“Quando meu servo chamar, hei de atendê-lo,
estarei com ele na tribulação. Hei de livrá-lo e glorificá-lo e lhe darei
longos dias”(Cf. Sl 90,15s)
Meus
queridos irmãos,
O tempo especial
da Quaresma é, originariamente, considerado o tempo de preparação para o
sacramento do Batismo, via de regra, administrado aos catecúmenos – adultos –
na noite da Páscoa. Nesta perspectiva situa-se a recordação do pecado nas
origens da humanidade: todos precisam ser salvos em Cristo Jesus – o que é o
efeito do batismo.
A Primeira Leitura deste domingo,
retirada do Livro de Gênesis (cf. Gn 2,7-9;3,17), narra o pecado do ser humano,
representado por Adão e por Eva, nas origens da humanidade. Evoca o contraste
entre o carinho do criador e a leviandade do ser humano, que, tentado pelo
desejo da experiência do bem e do mal, com a ilusão de se tornar igual a Deus,
acaba encontrando-se nu e sem nada.
Na teleologia da primeira leitura notamos que a primeira
parte (cf. Gn 2,7-9) do texto que nos é proposto apresenta-nos dois quadros
significativos. O primeiro quadro (vers. 7) pinta – com cores quentes e
sugestivas – a origem do homem: “o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e
insuflou-lhe nas narinas um sopro de vida”. O verbo utilizado para descrever a
ação de Deus é o verbo “yasar” (“formar”, “modelar”), que é um verbo técnico
ligado ao trabalho do oleiro. Deus aparece, assim, como um oleiro, que modela a
argila. Estamos muito próximos das concepções mesopotâmicas, onde o homem é
criado pelos deuses a partir do barro (o jogo de palavras “’adam” – “homem” – e
“’adamah” – “terra”, sugere que o homem – “’adam” – vem da “terra” – “’adamah”
– e, morrendo, voltará à terra de onde foi tirado). No entanto, o homem formado
da terra não é apenas terra, pois ele recebe também o “sopro” (“neshamá”) de
Deus. A palavra hebraica utilizada significa “sopro”, “hálito”, “respiração”. É
a vida que vem de Deus que torna o homem vivo. O homem tem qualquer coisa de
divino; a vida do homem procede, diretamente, de Deus. É significativa a forma
como o autor sagrado sublinha o cuidado de Deus na criação do homem: Deus é o
oleiro que modela cuidadosa e amorosamente a sua obra; e, ainda mais, transmite
a esse homem formado da terra a sua própria vida divina. O homem aparece,
assim, como o centro do projeto criador de Deus: ele ocupa um lugar especial na
criação e é para ele que tudo vai ser criado.
No segundo quadro (vers. 8-9), o autor sagrado reflete
sobre a situação do homem criado por Deus. Para que é que Deus criou o homem?
Para ser escravo dos deuses e prover ao sustento das divindades, como nos mitos
mesopotâmicos? Não. Na perspectiva do nosso catequista, o homem foi criado para
ser feliz, em comunhão com Deus. Para descrever a situação ideal do homem,
criado para a felicidade e a realização plena, o autor sagrado coloca-o num
“jardim” cheio de árvores de fruta. Para um povo que sentia pesar constantemente
sobre si a ameaça do deserto árido, o ideal de felicidade seria um lugar com
muitas árvores e muita água. Os mitos mesopotâmicos apresentam, aliás, as
mesmas imagens.
No meio dessa vegetação abundante, o autor coloca duas
árvores especiais: a “árvore da vida” e a “árvore do conhecimento do bem e do
mal”. A “árvore da vida” é o símbolo da imortalidade concedida ao homem.
Provavelmente, ao falar da “árvore da vida”, o autor está a pensar na “Lei”:
desde o início, Deus ofereceu ao homem a possibilidade da vida plena e imortal,
que passa por uma vida percorrida no caminho da Lei e dos mandamentos. Ao lado
da “árvore da vida” e em contraposição a ela (pois traz a morte), está a
“árvore do conhecimento do bem e do mal”. Provavelmente, representa o orgulho e
a autossuficiência de quem acha que pode conquistar a sua própria felicidade,
prescindindo de Deus. “Comer da árvore do conhecimento do bem e do mal”
significa fechar-se em si próprio, querer decidir por si só o que é bem e o que
é mal, pôr-se a si próprio em lugar de Deus, reivindicar autonomia total em
relação ao criador. O homem que renuncia à comunhão com Deus está a seguir o
caminho da morte. A ideia do nosso catequista é esta: Deus criou o homem para
ser feliz; deu-lhe a possibilidade de vida imortal; mas o homem pode escolher
prescindir de Deus e percorrer caminhos onde Deus não está.
