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Tempo Comum


    Iniciamos, precisamente nesta segunda-feira da 1ª. Semana do Tempo Comum, o Tempo Comum na vida litúrgica da Igreja. Você sabe como viver esse tempo?

Muitos podem pensar que o Tempo Comum é um tempo ocioso, criado só para preencher espaço. Mas não é bem assim. Confira o artigo para entender a grande graça que é viver este tempo, que de comum, não tem nada.

O tempo comum é parte do calendário litúrgico: Dentro da lógica da liturgia, a Igreja vivencia, em um ano, os diversos mistérios da vida de Cristo e dos Santos no chamado ano litúrgico. Esse ano difere do ano civil, pois no centro da vida da Igreja está o mistério da encarnação, paixão, morte e ressurreição de Cristo. O ano litúrgico é ordenado em períodos, chamados de tempos litúrgicos. Em linhas gerais, desde o início do cristianismo, a Páscoa e o Natal, e seus momentos de preparação, são os eventos que mais destaque recebem, dada a sua relevância dentro do mistério da Igreja. Como sabemos, os tempos de Natal e Páscoa não preenchem toda a nossa vida civil, num ano. Dessa forma, a Igreja nos convida a viver o Tempo Comum entre as grandes festas que celebramos. Tratam-se de, ao todo, de 34 semanas que possuem um profundo significado para a espiritualidade cristã.

Quais são os tempos litúrgicos?

·        Advento: tempo de espera e preparação para a segunda vinda de Cristo na primeira quinzena, e espera e comemoração da primeira vinda de Cristo, na segunda quinzena. Cor litúrgica: roxo.

·        Natal: tempo de viver o mistério da encarnação do Verbo de Deus. Cor litúrgica: branca ou dourada.

·        Quaresma: tempo de preparação, ascese e penitência para bem celebrar a Páscoa do Senhor. Quarenta dias que evocam os quarenta anos no deserto do povo de Israel. Cor litúrgica: roxa.

·        Páscoa: tempo de celebração intensa do mistério central da vida cristã: a ressurreição do Senhor Jesus, bem como surgimento da Igreja. Cor litúrgica: branca ou dourada.

·        Comum: tempo de contemplar, na liturgia, o mistério e os ensinamentos de Jesus em toda sua vida pública. É tempo de esperança e de vivermos o ordinário de cada dia de modo santo. Cor litúrgica: verde.

O que é o Tempo Comum? Em resumo, no Tempo Comum vivenciamos a vida pública de Jesus, seus ensinamentos e pregações, seus milagres e sinais no meio das multidões. É, ainda, o tempo de ver os sinais da Igreja, presentes já nas cartas apostólicas, nos escritos do Antigo Testamento e nos Evangelhos.

Nas 34 semanas do Tempo Comum, a Igreja vive esse período rico e profundo de ensinamentos concretos para uma santidade vivida no cotidiano. Além do mais, é nesse período que temos a oportunidade de viver grande parte das festas e solenidades do nosso ano litúrgico, evidenciando a Igreja gloriosa (Nossa Senhora, santos, mártires e virgens) como meta de nossa peregrinação.

Liturgia da Palavra do período: A Liturgia da Palavra vai nos encaminhar, mais do que nunca, para ouvir, sobretudo, os ensinamentos de Jesus. A cada liturgia, nas parábolas, nas lições e milagres, é o próprio Jesus quem vai nos dar instruções, muito concretas e simples, de como devemos agir nas mais variadas circunstâncias de nossa caminhada terrestre. 

Se no Advento e Natal, pela liturgia da palavra, adentramos no mistério da espera e encarnação do Verbo, e na Quaresma e Páscoa mergulhamos na penitência para viver a Paixão, morte e Ressurreição de Jesus, é no Tempo Comum que ouvimos a profundidade dos 3 anos de vida pública do Senhor.

Quando é o Tempo Comum? O Tempo Comum se inicia logo após o Tempo de Natal, no início do ano civil, após as festas da Epifania do Senhor e Batismo do Senhor, marcando a nossa imersão no mistério da vida pública de Jesus. Se estende, então, por 7 semanas.  O período é interrompido pela vivência da Quaresma e da Páscoa, retornando após Pentecostes por mais 24 semanas, até o fim do ano litúrgico, na festa de Cristo Rei, imediatamente antes do início de um novo ano litúrgico.

Como viver bem o Tempo Comum? O Tempo Comum possui uma graça muito especial: ensinar-nos a viver nosso ordinário de maneira extraordinária. E essa é uma tarefa que vai definir e moldar nossa capacidade de nos encontrarmos com Deus nos momentos mais variados da vida, e de, inclusive, saber saborear a presença de Deus nos momentos fortes da Igreja. No Tempo Comum, “as realidades nobres da tarefa familiar, profissional e social transformam-se em meio para nos aproximarmos de Deus. Um meio necessário, porque ou sabemos encontrar o Senhor na nossa vida de todos os dias, ou não o encontraremos nunca.”

            Vivamos, intensamente, o ordinário da nossa fé! N’Ele encontraremos o Ressuscitado!

Padre Wagner Augusto Portugal.

 

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