“Salvai-nos,
Senhor nosso Deus, reuni vossos filhos dispersos pelo mundo, para que
celebremos o vosso santo nome e nos gloriemos em vosso louvor” (Cf. Sol. 105,
47).
Meus queridos Irmãos,
Vivemos
neste domingo o encantamento da liturgia das Bem-Aventuranças. Os caminhos de
Deus são completamente diferentes dos nossos. Os homens e mulheres sempre acham
que o grande e o forte hão de vencer. Deus, na contramão dos homens, acha que
não. Deus prefere trabalhar com um povo pequeno e humilhado, com aqueles que
sempre estão fora do sistema dominante. Isto porque os poderosos são autossuficientes
e não querem entender o que Deus deseja. Deus atrapalha aos interesses dos
poderosos. Com o pobre resto de Israel, depois das deportações, exílios e
perseguições, Deus consegue mais do que com o povo próspero e rico que pactuava
com os egípcios e os assírios, até eles os engolirem. Pois a situação de Deus
situa-se num outro nível: concerne à retidão do coração, e, aí, o poder não tem
força nem pode oprimir. Por isso, os pobres de Deus são felizes. Essa é a
mensagem da Primeira Leitura de hoje do Livro de Sofonias. Deus não se deixa
pressionar pelo poder do mais forte. Se os outros não o fazem, ele cuida dos
pobres, dos humildes e dos fracos e lhes faz justiça, conforme canta o Salmo
Responsorial.
O profeta Sofonias pregou em Jerusalém na época do rei Josias
(Josias reinou entre 639 e 609 a.C.). Os comentadores costumam situar a
profecia de Sofonias durante o tempo de menoridade de Josias (que subiu ao
trono aos oito anos); durante esse tempo, foi um Conselho real que presidiu aos
destinos de Judá. Trata-se de uma época difícil para o Povo de Deus. Judá está – há cerca
de um século – submetida aos assírios (desde que Acaz pediu ajuda a
Tiglat-Pileser III contra Damasco e a Samaria, no ano 734 a.C.); a influência
estrangeira sente-se em todos os degraus da vida nacional e a nação sofre as
consequências da invasão de costumes estranhos e de práticas pagãs. Por outro
lado, o país acaba de sair do reinado do ímpio Manassés (698-643 a.C.), que
reconstruiu os lugares de culto aos deuses estrangeiros, levantou altares a
Baal, ofereceu o próprio filho em holocausto, dedicou-se à adivinhação e à
magia, colocou no Templo de Jerusalém a imagem de Astarte (cf. 2 Re 21,3-9).
Aos pecados contra Deus e contra a aliança,
somam-se as injustiças que, todos os dias, atingem os mais pobres e
desprotegidos. Os príncipes e ministros abusam da sua autoridade e cometem
arbitrariedades, os juízes são corruptos e os comerciantes especulam com a
miséria. Sofonias está consciente de que Deus não pode continuar a pactuar com
o pecado do seu Povo; vai chegar o dia do Senhor, isto é, o dia da intervenção
de Deus em que os maus serão castigados e a injustiça será banida da terra. Da
ira do Senhor escaparão, contudo, os humildes e os pobres, os que se mantiveram
fiéis à aliança. O fim da pregação de Sofonias não é, contudo, anunciar o
castigo; mas é provocar a conversão, passo fundamental para chegar à salvação.
A primeira leitura é um forte apelo à conversão (cf. Sf 2,3).
Para Sofonias, “conversão” significa, objetivamente, justiça e humildade. Os
“humildes”, no contexto de Sofonias, são aqueles se entregam confiadamente nas
mãos de Deus, que seguem os caminhos de Deus, que aceitam as propostas de Deus
e que não se colocam contra Ele; são, também, aqueles que praticam a justiça
para com os irmãos, que respeitam os direitos dos mais débeis, que não cometem
arbitrariedades. Equivalem aos “pobres” das bem-aventuranças: não são uma
categoria sociológica, mas aqueles que estão numa certa atitude espiritual de
abertura a Deus e aos irmãos. No lado oposto estão os orgulhosos e autossuficientes,
que ignoram as propostas de Deus, exploram, são injustos, corruptos e
arbitrários. Só uma verdadeira conversão à humildade permitirá encontrar proteção
no “dia da ira do Senhor” que se aproxima e que vai atingir os orgulhosos, os
prepotentes e os injustos. Em seguida, Sofonias apresenta o resultado do “dia da
ira do Senhor”: o surgimento do “resto de Israel” (cf. Sf 3,12-13). Os
orgulhosos, arrogantes e prepotentes serão banidos do meio do Povo de Deus (cf.