Na segunda parte do nosso texto (cf. Gn 3,1-7), o autor sagrado
reflete sobre a questão do mal. De onde vem o mal que desfeia o mundo e que
impede o homem de ter vida plena? Esse mal – sugere o nosso teólogo – vem das
opções erradas que, desde o início da história, o homem tem feito. Para dizer
isto, o autor sagrado recorre à imagem da serpente. Entre os povos antigos, a
serpente aparece como um símbolo por excelência da vida e da fecundidade
(provavelmente por causa da sua configuração fálica). Entre os cananeus, estava
também bastante difundido o culto da serpente. Nos santuários cananeus
invocavam-se os deuses da fertilidade (representados muitas vezes pela
serpente) e realizavam-se rituais mágicos destinados a assegurar a fecundidade
dos campos. Ora, os israelitas, instalados na Terra, depressa se deixaram
fascinar por esses cultos e praticavam os rituais dos cananeus destinados a
assegurar a vida e a fecundidade dos campos e dos rebanhos. No entanto, isso
significava prescindir de Deus e abandonar o caminho da Lei e dos mandamentos.
A “serpente” surge aqui, portanto, como símbolo de tudo o que afasta os homens
de Deus e das suas propostas, sugerindo-lhes caminhos de orgulho, de egoísmo e
de autossuficiência.
Em conclusão: Deus criou o homem para ser feliz e
indicou-lhe o caminho da imortalidade e da vida plena; no entanto, o homem
escolhe muitas vezes o caminho do orgulho e da autossuficiência e vive à margem
de Deus e das suas propostas. Na opinião do autor sagrado, é essa a origem do
mal que destrói a harmonia do mundo.
A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde: é Deus
a nossa origem e o nosso destino último. Não somos um minúsculo e
insignificante grão de areia perdido numa galáxia qualquer; mas somos seres que
Deus criou com amor, a quem Ele deu o seu próprio “sopro”, a quem animou com a
sua própria vida. O fim último da nossa existência não é o fracasso, a
dissolução no nada, mas a vida definitiva, a felicidade sem fim, a comunhão
plena com Deus.
Como é que chegamos a essa felicidade que está inscrita no
projeto que Deus tem para os homens e para o mundo? Deus nada impõe e respeita
sempre – de forma absoluta – a nossa liberdade; no entanto, insiste em
mostrar-nos, todos os dias, o caminho para essa plenitude de vida que Ele
sonhou para os homens. Quando aceitamos a nossa condição de criaturas e
reconhecemos em Deus esse Pai que nos dá vida, que nos ama e que nos indica
caminhos de realização e de felicidade, construímos uma existência harmoniosa,
um “paraíso” onde encontramos vida, harmonia, felicidade e realização.
E o mal que vemos,
todos os dias, tornar sombria e deprimente essa “casa” que é o mundo: vem de
Deus ou do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de Deus; o mal
resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso egoísmo e autossuficiência.
Quando o homem escolhe viver orgulhosamente só, ignorando as propostas de Deus
e prescindindo do amor, constrói cidades de egoísmo, de injustiça, de
prepotência, de sofrimento, de pecado.
Meus
caros irmãos,
Por sua vez, a Segunda Leitura, da Carta aos Romanos (Rm
5,12.17-19 – fórmula breve), é o comentário do Apóstolo São Paulo sobre o mesmo
episódio: se, solidários com Adão, todos pecam e morrem, muito mais encontram a
justiça, a amizade com Deus, em Cristo, pelo qual a graça e a vida entram em
nossa existência. A morte física, para Paulo, já não é aquele “castigo de
Adão”, mas a transformação da vida, conforme o ensinamento de 1Cor
15,35-53.
