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Quarta-feira de Cinzas: Jejum


               Como você viverá o jejum na Quarta-feira de Cinzas? Você sabe o que a Igreja pede em relação ao jejum na Quarta-feira de Cinzas? Hoje explicarei como cumprir o preceito deste dia.

Dentro do calendário litúrgico da Igreja, encontramos períodos especialmente propícios para aprofundar nosso processo de conversão, e a Quaresma destaca-se entre eles. Este é um momento valioso no qual podemos nos preparar de maneira mais significativa para as celebrações que se aproximam. Na Quarta-feira de Cinzas, marcamos o início de uma fase intensa de preparação para viver plenamente o mistério pascal. Nesse dia, observamos tanto o jejum quanto a abstinência, práticas que simbolizam nosso compromisso e nossa disposição para esse período de reflexão.

Confira, neste artigo, o que um católico deve saber sobre a Quarta-feira de Cinzas e, assim, iniciar a Quaresma em comunhão com a Santa Igreja.

O que é a Quarta-feira de Cinzas?

A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, um período de 40 dias de preparação para a Páscoa. Nesse tempo litúrgico, os fiéis são chamados a uma prática mais intensa do jejum, da esmola e da oração, além da necessidade de realizar uma boa confissão. A Quaresma, como todo o ano litúrgico, tem como objetivo promover a conversão dos fiéis, sendo este um momento especialmente propício para isso.

Esse dia ocorre após o Carnaval e é simbolizado pela imposição das cinzas na testa, em forma de cruz, como sinal de humildade e arrependimento. A liturgia da Quarta-feira de Cinzas destaca a efemeridade da vida e a necessidade da penitência na vida cristã. Além disso, marca o início de um tempo favorável à reflexão e à meditação sobre a Paixão de Cristo, por meio da prática da Via-Sacra, por exemplo, pois é na Quarta-feira de Cinzas que iniciamos um período de preparação mais intensa para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, durante a Semana Santa.

O que é a prática do jejum?

De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2043, a prática do jejum não apenas nos prepara para vivenciar plenamente as festas litúrgicas, mas também contribui para alcançar o domínio sobre nossos instintos e adquirir a liberdade do coração. O jejum, portanto, configura-se como uma prática espiritual que implica a privação voluntária de alimentos, com o intuito de cultivar a disciplina interior e buscar uma união mais profunda com Deus.

Além disso, o jejum está presente em várias passagens das Escrituras como um meio de expressar arrependimento e buscar maior conformidade com a vontade divina. No deserto, Jesus jejuou por quarenta dias antes de iniciar o seu ministério público. Ele o fez para nos ensinar a buscar o jejum como um meio de resistir às tentações e de nos fortalecermos espiritualmente. Outro exemplo são os ninivitas, que jejuaram pedindo perdão por seus pecados e, assim, alcançaram a misericórdia de Deus, que não destruiu a cidade como havia anunciado.

Quando realizamos o jejum com coração contrito e espírito de penitência, com verdadeiro desejo de conversão, ele se torna um meio valioso de purificação interior. Dessa forma, abre espaço em nossa vida, tornando-nos mais receptivos à graça divina e mais propensos a ouvir a voz do Senhor, aproximando-nos do coração de Deus.

Qual é a diferença entre jejum e abstinência?

De acordo com o Código de Direito Canônico, no cânon 1251, os fiéis devem guardar “a abstinência e o jejum na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Esses são os dois dias em que nós, como fiéis católicos, estamos obrigados a observar o jejum, o que não impede que o façamos em outros momentos do ano, por amor a Deus, para alcançar o autodomínio, a virtude da temperança ou por outra intenção específica.

Em relação à abstinência, a Igreja prescreve que ela seja observada em todas as sextas-feiras do ano, exceto quando coincidem com alguma solenidade. Nesses dias, os fiéis são chamados a se abster de carne ou de outro alimento, conforme a determinação da Conferência Episcopal de cada país.

Diferentemente do jejum, essa privação voluntária de alimentos que a Igreja exige ao menos naqueles dois dias do ano, a abstinência é uma prática mais ampla, estendendo-se ao longo de todo o ano, tendo em vista a penitência e o autodomínio. Além disso, a Conferência Episcopal pode determinar mais detalhadamente a observância do jejum e da abstinência, bem como substituir, no todo ou em parte, a abstinência ou o jejum por outras formas de penitência, sobretudo obras de caridade e exercícios de piedade (cf. cân. 1253).