Sf 3,11); ficará um “resto” humilde e pobre”, que se entregará nas mãos do
Senhor, não cometerá iniquidades nem dirá mentiras e será uma espécie de
viveiro de reflorescimento da nação. A
partir daqui ser “pobre” não é uma categoria sociológica, mas uma atitude
espiritual de quem tem o coração aberto às propostas de Deus e é justo na
relação com os outros. Na boa tradição bíblica (que está presente neste texto),
os pobres são, portanto, pessoas pacíficas, humildes, piedosas, simples, que
confiam em Deus, que obedecem às suas propostas e que são justos e solidários
com os irmãos.
O Deus que Se revela na palavra e na interpelação de Sofonias
é o Deus que não pactua com os orgulhosos e prepotentes que dominam o mundo e
que pretendem moldar a história com a sua lógica. A primeira indicação que a
Palavra de Deus hoje nos fornece é esta: o nosso Deus não está onde se cultiva
a violência e a lei da força, nem apoia a política dos dominadores do mundo –
mesmo que eles pretendam defender os valores de Deus e da civilização cristã.
Os valores de Deus não se defendem com uma lógica de imposição, de violência,
de apelo à força. Atenção à história e aos acontecimentos: sempre que alguém se
apresenta em nome de Deus a impor ao mundo uma determinada lógica, temos de
desconfiar; Deus nunca esteve desse lado e esses nunca foram os métodos de
Deus. Sofonias garante: para os prepotentes e orgulhosos, chegará o dia da ira
de Deus; e, nesse dia, serão os humildes e os pobres que se sentarão à mesa com
Deus.
O apelo à conversão significa objetivamente, na perspectiva de Sofonias, a renúncia ao orgulho, à prepotência, ao egoísmo e um regresso à comunhão com Deus e com os irmãos.
Estimados Irmãos,
O Evangelho de hoje nos aponta como
ideal de santidade a ser vivida por todos e por cada um. Um ideal que Jesus
viveu e quer que as criaturas humanas alcancem e vivam. As bem-aventuranças são
a porta estreita (cf. Mt 7,13-14) por onde só passa o “pequeno rebanho” (cf. Lc 12,32 e 13,24).
As bem-aventuranças traçam um
caminho na contramão do que estamos acostumados a viver – o ter, o poder e o
fazer. As bem-aventuranças não corrigem desvios; corrigem o rumo inteiro. As
bem-aventuranças não pregam uma terapia imediata, mas parâmetros eternos. As
bem-aventuranças não ensinam um bem-estar individual, mas a nossa felicidade
como um todo inserido na convivência de todas as coisas criadas e na comunhão
com o próprio Deus, origem e destino de tudo.
Assim é necessário, ao ler o Sermão
da Montanha, contemplar o resumo dos ensinamentos de Jesus. Como está nosso
relacionamento com Jesus diante destes ensinamentos e metas de vida? Quem vive
as bem-aventuranças compreendeu e compreende a missão de Jesus no mundo e o que
Ele quer de cada um de nós. As bem-aventuranças contém a doutrina do Reino, as
qualidades de quem deixou de ser o homem carnal, o “homem velho”, e passou a ser o homem espiritual, renascido pelo
Espírito Santo.
O fato de nosso Evangelista colocar
o anúncio das Bem-Aventuranças do alto da montanha quer demonstrar que elas têm
o caráter de autoridade para a vida do povo fiel. A montanha significa a
estabilidade e a eternidade, o que significa que estes ensinamentos são eternos
e estáveis para a vivência do povo de Deus.
No desapego de tudo, a certeza dos
bens que não passam: os bens eternos! Bem-aventurança que quer significar
felicidade, bênção e paz. Bem-aventuranças que significa o realizado. Uma
pessoa se sente realizada quando alcançou tudo o que queria. E é exatamente
isto que expressam as bem-aventuranças. Na nova família de Deus, é realizado
quem é pobre de espírito, humilde, manso, misericordioso, pacífico e
pacificador, puro de coração e de intenções, e sabe suportar as contrariedades.