No final da década de 50 (a Carta aos Romanos apareceu por
volta de 57/58), multiplicavam-se as “crises” entre os cristãos oriundos do
mundo judaico e os cristãos oriundos do mundo pagão. Uns e outros tinham
perspectivas diferentes da salvação e da forma de viver o compromisso com Jesus
Cristo e com o seu Evangelho. Os cristãos de origem judaica consideravam que,
além da fé em Jesus Cristo, era necessário cumprir as obras da Lei
(nomeadamente a prática da circuncisão) para ter acesso à salvação; mas os cristãos
de origem pagã recusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das práticas judaicas.
Era uma questão “quente”, que ameaçava a unidade da Igreja. Este problema
também era sentido pela comunidade cristã de Roma.
Neste cenário, São Paulo vai mostrar a todos os fiéis (a
Carta aos Romanos, mais do que uma carta para a comunidade cristã de Roma, é
uma carta para as comunidades cristãs, em geral) a unidade da revelação e da
história da salvação: judeus e não judeus são, de igual forma, chamados por
Deus à salvação; o essencial não é cumprir a Lei de Moisés – que nunca
assegurou a ninguém a salvação; o essencial é acolher a oferta de salvação que
Deus faz a todos, por Jesus Cristo.
O texto que nos é proposto faz parte da primeira parte da
Carta aos Romanos (cf. Rom 11,18-11,36). Depois de demonstrar que todos (judeus
e não judeus) vivem mergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20) e que é a justiça
de Deus que a todos salva, sem distinção (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo ensina que
é através de Jesus Cristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz
oferta de salvação para todos (cf. Rom 5,12-8,39).
Para deixar bem claro que a salvação foi oferecida por Deus
aos homens através de Jesus Cristo, São Paulo recorre aqui a uma figura
literária que aparece, com alguma frequência, nos seus escritos: a antítese. Em
concreto, São Paulo vai expor o seu raciocínio através de um jogo de oposições
entre duas figuras: Adão e Jesus. Adão é a figura de uma humanidade que
prescinde de Deus e das suas propostas e que escolhe caminhos de egoísmo, de
orgulho e de autossuficiência. Ora, essa escolha produz injustiça, alienação,
sofrimento, desarmonia. Porque a humanidade preferiu, tantas vezes, esse
caminho, o mundo entrou numa economia de pecado; e o pecado gera morte. A morte
deve ser entendida, neste contexto, em sentido global – quer dizer, não tanto
como morte físico-biológica, mas sobretudo como morte espiritual e escatológica
que é afastamento temporário ou definitivo de Deus (a fonte da vida autêntica).
Cristo propôs um outro caminho. Ele viveu numa permanente escuta de Deus e das
suas propostas, na obediência total aos projetos do Pai. Esse caminho leva à
superação do egoísmo, do orgulho, da autossuficiência e faz nascer um Homem
Novo, plenamente livre, que vive em comunhão com o Deus que é fonte de vida
autêntica (a vitória de Cristo sobre a morte é a prova provada de que só a
comunhão com Deus produz vida definitiva). Foi essa a grande proposta que
Cristo fez à humanidade. Assim, Cristo libertou os homens da economia de pecado
e introduziu no mundo uma dinâmica nova, uma economia de graça que gera vida
plena (salvação). Não é claro que Paulo se esteja a referir, aqui, àquilo que a
teologia posterior designou como “pecado original” (ou seja, um pecado
histórico cometido pelo primeiro homem, que atinge e marca todos os homens que
nascerem em qualquer tempo e lugar). O que é claro é que, para Paulo, a
intervenção de Cristo na história humana se traduziu num dinamismo de
esperança, de vida nova, de vida autêntica. Cristo veio propor à humanidade um
caminho de comunhão com Deus e de obediência aos seus projetos; é esse caminho
que conduz o homem em direção à vida plena e definitiva, à salvação.
Alguns acontecimentos que marcam a história do nosso tempo
confirmam que uma história construída à margem das propostas de Deus é uma
história marcada pelo egoísmo, pela injustiça, pela prepotência e, portanto, é
uma história de sofrimento e de morte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a
Deus, dá ouvidos ao lucro fácil, destrói a natureza, explora os outros homens,
torna-se injusto e prepotente, sacrifica em proveito próprio a vida dos seus
irmãos.
