“Meus pensamentos são de paz e não de aflição, diz o
Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos, e vos trarei de vosso
cativeiro, de onde estiverdes” (Cf. Jr 20, 11ss).
Meus
queridos irmãos,
Estamos chegando ao fim do ano
litúrgico em que o Evangelho que nós refletimos foi o de São Lucas. Hoje nós
relembramos que a vinda do Senhor deve ser motivo de esperança, alegria,
plenitude e completa libertação de todas as amarras que oprimem o povo de Deus.
O existir do cristão batizado consiste na contínua e persistente espera e no
clamor para que Cristo venha em nosso auxílio. Assim todos nós devemos clamar: “Vem
Senhor Jesus!”, por isso todos nós somos convidados para a vigilância.
São Lucas colocou a Igreja dentro do
contexto de perseguição da época de Jesus, de maneira que esta perseguição
reflorescesse na Igreja um compromisso de firmeza da profissão de fé. As
perseguições várias são o prelúdio do Juízo de Deus sobre a história, quando
ele fizer justiça aos justos e destruir os ímpios, conforme nos ensina a
Primeira Leitura.
Caros
irmãos,
A primeira leitura fala
do livro de Malaquias (Ml 3,19-20a). O nome “Malaquias” não é um nome próprio.
Malaquias significa “o meu mensageiro”; é o título tomado por um profeta
anônimo, sobre o qual praticamente nada sabemos e que se apresenta como
“mensageiro” de Deus. Trata-se de um profeta do período pós-exílico, estamos
falando na primeira metade do século V a.C.(entre os anos 480 e 450 a.C.), em
que o Templo de Jerusalém já havia sido reconstruído(cf. Mal 1,10) e o culto já
funcionava – ainda que mal (cf. Mal 1,7-9.12-13)… No entanto, o entusiasmo pela
reconstrução estava apagado; desanimado ao ver que as antigas promessas de Deus
não se tinham cumprido, o Povo havia caído na apatia religiosa e na absoluta
falta de confiança em Deus… O povo de Israel duvidava do amor de Deus, da sua
justiça, do seu interesse por Judá. Todo este ceticismo tinha repercussões no
culto, que estava cada vez mais desleixado, e na ética em que, infelizmente,
multiplicavam-se as falhas, as injustiças, as arbitrariedades.
Este “mensageiro de Deus”
reage vigorosamente contra a situação em que o Povo de Judá está a cair. Coloca
cada um diante das suas responsabilidades para com Jahwéh e para com o próximo,
exige a conversão do Povo e a reforma da vida cultual. A sua lógica é a lógica
deuteronomista: se o Povo se obstinar em percorrer caminhos de infidelidade à
Aliança, voltará a conhecer a morte e a infelicidade; mas se o Povo se voltar
para Deus e cumprir os mandamentos, voltará a gozar da vida e da felicidade que
Deus oferece àqueles que seguem os seus caminhos.
A perícope de hoje – Ml
3,19-20a- refere-se ao “dia do julgamento” – isto é, ao dia em que Deus vai
intervir na história, no sentido de destruir o mal, a injustiça, a opressão, o
pecado e fazer triunfar o bem, a justiça, a verdade. Diante do fogo do Senhor
que purifica e renova, “serão como palha os soberbos e malfeitores” e o Senhor
“não lhes deixará nem raiz nem ramos”; em contrapartida, para os que se mantêm
nos caminhos da aliança e dos mandamentos, “nascerá o sol da justiça, trazendo
nos seus raios a salvação”.
O “mensageiro de Deus” está
a referir-se ao “dia do Senhor” – um conceito que aparece com frequência na
literatura profética (cf. Am 5,18; Sof 1,14-18; Jl 2,11) para designar o
momento da intervenção de Deus na história, o momento em que Deus vai oferecer
ao seu Povo a salvação definitiva. O profeta está – utilizando uma linguagem e
imagens tipicamente proféticas – a pedir aos seus concidadãos que não desanimem
nem desesperem, pois Deus vai intervir no mundo para fazer aparecer um mundo
novo. Trata-se, fundamentalmente, de um apelo à esperança: “apesar da situação
caótica em que estamos, não desanimemos, mantenhamo-nos fiéis a Deus, pois Deus
vai fazer aparecer um mundo novo, de vida e de felicidade para todos”. As
imagens do “fogo” devorador e da “palha” que é integralmente queimada são
imagens bíblicas muito comuns na época (sobretudo entre os autores
apocalípticos) para significar a intervenção de Deus, a atuação libertadora de
Deus no mundo.
Diante da
mensagem da primeira leitura é preciso ter consciência de que a intervenção
libertadora de Deus não deve ser projetada apenas para o “último dia” do mundo.
