“A mim,
ó Deus, fazei justiça, defendei a minha causa contra a gente sem piedade; do
homem perverso e traidor, libertai-me, porque sois, ó Deus, o meu socorro” (cf.
Sl. 42,1s).
Meus
queridos Irmãos,
Chegamos ao último domingo da
Quaresma. Depois destes quarenta dias de profundo jejum, continuada penitência
e grande retiro de oração vamos contemplar hoje o tema da Ressurreição e da
Vida. Este quinto domingo da Quaresma, pelos antigos chamado de Domingo da
Paixão, é ressaltado pelo grande episódio da Ressurreição de Lázaro.
Ressurreição de Lázaro que causou ódio das autoridades civis daquele tempo
contra Jesus, dando um sinal de como deveria ser a própria ressurreição do
Senhor. O episódio de hoje conduz à Páscoa da morte e ressurreição de Nosso
Senhor Jesus Cristo.
A primeira leitura (cf. Ez 37,12-14)
fala do tema da ressurreição, com a visão dos ossos revivificados pelo Espírito
de Deus (cf. Ez 37). Observamos, na leitura atenta desta perícope, que os ossos
revivificados pelo sopro de Deus, explica uma visão precedente: a revivificação
dos ossos (cf Ez 37,1-10). A morte serve aqui como figura de Israel, vivendo no
Exílio, mais morto do que vivo. A revivificação é o gesto de Deus para
reconduzi-lo a sua terra. Em tempos mais recentes, esta visão foi interpretada
como a ressurreição dos mortos propriamente, e com razão, porque mais ainda que
a volta do exílio, a ressurreição é obra do espírito vivificador de Deus e
volta à plena comunhão com o Pai.
Ezequiel é chamado “o profeta da esperança”. Desterrado na
Babilônia desde 597 a.C. (no reinado de Joaquim, quando Nabucodonosor
conquista, pela primeira vez, Jerusalém e deporta para a Babilônia um primeiro
grupo de jerusalimitanos), Ezequiel exerce aí a sua missão profética entre os
exilados judeus. A perícope da primeira leitura faz parte da famosa “visão dos
ossos calcinados” (cf. Ez 37). Ezequiel descreve a visão de uma planície cheia
de ossos calcinados e sem vida; mas, na visão do profeta, o Espírito do Senhor
sopra sobre os ossos calcinados e eles são revestidos de pele, de músculos e
ganham vida. Nesta parábola, os ossos calcinados representam o Povo de Deus,
que jaz abandonado, sem esperança e sem futuro, no meio da planície
mesopotâmica. A situação de desespero em que estão os exilados é uma situação
de morte. Eles sentem-se próximos da ruína e do aniquilamento e não veem no
horizonte quaisquer perspectivas de futuro. O texto define esta situação de
ausência total de esperança como “estar no túmulo”. No entanto, é aqui que Deus
entra. Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança, a
escravidão em libertação. O que é que Deus vai fazer, nesse sentido? Em termos
concretos, Deus promete ao Povo o regresso à sua terra, restaurando a esperança
dos exilados num futuro de felicidade e de paz. Mas Deus vai fazer ainda mais:
vai derramar o seu Espírito (o “ruah”) sobre o Povo condenado à morte. Esta
referência à ação do Espírito de Deus na revivificação do homem coloca-nos no
mesmo contexto de Gn 2,7: no homem que criou do barro, Deus infundiu o seu
“hálito de vida” (“neshamá”) para o tornar um ser vivente; aqui, sobre o Povo
que jaz no túmulo, Deus “infunde o seu Espírito” (“ruah” – Ez 37,14). Trata-se,
portanto, de uma nova criação. No entanto, o “ruah”, que aqui é transmitido ao
Povo que jaz no túmulo, é mais do que a simples “força vital”, que dá vida
física ao homem: é a vida divina que transforma completamente os homens,
fazendo com que os corações de pedra – duros, insensíveis, autossuficientes –
se transformem em corações de carne, sensíveis e bons, capazes de amar Deus e
os irmãos (cf. Ez 36,26-27). Esta nova criação vai, portanto, muito mais longe
do que a antiga criação. Então, com um coração de carne capaz de compreender o
amor, o Povo reconhecerá a bondade de Deus, a sua fidelidade à Aliança e às
promessas que fez ao seu Povo. A questão mais significativa é que, apesar das
aparências, Deus não abandona o seu Povo à morte. Mesmo quando tudo parece
perdido e sem saída, Deus lá está, transformando o desespero em esperança, a
morte em vida. Deus é o Deus da vida, que encontra sempre formas de transmitir
vida ao seu Povo. Em cada instante da história Ele está presente, recriando o
seu Povo, transformando-o, renovando-o, encaminhando-o para a vida plena.