Estimados
Irmãos,
O tempo da Quaresma é inaugurado com
a recordação das tentações do deserto. Jesus tem que tomar uma decisão: ou os
bens do mundo, ou os bens do Reino. Depois de ser batizado, Jesus, antes de
começar a vida pública, vive no deserto em jejum e em oração durante quarenta
dias. Jesus veio ao mundo para recriá-lo, isto é, para levar as criaturas à sua
origem primitiva com um destino divino e eterno. O cenário de hoje lembra o
tema do paraíso terrestre. Neste paraíso, Adão e Eva começavam a grande missão
de povoar a terra, de criarem uma família de Deus, um povo que fosse a alegria
e o prolongamento da Santíssima Trindade. Lá nossos primeiros pais, tentados
pelo demônio e pelo mal, sucumbiram. Fracassou, aos olhos humanos, o plano
amoroso de Deus. Jesus, agora como Novo Adão (cf. 1 Cor 15,45), ao começar a
nova criação, passa pelas mesmas tentações, vence o demônio e ganha, por assim
dizer, o direito de reabrir as portas do paraíso e construir o Reino dos Céus,
a nova família do Senhor Deus na terra, neste vale de lágrimas.
As mesmas tentações de Adão e de
Jesus são as tentações dos homens e das mulheres de hoje, as nossas tentações.
O Evangelho de hoje narra um episódio de nosso quotidiano. Tentações que advêm
de uma dura opção: ou optamos pelos valores divinos e retornamos ao paraíso,
fazendo o caminho chamado Jesus, ou nos contentaremos com os valores
passageiros e efêmeros deste mundo, curtindo o angustiado desejo de ser deus (cf.
Gn 3,5), em permanente conflito com o Senhor e sem passagem entre terra e céu.
A única ponte possível para a vida eterna é CRISTO. Para fazer
esta ponte Jesus “viveu em tudo a condição humana, exceto o pecado” (cf. Hb
4,15).
Meus
queridos irmãos,
Adão e Eva foram
tentados, no paraíso, pela gula, irmã gêmea da cobiça. Neste domingo (cf. Mt
4,1-11), o demônio relembra, com um pé no paraíso de Adão e com outro na missão
de Jesus, tenta-o transformar pedras em pão. A cobiça é a primeira tentação a
nossa análise. Será menos a tentação de matar a fome e mais a tentação de ter.
Jesus viera transformar os corações de pedra das criaturas humanas em
corações-morada do Espírito Santo. Isso para que o coração humano procurasse as
coisas de Deus, as alegrias eternas, e não as coisas passageiras do mundo
efêmero. O demônio coloca a cobiça, que é a mãe de todos os vícios como meta
para Jesus.
A segunda tentação colocada pelo
demônio é o poder, irmão da soberba e do orgulho. Poder absoluto. Que não deve
contas e obediência a ninguém. Ser Deus. Adão, em frontal desobediência a Deus,
desejou até mesmo o poder sobre a morte. A Jesus é proposto o poder sobre as
leis da natureza, o poder sobre os anjos. O demônio oferece o que os homens
sempre desejaram: ter tudo em suas mãos e nada dividir com ninguém. Quem quer
isso é o homem egoísta e orgulhoso. Isso porque Jesus viera para divinizar o
homem e dar-lhe poderes excepcionais, mas sempre em comunhão com Deus e com o
próximo. O demônio coloca a soberba como a mãe de todas as divisões, inimiga
declarada da fraternidade.
A terceira
tentação colocada pelo demônio é a dominação, a partir do “conhecer o bem
e o mal”. Jesus viera como Senhor do mundo. Todas as criaturas lhe
estavam sujeitadas. Mas viera para servir e não para dominar. Jesus veio para
ser o servo dos servos de todos, e servir com gratuidade. Jesus no Lava-pés
demonstrou qual deve ser a atitude dos cristãos: sempre servir, lavar os pés
dos irmãos, se colocar como aquele que serve, servindo com generosidade e
desprendimento, por amor, por sumo amor!