Ela acontece a cada instante; e nós devemos estar numa espera vigilante e
ativa, a fim de sabermos reconhecer e acolher de braços abertos a intervenção
salvadora e libertadora de Deus na nossa história e na nossa vida.
Meus
irmãos queridos,
Jesus veio uma vez ao mundo em carne
humana, não se prevalecendo da condição divina (Cf. Fl 2,6), fazendo-se em tudo
igual as criaturas humanas, exceto no pecado (Cf. Hb 4,15). Na segunda vinda de
Cristo, o Senhor virá glorioso, Senhor do céu e da terra, juiz de todas as
criaturas. Nós vivemos, assim, entre a primeira vinda e a vinda que aguardamos.
Vivemos na doce certeza da primeira e na expectativa da segunda. É um
itinerário ou uma caminhada de fé e esperança. A caminhada que todos nós somos
convidados a percorrer pessoalmente, tendo sempre presente que Cristo nos
acompanha, nos anima e nos fortalece porque: “Estarei convosco até o fim dos
tempos” (Cf. Mt 28,20).
Assim hoje Jesus nos fala do momento
em que passamos dessa vida para a outra, o fim do tempo presente e o início da
eternidade. A nossa morte repete, de certo modo, o Natal de Jesus: ele passou
da eternidade para o tempo, nós passamos do tempo para a eternidade. Penar no “mundo
vindouro” é imensamente positivo. É nele que se coloca a esperança cristã
porque “A morte é o coroamento da felicidade da alma e o começo da
felicidade do corpo”, nas palavras de Blaise Pascal.
Caros
irmãos,
O Evangelho deste domingo
(Cf. Lc 21,5-19) oferece-nos uma reflexão sobre o percurso que a Igreja é
chamada a percorrer, até à segunda vinda de Jesus. A missão dos discípulos em
caminhada na história é comprometer-se na transformação do mundo, de forma a
que a velha realidade desapareça e nasça o Reino. Esse “caminho” será
percorrido no meio de dificuldades e perseguições; mas os discípulos terão
sempre a ajuda e a força de Deus.
O ambiente deste Evangelho é a cidade de Jerusalém, daqueles últimos dias antes
da paixão. Como acontece com os outros Evangelhos sinópticos (cf. Mt 24-25; Mc
13), também São Lucas conclui a pregação de Jesus com um discurso escatológico
onde se misturam referências à queda de Jerusalém e ao “fim dos tempos”. Para
São Lucas, Jesus está nos átrios do Templo com os discípulos (na versão de
Mateus e de Marcos, Jesus está no monte das Oliveiras); é a contemplação das
belas pedras do Templo, que leva Jesus a esta catequese escatológica.
Nós vamos dividir o
evangelho em três momentos da história da salvação: a destruição de Jerusalém,
o tempo da missão da Igreja e a vinda do Filho do Homem (que porá fim ao “tempo
da Igreja” e trará a plenitude do “Reino de Deus”).
O Evangelho inicia com o
anúncio da destruição de Jerusalém (vers. 5-6). Na perspectiva profética,
Jerusalém é o lugar onde deve irromper a salvação de Deus (cf. Is 4,5-6;
54,12-17; 62; 65,18-25) e para onde convergirão todos os povos empenhados em
ter acesso a essa salvação (cf. Is 2,2-3; 56,6-8; 60,3; 66,20-23). No entanto,
Jerusalém recusou a oferta de salvação que Jesus veio trazer. A destruição da
cidade e do Templo significa que Jerusalém deixou de ser o lugar exclusivo e
definitivo da salvação. A Boa Nova de Jesus vai, portanto, deixar Jerusalém e
partir ao encontro de todos os povos. Começa, assim, uma outra fase da história
da salvação: começa o “tempo da Igreja” – o tempo em que a comunidade dos
discípulos, caminhando na história, testemunhará a salvação a todos os povos da
terra. A reflexão continua com uma reflexão sobre o “tempo da Igreja”, que
culminará com a segunda vinda de Jesus (vers. 7-19). São Lucas, primeiramente,
sugere que, após a destruição de Jerusalém, surgirão falsos messias e visionários
que anunciarão o fim (o que é, aliás, vulgar em épocas de crise e de
catástrofe). São Lucas avisa: “não sigais atrás deles” (vers. 8); e esclarece:
“não será logo o fim” (vers. 9). A destruição de Jerusalém no ano 70 pelas
tropas de Tito deve ter parecido aos cristãos o prenúncio da segunda vinda de
Jesus e alguns pregadores populares deviam alimentar essas ilusões. Mas São
Lucas (que escreve o seu evangelho durante os anos 80) está apostado em
eliminar essa febre escatológica que crescia em certos sectores cristãos: em
lugar de viverem obcecados com o fim, os cristãos devem preocupar-se em viver
uma vida cristã cada vez mais comprometida com a transformação “deste” mundo.