Na nossa existência pessoal passamos, muitas vezes, por
situações de desespero, em que tudo parece perder o sentido. A morte de alguém
querido, o desmoronar dos laços familiares, a traição de um amigo ou de alguém
a quem amamos, a perda do emprego, a solidão, a falta de objetivos nos lançam
muitas vezes num vazio do qual não conseguimos facilmente sair. A Palavra de
Deus garante-nos: não estamos perdidos e abandonados à nossa miséria e
finitude. Deus caminha ao nosso lado; em cada instante Ele lá está, tirando
vida da morte, “escrevendo direito por linhas tortas”, dando-nos a coragem de
“sair do sepulcro” e avançar mais um passo ao encontro da vida plena.
Deus recria-nos, cada dia, oferecendo-nos o Espírito
transformador e renovador, que elimina dos nossos corações o orgulho e o
egoísmo (afinal, os grandes responsáveis pelo sofrimento, pela injustiça, pela
violência) e transformando-nos em pessoas novas, com um coração sensível ao
amor e às necessidades dos outros. É sempre Deus – e só Deus – que oferece aos
homens a vida e a esperança. No entanto, Deus age no mundo através de homens –
como Ezequiel – que distribuem a vida nova de Deus, com palavras e com gestos.
Caros irmãos,
Por seu turno, a segunda leitura (cf. Rm 8,8-11), fala do
espírito que vivifica, mesmo se o corpo estiver morto; o espírito daquele que
ressuscitou Jesus dos mortos fará viver até os nossos corpos mortais. Assim, a
missa de hoje, abre uma doce perspectiva que sustenta nossa conversão pascal, a
partir da ressurreição do Cristo. A esperança no Senhor Ressuscitado que nos
chama para a vida plena, para a ressurreição, a vida que não se acaba. O
Espírito de Cristo nos faz viver pela justiça e sempre dá a vida aos corpos
mortais. Em Romanos 6 – que é a oitava leitura da vigília pascal – São Paulo
falou da integração do Cristo no Mistério da morte e ressurreição de Cristo.
Quando o homem só vive de seu próprio “Eu”, ele é “carne”, existência humana
precária e limitada. Não pode agradar a Deus. Mas com a integração em Cristo,
pelo batismo, receber o “Espírito”, que ressuscitou Cristo dos mortos. Contudo,
experimentamos em nós mesmo, que esta transformação ainda não tomou
completamente conta de nós. Por isso, nossa fé é também esperança: o Espírito
de Deus nos transformará sempre mais, se lhe dermos suficiente espaço.
O Espírito é, verdadeiramente, a personagem central do
capítulo 8 da Carta aos Romanos (o termo “pneuma” – “espírito” – aparece trinta
e quatro vezes na Carta aos Romanos; e, dessas trinta e quatro, vinte e uma são
neste capítulo). De acordo com a perspectiva teológica de São Paulo, o Espírito
é o responsável pelo fato de a vida nova que Deus oferece ao homem crescer e se
desenvolver. Neste capítulo, Paulo desenvolve uma das suas mais famosas
antíteses: “carne”/”Espírito”. “Viver segundo a carne” significa, em Paulo, uma
vida conduzida à margem de Deus: o “homem da carne” é o homem do egoísmo e da autossuficiência,
cujos valores são o ciúme, o ódio, a ambição, a inveja, a libertinagem (cf. Gal
5,19-21); “viver segundo o Espírito” significa, em Paulo, uma vida vivida na
órbita de Deus, pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da
fidelidade e da temperança (cf. Gl 5,22-23).