Caros
irmãos,
A questão essencial que a Palavra de Deus hoje nos propõe
é, portanto, esta: Jesus recusou, de forma absoluta, conduzir a sua vida à
margem de Deus e das suas propostas. Para Ele, só uma coisa é verdadeiramente
decisiva e fundamental: a comunhão com o Pai e o cumprimento obediente do seu
projeto.
Quando o homem
esquece Deus e as suas propostas, e se fecha no egoísmo e na autossuficiência,
facilmente cai na escravidão de outros deuses que, no entanto, estão longe de
assegurar vida plena e felicidade duradoura.
Deixar-se conduzir pela tentação dos bens materiais, do
acumular mais e mais, do subordinar toda a vida à lógica do “ter mais”, é
seguir o caminho de Jesus? Olhar apenas para o seu próprio conforto e
comodidade, fechar-se à partilha e às necessidades dos outros, pagar salários
de miséria e malbaratar fortunas em noitadas de jogo ou em coisas supérfluas… é
seguir o exemplo de Jesus?
Prezados
irmãos,
Deus é criador
e libertador. Em seu desígnio de amor, criou o ser humano em íntima união com a
mãe terra. Em sua providência generosa, garante condições de vida digna a todas
as pessoas. Deu-nos a missão de cuidar de todas as coisas, sem cair na tentação
de “comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal”, isto é, de entrar na
ideologia do poder, que tende a dominar as pessoas e se apossar do que é de
todos. É preciso respeitar e promover o princípio da soberania de Deus sobre
todas as coisas e administrá-las com justiça, evitando toda espécie de
exploração.
Tenhamos
consciência de que devemos ter presente: não cair em tentação. Durante toda a
nossa vida, somos tentados a abdicar do compromisso com o projeto de Deus,
deixando-nos levar por propostas diabólicas. Jesus nos ensinou o caminho de
superação das tentações do poder em sua tríplice dimensão: econômica, política
e religiosa. É claro que a economia, a política e a religião podem ser meios
privilegiados para a construção do Reino de justiça, paz e fraternidade no
mundo, desde que sejam organizadas como serviço dedicado e honesto ao próximo,
principalmente às pessoas mais necessitadas.
Sejamos
portadores da graça divina. Com sua obediência radical à vontade do Pai, Jesus
nos trouxe a graça da libertação de todos os males e a vida em plenitude.
Seguindo seus passos, podemos ser portadores da graça divina, defendendo e
promovendo o direito à vida digna sem exclusão.
Estimados
amigos,
As tentações estão em toda à parte e
estão em confronto permanente com o demônio. Jesus passando pelo deserto,
passando pelas mesmas tentações do povo que saiu do exílio, é duramente
tentado. Assim, nós homens e mulheres, sofremos no dia a dia as mesmas tentações:
na intimidade da casa, a tentação do pão. Na intimidade com Deus, a tentação de
ficar ausente da vida de Deus e a terceira tentação nos trabalhos diários, onde
somos muitas vezes tentados a viver a ausência de Deus e a autossuficiência. No
equilíbrio e desempenho dessas três dimensões está a santidade. Por isso, o
demônio se faz presente como perturbador.
Somos chamados a combater o mal e o
demônio no dia a dia. Somos chamados a caminhar para o deserto, para a busca de
Deus, para o nosso encontro com a Trindade Santíssima. Às tentações do ter, do
poder e do dominar, que estão no sangue da gente desde a desgraça de Adão,
Jesus veio propor o desapego, a fraternidade e o serviço generoso e gratuito.
Hoje, Jesus sai da cruz das
tentações e sobre esta vitória constrói o Reino, a maneira humano-divina de
viver na terra, que Adão não soube fazer. Jesus hoje é vitorioso sem o alarde
do milagre. Na Sexta-Feira Santa Ele não desce da Cruz, porque nela estava a
vitória definitiva do desapego, do serviço, da fraternidade, que geram vida e
paz, graça e amor, verdade e salvação. Façamos de nosso retiro quaresmal, de
penitência e conversão, a busca continua do rosto sereno e radioso de Deus, no
desapego, no amor, no serviço generoso e na caridade que gera fraternura. Assim
Seja!
Padre Wagner Augusto Portugal.

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