Em segundo lugar, Lucas
diz aos cristãos o que acontecerá nesse “tempo de espera”: paulatinamente, irá
surgindo um mundo novo. Para dizer isto, Lucas recorre a imagens apocalípticas
(“um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país” – vers.
10, cf. Is 19,2; 2 Cr 15,6; “haverá grandes terramotos, fomes e pestes em
muitos lugares acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no
céu” – vers. 11), muito usadas pelos pregadores populares da época para falar
da queda do mundo velho – o mundo do pecado, do egoísmo, da exploração – e do
surgimento de um mundo novo. A questão é, portanto, esta: no tempo que medeia
entre a queda de Jerusalém e a segunda vinda de Jesus, o “Reino de Deus”
ir-se-á manifestando; o mundo velho desaparecerá e nascerá um mundo novo
(recordemos que os discípulos não devem esperá-lo de braços cruzados, à espera
que Deus faça tudo, mas devem empenhar-se na sua construção). É claro que a
libertação plena e definitiva só acontecerá com a segunda vinda de Jesus.
Em terceiro lugar, São
Lucas coloca e adverte os cristãos de sobreaviso para as dificuldades e
perseguições que marcarão a caminhada histórica da Igreja pelo tempo fora, até
à segunda vinda de Jesus. São Lucas lembra-lhes, contudo, que não estarão sós,
pois Deus estará sempre presente; será com a força de Deus que eles enfrentarão
os adversários e que resistirão à tortura, à prisão e à morte; será com a ajuda
de Deus que eles poderão, até, resistir à dor de ser atraiçoados pelos próprios
familiares e amigos. Quando São Lucas escreve este texto, tem bem presente a
experiência de uma Igreja que caminha e luta na história para tornar realidade
o “Reino” e que, nessa luta, conhece os sofrimentos, as dificuldades, a
perseguição e o martírio; as palavras de alento que ele aqui deixa – sobretudo
a certeza de que Deus está presente e não abandona os seus filhos – devem ter
constituído uma ajuda inestimável para esses cristãos a quem o Evangelho se
destinava.
Fica evidente que o discurso escatológico define, portanto, a missão da Igreja na história
(até à segunda vinda de Jesus): dar testemunho da Boa Nova e construir o Reino.
Os discípulos nada deverão temer: haverá dificuldades, mas eles terão sempre a
ajuda e a força de Deus.
O seguimento cristão é uma caminhada que não nos leva ao
aniquilamento, à destruição absoluta, ao fracasso total, mas à vida nova, à
vida plena; por isso, deve ser uma caminhada que devemos percorrer de cabeça
levantada, cheios de alegria e de esperança. O seguimento cristão, é antes de
tudo, uma caminhada eivada de dificuldades, de lutas, onde o bem e o mal se
confrontarão sem cessar; mas é um percurso onde o mundo novo irá surgindo –
embora com avanços e recuos – e onde a semente do “Reino” irá germinando. Os
batizados são chamados a reconhecer os “sinais” do “Reino”, para na alegria do
serviço generoso viverem a alegria porque o “Reino” está presente e todos devem
fazer o esforço, cotidiano, para tornar possível essa nova realidade. A nossa
vida não pode se resumir em ficar de braços cruzados olhando passivamente para
o céu, mas um compromisso sério e empenhado, de forma a que floresça o mundo
novo da justiça, do amor e da paz.
Irmãos
caríssimos,
A morte é o doce encontro com o
Redentor, por isso não deve apavorar o homem. É o ponto inicial de uma vida
nova diante da Trindade Santíssima. Mas para sermos associados ao Reino de Deus
devemos estar em contínua vigilância. Morte que se apresenta nas guerras, nas
revoluções, nas pestes, nos terremotos, nas carestias, nos tufões, nas
tempestades, nas perseguições, nas prisões, nas traições, nos ódios, nas
injustiças, na miséria e na exclusão social. Várias facetas da irmã morte que
deve nos interpelar e nos encaminhar para a conversão diária e necessária.