Evidentemente, estamos numa outra escala de valores, que difere profundamente
das escalas de valores humanos, que é centrada na felicidade efêmera, barata e
passageira, de certa forma, egocêntrica, que procura a paz à custa dos outros e
confunde bênção com ganho.
O novo povo de Deus é chamado a
viver a novidade do anúncio do Reino: fazer-se pobre com Cristo para viver a
felicidade eterna na vida em Deus. Felicidade que é desapego, confiança
inabalável na vontade do Pai.
O Evangelho falará sempre no
desapego dos bens materiais, ou seja, a pobreza em espírito, é uma das
condições fundamentais para se entrar no Reino de Deus, isto é, na nova família
de Deus. Daí a primeira bem-aventurança se referir à pobreza. Não à pobreza
como falta ou miséria. Mas, a pobreza como desapego de coração.
A piedade e a fidelidade são bem-aventuranças especiais. Mas elas só poderão ser vividas se o homem tiver um coração desapegado, de pobre e humilde. Acentuando os contrários, Jesus ensina que o desapego absoluto é o ideal a ser alcançado. Ele mesmo é o modelo perfeito e acabo de desapego. Entre os que conseguiram compreender o significado da pobreza e a escolheram como estrada para penetrar no Reino de Deus, estão os irmãos que nos precederam fazendo do itinerário espiritual a pobreza como irmã e companheira.
Caros
irmãos,
Jesus proclama: “felizes os
pobres em espírito”; o mundo diz: “felizes vós os que tendes dinheiro – muito
dinheiro – e sabeis usá-lo para comprar influências, comodidade, poder,
segurança, bem-estar, pois é o dinheiro que faz andar o mundo e nos torna mais
poderosos, mais livres e mais felizes”. Quem é, realmente, feliz?
Jesus anuncia: “felizes os
mansos”; o mundo diz: “felizes vós os que respondeis na mesma moeda quando vos
provocam, que respondeis à violência com uma violência ainda maior, pois só a
linguagem da força é eficaz para lidar com a violência e a injustiça”. Quem tem
razão?
Jesus relembra: “felizes os
que choram”; o mundo diz: “felizes vós os que não tendes motivos para chorar,
porque a vossa vida é sempre uma festa, porque vos moveis nas altas esferas da
sociedade e tendes tudo para serdes felizes: casa com piscina, carro com
telefone e ar-condicionado, amigos poderosos, uma conta bancária interessante e
um bom emprego arranjado pelo vosso amigo ministro”. Onde está a verdadeira
felicidade?
Jesus é enfático ao falar:
“felizes os que têm ânsia de cumprir a vontade de Deus”; o mundo diz: “felizes
vós os que não dependeis de preconceitos ultrapassados e não acreditais num
deus que vos diz o que deveis e não deveis fazer, porque assim sois mais
livres”. Onde está a verdadeira liberdade, que enche de felicidade o coração?
Jesus não se cansa de
relembrar: “felizes os que tratam os outros com misericórdia”; o mundo diz:
“felizes vós quando desempenhais o vosso papel sem vos deixardes comover pela
miséria e pelo sofrimento dos outros, pois quem se comove e tem misericórdia acabará
por nunca ser eficaz neste mundo tão competitivo”. Qual é o verdadeiro
fundamento de uma sociedade mais justa e mais fraterna?
Jesus nos toca falando:
“felizes os sinceros de coração”; o mundo diz: “felizes vós quando sabeis
mentir e fingir para levar a água ao vosso moinho, pois a verdade e a
sinceridade destroem muitas carreiras e esperanças de sucesso”. Onde está a
verdade?
Jesus dá o exemplo e ensina
que: “felizes os que procuram construir a paz entre os homens”; o mundo diz:
“felizes vós os que não tendes medo da guerra, da competição, que sois duros e
insensíveis, que não tendes medo de lutar contra os outros e sois capazes de os
vencer, pois só assim podereis ser homens e mulheres de sucesso”. O que é que
torna o mundo melhor: a paz ou a guerra?
Jesus nos conforta relembrando que: “felizes os que são perseguidos por cumprirem a vontade de Deus”; o mundo diz: “felizes vós os que já entendestes como é mais seguro e mais fácil fazer o jogo dos poderosos e estar sempre de acordo com eles, pois só assim podeis subir na vida e ter êxito na vossa carreira”. O que é que nos eleva à vida plena?
