Estamos
vivenciando o Tempo do Advento, que é tempo de espera e de preparação para a
celebração do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nós precisamos recuperar o
centro da celebração litúrgica do nascimento do Salvador da humanidade e do
gênero humano.
Charles
Dickens, um famoso romancista inglês, escreveu certa vez: “Honrarei o Natal em
meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano”. Penso que ele estava
certo, pois o Natal precisa novamente ser honrado com urgência, porque, há
muito tempo, as pessoas têm simplesmente ignorado o real sentido dessa data.
O
saudoso Papa Francisco, em uma de suas homilias sobre o Natal, não hesitou em
afirmar à humanidade seu verdadeiro significado: “O Natal é mais! Nós vamos por
esse caminho para encontrar o Senhor, porque o Natal é um encontro, e nós
caminhamos para encontrá-Lo com o coração, com a vida, encontrá-Lo vivo, como
Ele é, encontrá-Lo com fé”. O Natal é um encontro. Que bela definição o Santo
Padre nos deu! Trata-se, portanto, de um encontro com Jesus, o Menino Deus, que
traz consigo o segredo da verdadeira paz à alma humana ainda tão agitada. Nesse
encontro com Cristo, o Sumo Pontífice nos indica a oração, a caridade e o
louvor como caminhos para uma boa preparação para bem celebrarmos o nascimento
de Jesus.
Orar.
Orar muito. Orar sempre! Rezar, sobretudo neste tempo de Natal! Neste momento,
gostaria de deter-me neste primeiro caminho, que é o da oração, para
vivenciarmos o Natal como aquilo que ele verdadeiramente é.
O
mundo, nesta época, ensina-nos que tudo consiste em caprichar na compra de
presentes, fazer aquela ceia maravilhosa com ricas iguarias, ter o maior número
possível de enfeites natalinos dentro de casa, chamar todos os parentes para
uma confraternização social – mesmo que, durante os outros 364 dias do ano,
vocês nem se falem mais! – e dar, além de tudo isso, generosas contribuições
para as tais “caixinhas de Natal”.
Tudo
na vida tem real significado e valor. O Natal é, sobretudo, o aniversário do
nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Verbo de Deus que se fez carne e
habitou entre nós para nos salvar. Mas grande parte da nossa sociedade, tão
consumista e alienada, simplesmente celebra o aniversário ignorando o
Aniversariante.
Nós,
cristãos, não estamos isentos de tal risco. Podemos cair no mesmo equívoco de
celebrar esta grande festa ignorando o Aniversariante, que é Cristo. Para que
isso não aconteça, segue o conselho constante que a Mãe de Jesus nos dá em
Medjugorje: “Queridos filhos, rezem, rezem e rezem”.
Preparemos
o aniversário de Jesus com as nossas orações. Quando nos decidirmos a viver o
Natal em oração, já estaremos começando a experimentar esse encontro com o
Menino Deus. É por meio da oração, dessa busca de maior intimidade com Deus,
que adentramos o castelo do Rei dos reis e nos livramos daquelas amarras de
ressentimentos e lembranças amargas que nos oprimem e estragam o nosso Natal.
Porém, não se iluda, meu irmão, pois esse “castelo” nos é revelado na pobreza
da gruta de Belém, na qual o Trono de Graça se fez simples manjedoura, e Aquele
que detém todo o poder e autoridade nas mãos manifesta-se na fragilidade de uma
criança nos braços de sua Mãe.
Somente
aquele que reza consegue contemplar esses sinais escondidos, os quais o mundo
ainda não foi capaz de enxergar. Aquele que se decidir a viver o Natal em
oração, com certeza o viverá de maneira mais santa, renovada e feliz, pois o
homem que reza jamais se encontra sozinho. Ele é semelhante àqueles Reis Magos
que caminhavam por terras desconhecidas sob a guia de uma estrela. A luz que
vinha do Alto os direcionava. O mesmo acontece com a alma orante: ela é sempre
conduzida pelo Céu e para o Céu.
Não
deixe para rezar somente no dia de Natal. Que tal fazermos essa maravilhosa
experiência neste tempo? Prepare-se bem para o Natal por meio da oração e não
deixe para rezar somente no grande dia. Comece antes, comece agora! Reze o
Santo Terço em família, leia na Bíblia as verdadeiras histórias do Natal para
seus filhos, participe bem das Santas Missas durante este tempo, faça uma boa
confissão e, nos últimos dias do Advento, reze a Novena de Natal com os seus.
Enfim,
deixe que a força da oração o guie em direção à gruta de Belém. Ali, você
contemplará o Filho de Deus que se fez um de nós e aprenderá que o Natal é a
oportunidade que a humanidade tem de recordar que o verdadeiro amor consiste em
doar-se até o fim com humildade e simplicidade. Ali, naquela manjedoura
construída pela paz em seu coração, você poderá admirar o sorriso do Menino
Jesus. Diante desse singelo sorriso, é impossível que a alma humana permaneça
sofrendo na dor e na solidão!
Desejo
a você e à sua família um Natal diferente dos anos anteriores, um Natal
preparado em oração, que marque definitivamente esse tempo novo de recomeços e
retomadas na sua vida. E, sobretudo, não se esqueça de socorrer os mais pobres
e vulneráveis com ajudas materiais, cestas básicas, visitas, escutas e
presenças transformadoras na vida dos que mais necessitam. A singeleza da
manjedoura nos ensina a sermos mais solidários. Este é o significado do Natal!
Padre
Wagner Augusto Portugal.

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