Por que devemos fazer jejum na Quarta-feira de Cinzas?

Em primeiro lugar, recordamos que o próprio Deus, ao encarnar-se, praticou o jejum. Muitas figuras bíblicas e diversos santos, ao longo da história da Igreja, também adotaram essa prática, colhendo grandes frutos de santidade. Além disso, a Igreja, que é Mãe e Mestra, orienta-nos a seguir o caminho do jejum, reservando tempos litúrgicos propícios para isso, como é o caso da Quaresma.

Essas razões já seriam suficientes para nos convencer da importância do jejum, especialmente nos dois dias prescritos pela Santa Igreja. Contudo, recordamos ainda que a Quarta-feira de Cinzas marca o início de um período de extrema importância para os católicos, culminando no ápice da nossa fé: a Ressurreição do Senhor.

Desse modo, o ato de jejuar na Quarta-feira de Cinzas é uma expressão concreta de humildade, arrependimento e disposição para a conversão. Ao privar-se voluntariamente de alimentos ou ao reduzir a quantidade de refeições, buscamos imitar, de certo modo, a renúncia de Jesus no deserto.

Além disso, o jejum nesse dia serve como um gesto de abertura à graça divina, um meio de desapego das preocupações materiais, direcionando nosso foco para a caminhada espiritual que culminará na celebração da Páscoa. Trata-se de uma prática que convida os fiéis a examinarem suas vidas, a voltarem-se para Deus e a se prepararem para viver de maneira mais profunda os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Quaresma.

O que podemos comer neste dia?

O jejum que a Igreja pede neste dia é o jejum eclesiástico. Conforme a disciplina tradicional da Igreja, ele consiste em realizar uma única refeição completa, sem chegar à saciedade plena. Essa refeição pode ser feita no almoço, no jantar ou no café da manhã; contudo, por conveniência, costuma-se reservá-la para o almoço.

Além disso, a Igreja permite incluir até duas refeições modestas ao longo do dia, uma espécie de “lanche”, apenas para atenuar a fome. Este é o mínimo que a Igreja pede aos fiéis.

Vale lembrar que essas duas pequenas refeições são apenas uma possibilidade. Nada impede que aqueles que gozam de boa saúde, ou que desejem realizar um ato maior de generosidade, abstenham-se de outras comidas e alimentem-se apenas de pão e água nos horários das refeições. O que deve sempre prevalecer é o espírito de penitência, de modo que o jejum esteja ligado à caridade. Por isso, esse dia deve ser dedicado também, de forma mais intensa, à oração e às práticas caritativas, como a esmola.

Quem deve cumprir este preceito?

A Igreja, por meio do Código de Direito Canônico, no cânon 1252, estabelece que à lei do jejum estão sujeitos todos os maiores de idade até o início dos sessenta anos. Isso significa que todos os fiéis a partir dos 18 anos completos até os 59 anos completos estão obrigados a observar o jejum.

Todavia, os pastores de almas e os pais devem procurar formar também aqueles que, por motivo de idade, não estão obrigados à lei da abstinência e do jejum, no verdadeiro sentido da penitência. Assim, embora não estejam obrigados, os mais jovens podem, de alguma forma, participar do espírito penitencial proposto pela Igreja em dias como a Quarta-feira de Cinzas.

Existe alguma exceção à regra do jejum na Quarta-feira de Cinzas?

Em relação à regra do jejum na Quarta-feira de Cinzas, há algumas exceções previstas, como crianças, gestantes, idosos e pessoas com graves problemas de saúde. Esses grupos são dispensados da prática do jejum, uma vez que a Igreja reconhece as necessidades individuais de seus fiéis. Também estão dispensados aqueles que, nesse dia, exercem atividades de trabalho braçal intenso.

Em qualquer caso, porém, é fundamental lembrar-se da importância de preservar, de alguma forma, o caráter penitencial e espiritual desse dia.

Vivamos intensamente o jejum e a abstinência de carne nesta Quarta-feira de Cinzas!

Padre Wagner Augusto Portugal.


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