Aproxima-se o Natal! Lamento que, infelizmente, na sociedade hodierna haja uma perda do valor religioso da celebração do Natal. Por isso, quero convidar os cristãos a viverem esta festa de forma autenticamente cristã. Na sociedade atual, onde infelizmente as festas que se avizinham estão a perder progressivamente o seu valor religioso, é importante que os sinais exteriores destes dias não nos afastem do significado genuíno do mistério que celebramos.
Nós
devemos intensificar as nossas orações por aqueles que passam por duras provas.
Que, nestes dias santos, a caridade cristã se mostre singularmente ativa para
com os mais necessitados. Para os pobres não pode haver adiamentos. No Natal
não se celebra o simples aniversário do nascimento de Jesus, mas um profundo
mistério que continua a marcar a história humana, hoje.
A
celebração do Natal recorda-nos que, naquele Menino nascido em Belém, Deus se
aproximou de todos e de cada um dos homens; nós podemos encontrá-lo agora, num
hoje sem ocaso. De fato, na liturgia, aquele acontecimento ultrapassa os
confins do tempo e do espaço e torna-se presente hoje; o seu efeito perdura no
decorrer dos dias, dos anos, dos séculos.
O
Natal celebra a entrada de Deus na história, fazendo-se homem, e aponta para
além de si mesmo, para a redenção da humanidade na cruz e na glória da
ressurreição. É verdade que a redenção do homem se deu num período concreto da
história, ou seja, na vida de Jesus de Nazaré, mas Jesus é o Filho eterno de
Deus; o Eterno entrou no tempo e no espaço para tornar possível o encontro com
Ele “hoje”. O Natal toca-nos e ilumina-nos a enxergar a “ternura e o amor de
Deus” que se celebram neste período. “Hoje nasceu o nosso Salvador”. Este termo
«hoje» não é uma palavra vazia, mas significa que Deus nos dá a possibilidade
de o reconhecer e acolher agora — como fizeram outrora os pastores em Belém —
para que Ele nasça também na nossa vida e a renove, ilumine e transforme com a
graça da sua presença.
Desejo,
de novo, um Natal verdadeiramente cristão. Que os votos de «Boas Festas», que
ides trocar uns com os outros, sejam expressão da alegria que sentis por saber
que Deus está no meio de nós e deseja percorrer conosco o caminho da vida. Para
todos, um santo Natal e um bom Ano Novo, repleto das bênçãos do Deus Menino.
A
alegria de comunicar aos outros a Boa Nova do amor de Deus, que deu ao mundo o
seu Filho unigênito, este é o autêntico sentido do Natal.
Recordo
a todos os cristãos, numa situação que muitas vezes não é clara, nem sequer
para muitos fiéis, a própria razão de ser da evangelização: que o acolhimento
da Boa Nova, na fé, leva de per si a comunicar a salvação recebida em dom. A
Verdade que salva a vida, que se fez carne em Jesus, acende o coração de quem a
recebe como um amor para com o próximo, que leva à liberdade de dar de novo o
que gratuitamente se recebeu. É um dom inestimável a presença de Deus, que nos
torna próximos no Natal. Um dom capaz de nos fazer viver no abraço universal
dos amigos de Deus, naquela rede de amizade com Cristo, que liga o céu e a
terra e que, se vivida na sua verdade, floresce num amor gratuito e cheio de
solicitude pelo bem de todos os homens.
Não
há nada de mais belo, urgente e importante do que dar de novo gratuitamente aos
homens o que gratuitamente recebemos de Deus! Não há nada que nos possa eximir
ou dispensar deste árduo e fascinante empenho. A alegria do Natal, que já vamos
saboreando, ao mesmo tempo que nos enche de esperança, leva-nos também a
anunciar a todos a presença de Deus no meio de nós.
Invoquemos
confiadamente Maria, incomparável modelo de evangelização, que comunicou ao
mundo não uma ideia, mas Jesus, Verbo encarnado, para que também no nosso tempo
a Igreja anuncie Cristo Salvador.
Que
todos os cristãos e todas as comunidades sintam a alegria de partilhar com os
outros a Boa Notícia de que Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho
unigênito, para que o mundo seja salvo por seu intermédio. É este o autêntico
sentido do Natal, que há de ser redescoberto e vivido intensamente sempre de
novo.
Visite, no dia de Natal, uma pessoa idosa que não tem o
carinho de seus familiares. Isto é o espírito genuíno do Natal!
Desejo
a todos um santo, feliz e abençoado Natal do Ano Santo da Redenção! Santo
Natal!
Padre Wagner Augusto Portugal

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