Estimados amigos,
Sejamos, pois, homens
misericordiosos e construtores da paz, condenando a ganância e do apego
demasiado. O apegado ao poder não reparte com ninguém. Ter misericórdia é ter o
coração aberto aos miseráveis, àqueles que nada podem: é repartir com eles o
que se tem e o que se é. É nessa partilha que está a fidelidade. Como o Cristo
– encarnação da misericórdia – que repartiu conosco tudo, inclusive sua
filiação e sua eternidade.
O homem sempre quis a autossuficiência. Mas este é incapaz de consolar, de fazer justiça e de ser misericordioso. Ao contrário, Jesus quis ser dependente da vontade de Deus e fazer sempre a sua vontade, construindo no nosso meio a sua Justiça, construção da paz duradoura.
Meus amigos,
A Segunda Leitura da primeira carta aos Coríntios confirma o ensinamento da Primeira Leitura e do evangelho, mostrando que Deus não escolhe o que é forte, neste mundo, mas o que é fraco, como, de fato, muitos dos primeiros cristãos eram. Isso porque ninguém deve gloriar-se de Deus; se alguém quiser gloriar-se se torne pequeno, para se gloriar naquilo que Deus realiza, conforme a sua justiça.
Lembramos que vimos, na passada semana, que um dos graves
problemas da comunidade cristã de Corinto era a identificação da experiência
cristã com uma escola de sabedoria: os cristãos de Corinto – na linha do que
acontecia nas várias escolas de filosofia que infestavam a cidade – viam várias
figuras proeminentes do cristianismo primitivo como mestres de uma doutrina e
aderiam a essas figuras, esperando encontrar nelas uma proposta filosófica
credível, que os conduzisse à plenitude da sabedoria e da realização humana. É
de crer que os vários adeptos desses vários mestres se confrontassem na
comunidade, procurando demonstrar a excelência e a superior sabedoria do mestre
escolhido. Ao saber isto, São Paulo ficou muito alarmado: esta perspectiva
punha em causa o essencial da fé. São Paulo vai esforçar-se, então, por
demonstrar aos coríntios que entre os cristãos não há senão um mestre, que é
Jesus Cristo; e a experiência cristã não é a busca de uma filosofia coerente,
brilhante, elegante, que conduza à sabedoria, entendida à maneira dos gregos.
Aliás, Cristo não foi um mestre que se distinguiu pela elegância das suas
palavras, pela sua arte oratória ou pela lógica do seu discurso filosófico. Ele
foi o Deus que, por amor, veio ao encontro dos homens e lhes ofereceu a
salvação, não pela lógica do poder ou pela elegância das palavras, mas através
do dom da vida. O caminho cristão não é uma busca de sabedoria humana, mas uma
adesão a Cristo crucificado – o Cristo do amor e do dom da vida. N’Ele
manifesta-se, de forma humanamente desconcertante, mas plena e definitiva, a
força salvadora de Deus. É aí e em mais nenhum lado que os coríntios devem
procurar a verdadeira sabedoria que conduz à vida eterna.
É verdade, considera São Paulo, que é difícil encontrar –
do ponto de vista do raciocínio humano – num pobre galileu condenado a uma
morte infamante (“escândalo para os judeus e loucura para os gentios” – 1 Cor
1,23) uma proposta credível de salvação. Mas a lógica de Deus não é exatamente
igual à lógica dos homens. “O que é loucura de Deus é mais sábio que os homens;
e o que é fraqueza de Deus é mais forte do que os homens” (1 Cor 1,25). Como
exemplo da lógica de Deus, Paulo apresenta o caso da própria comunidade cristã
de Corinto: entre os coríntios não abundavam os ricos, nem os poderosos, nem os
de boas famílias, nem os intelectuais, nem os aristocratas; ao contrário, a
maioria dos membros da comunidade eram escravos, trabalhadores, gente simples e
pobre. Apesar disso, Deus escolheu-os e chamou-os; e a vida de Deus
manifestou-se nessa comunidade de desclassificados. Para a consecução dos seus
projetos, os homens escolhem normalmente os mais ricos, os mais fortes, os mais
bem preparados intelectualmente, os que provêm de boas famílias, os que
asseguram maiores hipóteses de êxito do ponto de vista humano. Mas Deus escolhe
os pobres, os débeis, aqueles que aos olhos do mundo são ignorados ou
desprezados e, através deles, manifesta o seu poder e intervém no mundo.