Na segunda leitura de hoje São Paulo recorda aos batizados
que o cristão, no dia do seu batismo, optou pela vida do Espírito. A partir
daí, vive sob o domínio do Espírito – isto é, vive aberto a Deus, recebe vida
de Deus, torna-se “filho de Deus”. Identifica-se, portanto, com Cristo; e assim
como Cristo – depois de uma vida vivida “no Espírito” (isto é, depois de uma
vida de renúncia ao egoísmo e ao pecado e de opção por Deus e pelas suas
propostas) – ressuscitou e foi elevado definitivamente à glória do Pai, assim o
cristão está destinado à vida nova, à vida plena, à vida eterna. É, pois, o
Espírito – presente naqueles que renunciaram à vida da “carne” e aderiram a
Jesus – que liberta os crentes do pecado e da morte, que os transforma em
homens novos e que os leva em direção à vida plena, à vida definitiva.
Estimados
amigos,
Jesus hoje está a caminho de
Jerusalém (cf. Jo 11,1-45 ou 11,3-7.17.20-27.33b-45). É a sua última viagem. Em
Betânia, que fica distante apenas 3 km de Jerusalém, faz o grande milagre da
ressurreição de Lázaro, a doação da plenitude da vida. O próprio Cristo nos
anuncia: “Eu sou a Ressurreição e a Vida” (cf. Jo 11, 25), ligando com a
liturgia do domingo precedente: “Eu sou a Luz do Mundo, quem me segue não
andarás nas trevas, mas terá a Luz da Vida”.
No terceiro domingo da Quaresma, no
episódio da Samaritana se falou em água viva, em água que jorra para a vida
eterna, e o Senhor se apresente como quem é capaz de dar de beber esta água
salvadora. No quarto domingo da Quaresma, Jesus se apresentou como a Luz do
Mundo. A água e a luz fazem crescer, vivificar os seres vivos. Sem água e sem
luz, temos a morte. Por isso, a partir da água e da luz, Jesus reafirma a sua
divindade e o seu poder de dar a vida, e a vida plena, que não se acaba.
Exatamente, isso, com caridade extrema, foi à atitude de Jesus a ressuscitar
Lázaro.
Da morte de Cristo irrompe e nasce a
vida plena. Os mortos ouvirão a voz do Cristo e brotarão ressuscitados, porque
todo o homem que crer no Senhor não ficará morto para sempre.
Amigos
e amigas,
Betânia era parada obrigatória para
os peregrinos que iam a Jerusalém. Ali eles tomavam banho, se preparavam para
entrar em Jerusalém. E não podia ser diferente com Jesus e com os apóstolos. E
a parada de Jesus era a carta de Maria, de Marta e de Lázaro, seus amigos
íntimos.
Mas, qual seria a grande lição do
Evangelho deste domingo: as palavras de
Jesus: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”.
A mesma pergunta de Jesus a Marta é
a pergunta que devemos nos fazer hoje: “Crês isto?”.
E, também, a resposta de Marta é a
mesma resposta que Cristo espera de cada um de nós: “Creio que tu és o Cristo, o
Filho de Deus!”.
Diante de um túmulo fechado, com
choros e lamentações dos irmãos e dos conhecidos de Lázaro, estava a humanidade
perdida e sem esperança. O homem é inerte perante a morte se não a contemplar
com os olhos da doce alegria cristã, a esperança na vida eterna. Jesus chega
diante do túmulo. Jesus, o homem-Deus, dá uma ordem e Lázaro revive. A morte
não é obstáculo para Jesus, porque Ele a venceu, vence e sempre a vencerá,
porque Ele é a vida sem fim. Neste gesto cândido e santo, de dar a vida a um
mortal fiel, Jesus nos anuncia o nosso destino, se cremos Nele, vivermos Para
Ele e Seguirmos os Seus Mandamentos, a sua Palavra de Salvação.
