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Missa da Vigília de Natal

 


 

“Hoje sabereis que o Senhor vem e nos salva; amanhã vereis a sua glória”(Ex 16,6s).

            Celebramos, no dia 24 de dezembro, à tarde, a Vigília de Natal. Estamos diante do cumprimento das promessas de Deus, que nos envia ao Salvador. Anunciado pelos profetas, Jesus é o Emanuel, o Deus sempre conosco. Nele o Pai firmou sua aliança indissolúvel; de João Batista não se considerou digno nem sequer de desamarrar as sandálias. Cheios de alegria, cantemos o amor que o Senhor tem por nós!

            “Hoje sabereis que vem o Senhor e amanhã vereis a sua glória”(Ex 16,6-7). Este é o tema de hoje: uma preparação imediata para celebrar a glória permanente de Deus. Para desfrutar toda a alegria de uma celebração, é preciso a gente estar concentrado. Bem como os jogadores de futebol, que, antes do jogo decisivo, fazem um dia  de “retiro”. Por isso, antigamente, se preparavam as grandes festas litúrgicas por uma véspera, uma vigília de jejum e de abstinência, meios excelentes para a concentração, ao que parece. Hoje em dia, talvez, poderíamos substituir isso por uma boa limpeza cerebral; limpar-se do nervosismo, do consumismo e de outras formas de poluição mental. Em vez de percorrer as lojas, poderíamos compenetrar-nos na celebração desta rica liturgia da vigília de Natal.

 

Caros irmãos,

            A Primeira Leitura – Isaías 62,1-5 – fala que Deus volta a seu povo: as núpcias messiânicas . A leitura situa-se no tempo pós-exílico. O profeta desempenha o papel de intercessor e consolador. Deus parece calar-se. Por isso, o profeta fala, lembra a Deus a necessidade de seu povo. Deus o atenderá, pois a Cidade Santa é a sua joia. Ele a reconstruirá, fará novas núpcias com ela. A Primeira Leitura lembra a felicidade messiânica do povo de Deus, na época da volta do Exílio. A linguagem escatológica de Isaías, nos três primeiros domingos do Advento, era uma linguagem de utopia. Hoje, utiliza uma outra linguagem: a das núpcias (messiânicas) de Deus com o seu povo. Jerusalém recebe nomes de carinho. Depois de ter sido uma terra abandonada – durante o Exílio babilônico – ela será agora a Preferida, a Desposada. Esta era a alegria de Israel na véspera da volta do Exílio. A própria volta do Exílio era considerado como uma “parusia”, uma “vinda”, uma manifestação da presença de Deus.

 

Prezados irmãos,

            A Segunda Leitura – Atos 13,16-17.22-25 – fala da pregação de Paulo: testemunho a respeito do “Filho de Davi”. São Paulo – em sua primeira viagem, é convidado a falar na sinagoga de Antioquia da Psídia. Resume a História da Salvação, chegada à plenitude em Jesus Cristo, Filho de Davi, anunciado por João Batista, que convocara o povo para a conversão – o que é sempre de atualidade. Esta leitura é a concentrada síntese da História da Salvação do discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia da Psídia. A manifestação da presença salvadora de Deus começou com a libertação do Egito. Mediante a linhagem davídica, chegou à sua plena realização em Jesus, anunciado por João Batista.

Caros irmãos,

            O Evangelho – Mateus 1,1-25 ou 18-25 – apresenta a genealogia de Jesus Cristo, Filho de Davi, fruto do Espírito Santo – por isso o Filho de Deus entra no mundo como filho de Abrãao e de Davi. Encarna-se no povo determinado pelo patriarca Abraão e o fundador da dinastia, Davi. Nele, este povo alcança seu fim. Ele vem para resgatar o seu povo e todas as nações. Nele, este povo alcança seu fim. Ele vem para resgatar seu povo e todas as nações. Maria – sua mãe, já esta revestida da aura do Mistério de Deus; José, que contempla respeitosamente este Mistério, é o pai legal de Jesus – daí a genealogia ser a de José.

            O Evangelho formaliza a ideia de preparação do evento salvífico do nascimento de Jesus, apresentando sua genealogia. É um álbum fotográfico da história de Israel, a julgar pelos nomes que ocorrem: patriarcas, reis – bons e maus – , figuras folclóricas como Rute, a prostituta Raab, a mulher de Urias, etc. Tudo isso serviu para gerar o Salvador! No fim do evangelho repete-se o anúncio do Emanuel, Deus- conosco. Esta última parte do evangelho parece servir para explicar por que a genealogia de Mt 1,1-17, no fim, de modo surpreendente, desliza de José para Maria. Pois é, propriamente, a genealogia de José, e não a de Maria: Em Mateus 1,16 a gente esperava: “... José, o esposo de Maria, da qual nasceu ...”. Com os v. 18-25 entendemos o porquê deste deslizamento: o filho não é de José, mas de Deus, cujo Espírito o gerou na Virgem-Mãe. Subentende-se, porém, que a genealogia “davídica” de José vale também para Maria, porque, muitas vezes, os israelitas se casavam dentro da mesma tribo.

            A oração da coleta da missa resume, igualmente, o espírito do Advento: com alegria se torna novamente presente a vinda do Salvador, que é, ao mesmo tempo, uma preparação para o novo e definitivo encontro, ao fim dos tempos.

            Penetramos, com o Prefácio, no espírito do Natal propriamente. Começa com um dos prefácios próprios do Natal – sugere-se o primeiro Cristo como luz.

            Esse retiro de preparação para a Missa da Noite de Natal pede a renovação do nosso ser ao celebrarmos – na noite Santa – e no dia a Solenidade do Natal. A renovação do homem pela Encarnação do Cristo, renovação que se torna possível graças á nossa parada para recuperar. Paramos um instante, num mundo de agitação, para admirar novamente o Mistério que nos envolve e que será celebrado nos próximos dias: o amor de Deus, tornando-se “carne”, existência humana, em Jesus Cristo.

Celebrar o Natal é celebrar o Sol da Vida, que nos ilumina com Sua graça salvadora. É a luz de um novo tempo, que nasce em nosso coração e deseja fazer morada definitiva em nós. São Leão Magno, em seu “Sermão de Natal”, escreve: “O Natal do Senhor não se apresenta a nós como lembrança do passado, mas o vemos no presente”. Fazemos memória presente do nascimento de Cristo em meio a nossa frágil humanidade. Natal não é festa de uma ideia, mas é a festa que celebra a nossa salvação. A festa do Natal é o ponto de partida para nossa salvação realizada por Cristo.

 

Padre Wagner Augusto Portugal.

 

 

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