Pedro e Paulo são vivo modelos e exemplos para todos nós. De maneira
eloquente, hoje é o dia da oração pelo Santo Padre, o papa, sucessor de Pedro. Que
todos nós possamos ter o necessário ardor missionário, a exemplo de Paulo,
possa sempre integrar nosso caminho de vida e de fé.
Amigos e amigas,
Pedro e
Paulo representam duas vocações na Igreja, duas dimensões do apostolado,
diferentes, mas complementares. As duas foram necessárias para que pudéssemos
comemorar, hoje, os fundadores da Igreja Católica que peregrina na
universalidade do mundo. A complementaridade dos dois “carismas” continua atual: a responsabilidade institucional e a
criatividade missionária.
Hoje
celebra-se, com gáudio, o “dia do Santo
Padre”. Enseja uma reflexão sobre o serviço de responsabilidade última.
Importa crescermos em uma obediência adulta, sem mistificação da autoridade,
nem anarquia. O governo pastoral da Igreja, hoje sob a barca de Francisco, é um
serviço legítimo, autêntico e necessário para a Igreja. Mas, importa observar
também que aquele que tem a última palavra deve escutar as penúltimas palavras
de muita gente.
Pedro e
Paulo são testemunhas de Cristo. Por isso, unidos à coroa do martírio, recebam
por toda a terra igual veneração que hoje depositamos em orações no coração do Augusto
Sumo Pontífice Leão XIV, a quem rezamos, para que guie a Igreja de Cristo,
sendo a primeira testemunha do Ressuscitado, Amém!
Padre
Wagner Augusto Portugal.
Comentários
Postar um comentário