Meus
caros Irmãos,
Ressurreição e Luz são dois temas
intimamente ligados, porque são sinônimos da salvação: “Se alguém caminha de dia, não
tropeça; mas tropeçará, se andar de noite” (cf. Jo 11,10).
O tema central do Evangelho de hoje
é a vida. Vida que foi restituída a Lázaro e que está ligada à amizade, ao amor
fraterno, a compaixão, atitudes cristãs que estão presentes na glorificação de
Deus, que é o destino dos homens e mulheres que crêem verdadeiramente. A vida
verdadeira, que o Cristo trouxe, tem face humana e face divina, que se
misturam.
A ressurreição de Lázaro é um dos
maiores sinais de Jesus. Jesus, assim, vai manifestando a sua filiação divina,
seu poder messiânico, sua missão salvadora, e provoca, cada vez mais, a
admiração, a fé, o testemunho daqueles que são beneficiados pela sua ação
evangelizadora. O próprio Evangelista João anuncia que Jesus fez muitos outros
sinais, e que Estes sinais foram escritos para que creiais que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e para que, em crendo, tenhais a vida” (cf. Jo
20,30-31).
Assim, poderíamos afirmar que a vida
do homem é a razão de ser da encarnação de Jesus. Os milagres e sinais de Jesus
foram efetuados para destacar a VIDA PLENA, a VIDA QUE SÓ ELE PODE NOS DAR.
Caros
Irmãos,
Na sua mensagem para a Quaresma de
2011, com sabedoria e santidade, nos preleciona o Santo Padre Bento
XVI(http://www.cnbb.org.br/site/imprensa/internacional/5884-papa-bento-xvi-divulgamensagem-para-a-quaresma-2011):
“Quando, no quinto domingo, nos é proclamada a ressurreição de Lázaro, somos
postos diante do último mistério da nossa existência: “Eu sou a ressurreição e
a vida... Crês tu isto?” (Jo 11, 25-26). Para a comunidade cristã é o momento
de depor com sinceridade, juntamente com Marta, toda a esperança em Jesus de
Nazaré: “Sim, Senhor, creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de
vir ao mundo» (v. 27). A comunhão com Cristo nesta vida prepara-nos para
superar o limite da morte, para viver sem fim n’Ele. A fé na ressurreição dos
mortos a esperança da vida eterna abrem o nosso olhar para o sentido derradeiro
da nossa existência: Deus criou o homem para a ressurreição e para a vida, e
esta verdade doa a dimensão autêntica e definitiva à história dos homens, à sua
existência pessoal e ao seu viver social, à cultura, à política, à economia.
Privado da luz da fé todo o universo acaba por se fechar num sepulcro sem
futuro, sem esperança. O percurso quaresmal encontra o seu cumprimento no
Tríduo Pascal, particularmente na Grande Vigília na Noite Santa: renovando as
promessas batismais, reafirmamos que Cristo é o Senhor da nossa vida, daquela
vida que Deus nos comunicou quando renascemos “da água e do Espírito Santo”, e
reconfirmamos o nosso firme compromisso em corresponder à ação da Graça para sermos
seus discípulos”.
Caros
irmãos,
A centro do Evangelho deste domingo é a afirmação de que
não há morte para os “amigos” de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua
proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos
irmãos. Os “amigos” de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é
destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo
que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontraram a vida
plena, junto de Deus. A história de Lázaro pretende representar essa realidade.
No dia do nosso Batismo, escolhemos essa vida plena e
definitiva que Jesus oferece aos seus e que lhes garante a eternidade. Ao longo
da nossa existência nesta terra, convivemos com situações em que somos tocados
pela morte física daqueles a quem amamos. É natural que fiquemos tristes pela
sua partida e por eles deixarem de estar fisicamente presentes a nosso lado. A
nossa fé nos convida, no entanto, a ter a certeza de que os “amigos” não são
aniquilados: apenas encontraram essa vida definitiva, longe da debilidade e da
finitude humanas.