Portanto, se esta é a lógica de Deus (como ficou provado pelo exemplo), não
surpreende que o poder salvador de Deus se tenha manifestado na cruz de Cristo.
Os coríntios são convidados a não colocar a sua esperança e a sua segurança em
pessoas (por muito brilhantes e cheias de qualidades humanas que elas sejam) ou
em esquemas humanos de sabedoria (por muito sedutores e fascinantes que eles
possam parecer): a sabedoria humana é incapaz, por si só, de salvar; e, ao
produzir orgulho e autossuficiência, leva o homem a prescindir de Deus e a
resvalar por caminhos que conduzem à morte e à desgraça. Em contrapartida, os
coríntios são convidados a colocar a sua esperança e segurança em Jesus Cristo,
que na cruz deu a vida por amor: é na “loucura da cruz” – isto é, na vida dada
até às últimas consequências, que se manifesta a radicalidade do amor de Deus,
a profundidade do seu desejo de ofertar ao homem a salvação. Para São Paulo, a
cruz manifesta a “sabedoria de Deus”; e é essa sabedoria que deve atrair o
olhar e apaixonar o coração dos coríntios.
A teologia da Segunda Leitura apresentada por São Paulo nos diz que o Deus em quem acreditamos não é o Deus que só escolhe os ricos, os poderosos, os influentes, os nobres, para realizar a sua obra no mundo; mas que o nosso Deus é o Deus que não faz acepção de pessoas e que, quase sempre, se serve da fraqueza, da fragilidade, da finitude para levar avante o seu projeto de salvação e libertação.
Caros irmãos,
O desejo da felicidade caracteriza o ser humano. Assim
como é próprio da razão a busca do conhecimento, é próprio da vontade a busca
da felicidade. Nenhum ser humano pode deixar de buscá-la. A procura por ela é
sempre individual. Somente a mim cabe a tarefa de buscar minha felicidade. Os
caminhos que persigo para buscá-la são meus caminhos. Não obstante, embora a
busca pela felicidade seja sempre individual, jamais posso ser feliz sozinho.
Sou feliz se os outros também o forem.
Somente o bem pode nos fazer felizes. O mal jamais pode
propiciar felicidade. Ora, todas as pessoas, porque buscam ser felizes, buscam
o bem. No fundo, todos buscamos Deus. Somente possuindo o bem soberano (Deus)
seremos felizes. Como possuímos Deus? Na prática do bem (amor). Com efeito, na
realização do bem, sou feliz. A felicidade, portanto, não se apresenta como
algo que atingimos no final da nossa busca. Ela encontra-se na própria busca! O
bem que procuro, encontro-o no bem que realizo!
Nossa vida é uma aventura! O seguimento de Jesus é boa
aventura! Minha vida está sendo uma aventura, contento-me com alguns momentos
de bem-estar, ou ela está sendo boa aventura? Minha felicidade, eu a apoio em
Deus, em mim mesmo ou no consumo?
A vida da Igreja está sendo boa aventura? Está sendo
verdadeiramente “germe do Reino”? De fato, é dela o “Reino de Deus”?
A prática da Igreja arrancará de Jesus o convite: “Vinde,
bendita do meu Pai”? Minha prática cristã me coloca à direita do meu Senhor?
A comunidade eclesial deve perceber a relação entre as
leituras, desde a do profeta Sofonias, que convida à fidelidade a Deus mediante
a abolição da idolatria, o que se traduz em vida plena para os filhos e filhas
de Deus. As pessoas devem perceber, como diz a segunda leitura, a eleição de
Deus, que as convida à santidade, a se gloriarem no Senhor, e não nas próprias
forças ou sabedoria. Na vida comunitária, o que mais importa é servir, mesmo
que não sejamos reconhecidos ou recompensados por isso. Na vida cotidiana
devemos cultivar as bem-aventuranças, na vivência da humildade perante Deus, da
necessária mansidão, da busca pela justiça e misericórdia para a construção da
paz, mesmo que em meio às perseguições, sintomas do processo de aversão à
mensagem de Jesus, por nós proclamada e testemunhada.
Que sejamos todos, neste dia, abertos a pobreza, a
consolação, a mansidão, aos famintos, aos injustiçados, para que a
misericórdia, a pureza, a paz e a justiça reinem neste mundo para vivermos com
Cristo a paz duradoura, amém!
Padre Wagner Augusto Portugal

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