O que é alegria pascal? Podemos
estar bem familiarizados com as práticas e devoções da Quaresma: como renunciar
a algo, abster-se de carne ou rezar as Estações da Cruz. No entanto, pode ser
mais difícil conhecer as maneiras de viver bem o tempo da Páscoa. No Prefácio
da Oração Eucarística de cada Missa durante a temporada da Páscoa ouvimos: “Na
verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre
e em todo lugar, mas sobretudo nesta noite neste dia ou neste tempo” em que
Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.
Ele é o verdadeiro cordeiro que
tira o pecado do mundo. Morrendo, destruiu a morte e, ressurgindo, deu-nos a
vida. Transbordando de alegria pascal, nós nos unimos aos anjos e a todos os
santos para celebrar a vossa glória, cantando (dizendo) a uma só voz…” O que é
“alegria pascal” e como louvamos o Senhor “mais gloriosamente” na
temporada da Páscoa? É irracional esperar que alguém consiga se tornar feliz de
repente, muito menos que fique feliz durante todo o tempo da Páscoa. Mas a
alegria não é o mesmo que felicidade, nem é a ausência de tristeza. A alegria é
um fruto da caridade. Ela flui do amor, resulta de uma participação na bondade.
Sentimos alegria na presença de alguém ou algo que amamos; alegramo-nos com o
bem-estar de nossos entes queridos. Se nossa observância da Quaresma é focada
na caridade – particularmente atos de caridade, como oração, jejum e esmola -,
então a alegria flui naturalmente deles. As disciplinas que voltam nosso olhar
para Deus e para o próximo, os sacrifícios que fazemos, são todos uma
participação na bondade, um ato de amor.
A alegria pascal, então, pode ser
vista como fruto de nossa jornada quaresmal. Nossos esforços na Quaresma não
devem ser medidas temporárias. Eles são destinados a causar mudanças duradouras
em nós, a nos conformar mais profundamente com nosso Senhor que morreu, mas
ressuscitou. O que podemos fazer, então, para que não abandonemos simplesmente
nossa observância quaresmal agora que a Páscoa chegou? Como podemos permitir
que essas observâncias se enraízem de tal forma que nos permitam celebrar o
tempo da Páscoa de maneira mais completa e alegre? Considere uma ou mais das
seguintes sugestões para cultivar a alegria pascal e preencher cada um dos
cinquenta dias da temporada com festividades e devoções:
1. Reze o Regina Caeli e preencha
suas orações com alegres Aleluias.
2. Medite sobre os Mistérios
Gloriosos do Rosário.
3. Abençoe a casa, a mesa da
família ou os alimentos tradicionais com água benta recém-abençoada.
4. Cultive ou dê flores para
adornar um quintal ou casa.
5. Reze o Via Lucis, uma devoção
baseada nas Estações da Cruz, que é uma meditação sobre as várias aparições de
Jesus desde sua ressurreição até sua ascensão (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20-21).
6. Aprenda sobre as devoções em
torno da Divina Misericórdia, como o Terço da Divina Misericórdia ou a
celebração litúrgica do Domingo da Divina Misericórdia no domingo seguinte ao
da Páscoa.
7. Faça alguma leitura
espiritual. O diário de Santa Faustina Kowalska oferece uma oportunidade para
refletir sobre a Divina Misericórdia como fonte de nossa redenção e alegria.
8. Prepare-se para Pentecostes
participando da Novena ao Espírito Santo.
9. Tome como exemplo o Círio
Pascal, que é aceso para todas as celebrações litúrgicas e mantido perto do
ambão durante todo o Tempo da Páscoa, acendendo uma vela (talvez até sua vela
batismal) e refletindo sobre como você recebeu a luz de Cristo.
10. Visite um cemitério ou local
de sepultamento de entes queridos e ofereça uma oração de fé, olhando para a
ressurreição dos mortos. 11. Mantenha um diário das alegrias e bênçãos –
grandes e pequenas – que preenchem estes dias e responda dando graças.
Por que celebrar esta
solenidade pascal, a cada ano, com tanta intensidade? A Páscoa como nós
conhecemos e vivemos hoje tem sua gênese, em figura, já no Antigo Testamento. Após serem libertados da
escravidão do Egito, atravessarem o Mar Vermelho a pé enxuto, o Senhor ordenou
a Moisés que celebrassem essa libertação a cada ano. É a Páscoa dos judeus! A noite das noites, em que o
Senhor libertou os judeus das garras da escravidão e da morte, e é a noite em
que deveria se explicar às futuras gerações a Aliança feita entre Deus e
Israel. Cristo Jesus, na iminência de se entregar na cruz para nos salvar da
escravidão do pecado e da morte, e nos reconciliar de modo definitivo e eterno
com Deus, abrindo-nos os portões dos céus, se entregou, de modo litúrgico, e
instituiu a Eucaristia. Trata-se da mesma entrega: uma cruenta, na cruz, e outra,
incruenta, na Eucaristia. É Ele mesmo quem pediu aos Apóstolos para renovarem
aquele sacrifício sempre, – sacrifício da Nova e Eterna Aliança. Os primeiros
cristãos logo entenderam a ordem do Senhor e celebravam a Páscoa anual como
forma de viver o mistério de nossa salvação. O Domingo da Páscoa, agora, é a
recordação do cumprimento e da promessa de Deus para com seu povo! Não se
precisa esperar mais um Messias Salvador, nem imolar cordeiros para renovar a
Aliança com Deus. Jesus é o Cordeiro de Deus que deveria vir!
Padre Wagner Augusto Portugal
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