Caros
irmãos,
O Espírito de Deus move a história. Como foi revelado ao
profeta Ezequiel, não há situação que não interesse a Deus. Ele intervém na
história humana para transformá-la em história da salvação. Concede seu
Espírito para libertar o ser humano de toda espécie de escravidão e conduzi-lo
à liberdade. O Espírito de Deus nos faz sair dos “túmulos” da desesperança, do
medo, da acomodação… Deus não se conforma com o abandono e a morte de ninguém.
Ele é o Deus da vida em plenitude. As crises e dificuldades de nosso tempo são
desafios que podem ser enfrentados como fez o povo exilado na Babilônia: na
confiança em Deus e na esperança ativa.
Jesus é a fonte da verdadeira vida. Como “Bom Pastor”,
ele se interessa pelas necessidades de todos nós. Oferece sua amizade e sua
companhia permanente. Conta conosco para continuar sua obra. Os sinais que
realizou são indicativos para a missão das comunidades cristãs. A ressurreição
de Lázaro aponta para o novo modo de ser Igreja, organizada de forma
participativa e corresponsável. Uma Igreja composta de pessoas redimidas pela
graça, ressuscitadas em Cristo. Cada um de nós é chamado a declarar sua fé de
modo prático, na certeza de que o bem pode vencer o mal e de que a morte não
tem a última palavra. Nesse sentido, é importante que prestemos atenção nos
apelos da Campanha da Fraternidade deste ano.
O Espírito de Cristo mora em nós. Cabe a cada pessoa
viver de tal modo, que esteja permanentemente na comunhão com Jesus Cristo. Se
nos deixamos conduzir pelo Espírito de Jesus que habita em nós, realizamos as
obras que agradam a Deus. Morremos para o egoísmo e ressuscitamos no amor.
Nosso corpo mortal recebe a graça da imortalidade. Se, porventura, quebramos
essa unidade, Deus nos concede a graça da reconciliação. Eis a Quaresma, tempo
de conversão, tempo de salvação.
Caros
irmãos,
O Coração de Cristo é divino-humano:
nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão.
Ele é a imagem, aliás, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura
paterna e materna do Deus que é Vida. Por isso, declarou solenemente a Marta: “Eu
sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim, mesmo que tenha morrido, viverá.
E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre”. Depois,
acrescentou: “Crês nisto?” (cf. Jo 11, 25-26). É uma pergunta que Jesus
dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa
a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele se
confiou ao Pai. A resposta de Marta é exemplar: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu
és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (cf. Jo 11, 27).
Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as
nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna;
desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida
para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz.
Confiemos esta oração a Maria Santíssima. Possa a sua
intercessão revigorar a nossa fé e a nossa esperança em Jesus, especialmente
nos momentos de maior provação e dificuldade.
Prezados
irmãos,
Enxertados em Cristo pelo batismo,
vencemos nossa morte na sua morte; co-ressuscitados no Cristo ressuscitado. É a
vitória de cada homem batizado sobre a morte. É a vitória de toda a história
sobre a morte, história que, na perspectiva cristã, não caminha para o caos
final, mas para a ressurreição final. É a vitória da criatura sobre a morte;
ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e da nova terra. Essa
perspectiva dá à vida tranqüilidade, serenidade interior, paz profunda,
confiança e esperança. Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que
seja, que não se destine à ressurreição.
Jesus afirmou: EU SOU A VIDA; EU SOU O PAO DA VIDA, EU SOU
A LUZ DA VIDA. Jesus veio ao mundo para despertar a criatura humana do sono.
E esta vida nova só será possível
àqueles que viverem, com dignidade, a grandeza do seu Batismo. Aderindo a
Cristo o batizado deve viver uma vida realmente nova, animada pelo espírito de
Cristo. Mas sem a fé, traduzida em obras, o batismo ficará morto. A vida da fé
batismal se verifica, se atualiza, por exemplo, quando ela transforma a
sociedade de morte numa comunidade viva de vida, de fraternidade e de comunhão.
Padre
Wagner Augusto Portugal.
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