Maria
nos mostra como receber Cristo no Advento. O Advento é sobre receptividade, e
isso faz de Maria “a Virgem do Advento”, como disse São João Paulo II. Enquanto
aguardamos a vinda de Cristo, a Igreja nos direciona repetidamente às virtudes
marianas: à Imaculada Conceição, celebrada em 8 de dezembro; à festa de Nossa
Senhora de Loreto, em 10 de dezembro, que recorda o lar que ela preparou para
Jesus; e à festa de Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro, que celebra
como ela preparou o Novo Mundo para Cristo, em 1531.
Maria
nos mostra como preparar um lugar para Jesus em nossas vidas, assim como ela
fez no mundo. Mas, se o Advento é sobre a “ausência de Cristo”, quando lemos
sobre o anseio dos profetas por Ele, a Quaresma é sobre a “plenitude de
Cristo”, quando esperamos com Jesus no deserto, caminhamos com Ele pelo Caminho
da Cruz e nos preparamos para a sua vitória final na Páscoa.
Da
mesma forma, São José nos mostra como manter Cristo na Quaresma. Enquanto o
Advento é o tempo da receptividade, a Quaresma é o tempo da custódia — quando
cuidamos, guardamos e protegemos o grande dom de Cristo em nossas vidas.
Esperamos por Cristo no Advento, mas esperamos com Cristo na Quaresma. Cristo
veio e nos pediu que permanecêssemos com Ele até o fim.
Não
há modelo melhor para isso do que São José. A festa de São José, em 19 de
março, celebra o Esposo de Maria: o construtor de Nazaré que teve de mudar sua
vida porque Jesus havia vindo ao mundo.
Quando
o Evangelho diz: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”, o grego, na
verdade, afirma que Ele “armou a sua tenda entre nós”. Em outras
palavras, o Verbo entrou na família de José, viveu em sua casa e se confiou aos
seus cuidados. No Antigo Testamento, Davi se ofereceu para construir uma casa
para Deus, mas Deus recusou. José, porém, da casa de Davi, construiu uma casa
para Jesus, e sua própria casa tornou-se um Santo dos Santos, abrigando o
próprio Deus.
Essa
é a nossa tarefa na Quaresma: sermos melhores guardiões do dom de Cristo,
moldando nossa casa de acordo com as suas necessidades.
José
também foi modelo do sacrifício unido ao de Cristo. Outro foco central da
Quaresma é a Paixão do Senhor. Ao tomarmos a nossa cruz e seguirmos Jesus, São
José é, mais uma vez, nosso modelo. Toda a sua vida foi dedicada ao sacrifício,
à oração e à doação de si, vivendo um matrimônio virginal centrado em Cristo e
respondendo obedientemente ao Senhor, que o chamava repetidamente.
Ele
também foi modelo da Paixão de outra forma, segundo Madre Teresa. “São José é o
exemplo mais maravilhoso!”, disse ela. “Quando percebeu que Maria estava
grávida, ele só precisava fazer uma coisa: ir até o sacerdote e dizer: ‘Minha
esposa teve um filho; não é meu.’… Eles a teriam apedrejado; essa era a regra.”
Em vez disso, segundo Madre Teresa, “ele decidiu: ‘Vou partir.’ E a regra era
que, se ele fugisse e deixasse sua esposa grávida, eles o apedrejariam.”
Se
era isso que José tinha em mente — e é uma hipótese plausível —, então, a cada
março, comemoramos o homem na vida de Jesus que foi modelo de assumir sobre si
o peso que poderia recair sobre aqueles que amava.
Por
fim, São José é modelo do homem virtuoso que a Quaresma deseja formar em nós. O
Evangelho de Mateus identifica José como um homem “justo” ou “íntegro”. O Papa
Bento XVI destacou que o público judeu de Mateus compreenderia o significado de
“homem justo” à luz do Salmo 1: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo
o conselho dos ímpios… cujo prazer está na lei do Senhor, e que medita na sua
lei dia e noite”.
Podemos
ver aí uma descrição de São José: homem forte, silencioso e firme, que não
diminuiu Maria e Jesus, mas os complementou, “como árvore plantada junto a
ribeiros de águas, que dá fruto no tempo certo”.
A
carta do Papa Francisco sobre São José celebra todos aqueles que, como ele, são
“pessoas comuns, muitas vezes esquecidas; pessoas que não aparecem nas
manchetes dos jornais e revistas, nem nos programas de televisão, mas que,
nestes mesmos dias, certamente estão moldando os acontecimentos decisivos da
nossa história”.
A
Quaresma é o tempo de moldarmos nossos corações segundo as virtudes de José,
formando o futuro no silêncio, para Cristo.
Padre Wagner Augusto Portugal
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