O fim dos tempos deve estar sempre
presente em nossa vida espiritual, principalmente para a conversão e a mudança
de vida. E é isso que a Igreja nos propõe no fim do ano litúrgico e no início
do novo tempo da Igreja que é sempre inaugurado com os exercícios espirituais
do Advento. Tudo isso para demonstrar que Cristo é o Alfa e o Omega, ou seja, o
Princípio e o Fim, conforme nos relembra a Igreja pelo Círio Pascal que
inscreve estas letras para simbolizar o Cristo Ressuscitado. Assim a morte deve
ser lembrada como a Luz do Cristo que nos tirou da escravidão do pecado e nos
elevou a condição de filhos e filhas de Deus. A morte é como um ponto num
círculo: nunca se sabe se é o ponto inicial ou o ponto final; ou melhor, é, ao
mesmo tempo, final e inicial, porque dependendo de nossa adesão a Cristo iremos
para a vida eterna e a não adesão para a condenação sem fim.
O templo de Deus é o Cristo
Ressuscitado. Jesus mesmo afirmou ser o nosso templo de Deus. O mais
importante, então, é reconhecer em Jesus alguém que pode dar a Deus a adoração
plena, e à criatura humana, a salvação para poder louvar a Deus.
Caros
irmãos,
A Segunda
Leitura é da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (Cf. 2Ts 3,7-12). Esta carta é dirigida uma comunidade que vive com
entusiasmo a sua fé e que dá um testemunho vigoroso e comprometido da sua
adesão ao Evangelho de Jesus, mesmo no meio das dificuldades e das perseguições.
No entanto, a partida precipitada de São Paulo, que teve de deixar Tessalônica
às pressas para fugir a uma cilada armada contra ele pelos judeus da cidade,
não permitiu que a catequese ficasse completa e que certas questões de fé
fossem suficientemente desenvolvidas e amadurecidas. Uma dessas questões – que
inquietava grandemente os tessalonicenses – era a da segunda vinda do Senhor.
Nesta carta percebe-se,
claramente, que alguns cristãos de Tessalônica, persuadidos de que a vinda do
Senhor estava muito próxima, viviam “nas nuvens”, negligenciando os seus
deveres de todos os dias (2 Ts 2,1-2). Agora, a única coisa que faz sentido –
dizem eles – é ter os braços, os olhos e o coração voltados para o céu,
esperando a vinda gloriosa do Senhor. Esta atitude compreende-se ainda melhor à
luz da antropologia grega, segundo a qual o homem deve viver voltado para o
mundo ideal e espiritual, fugindo o mais possível do terreno e material; o
trabalho manual – de acordo com esta perspectiva – é degradante, sem valor
algum para a construção da pessoa e deve ser evitado a todo o custo.
A carta de São Paulo é um
duro recado para aqueles que vivem ocupados com futilidades e não fazem nada de
útil. Nas entrelinhas percebemos a perspectiva de inspiração semita, segundo a
qual a condição corporal do homem não é um castigo; portanto, o trabalho manual
não envelhece, mas dignifica.
De resto, o autor da carta dá como exemplo o
próprio Paulo: ele nunca escolheu a ociosidade, nem viveu à custa de quem quer
que fosse (“trabalhamos noite e dia com esforço e fadiga, para não sermos
pesados a nenhum de vós” – vers. 8); até mesmo durante as suas viagens
missionárias, Paulo nunca aceitou qualquer pagamento – o que mostra que o seu
amor pelos cristãos e pelas comunidades é sincero e nunca teve qualquer
interesse material.
O centro teológico desta
passagem é exigente, solene, autoritário, pois está em jogo algo de fundamental
– a harmonia da comunidade. É que, se numa comunidade houver parasitas que
vivem à custa dos demais, rapidamente a comunidade chegará a uma situação insustentável:
o equilíbrio romper-se-á, surgirão os conflitos, as acusações, as divisões e a
fraternidade será uma miragem. Viver em comunidade exige a repartição
equitativa dos recursos a que a comunidade tem acesso; mas exige, também, a
responsabilização de todos os membros, a fim de que todos ponham ao serviço dos
irmãos os próprios dons e contribuam para a construção, para o equilíbrio e
para a harmonia comunitárias.
O cristianismo, o que prega a Mãe Igreja,
não fomenta a evasão deste mundo, nem pretende fazer alienados que vivam de
olhos postos no céu e passem ao lado das lutas dos outros homens. Pelo
contrário, o cristianismo vivido com verdade, seriedade e coerência credencia
um empenhamento sincero na construção de um mundo mais justo e mais fraterno,
todos os dias, vinte e quatro horas por dia. O “Reino de Deus” é uma realidade
que atingirá o ponto culminante na vida futura; mas começa a construir-se aqui
e agora e exige o esforço e o empenho de todos. Infelizmente, nas comunidades
cristãs encontramos, com frequência, pessoas que falam muito e mandam muito,
mas fazem muito pouco e, muitas vezes, ainda se aproveitam dos trabalhos dos
outros para se enfeitar de louros… Também encontramos aqueles que são apenas
“consumidores passivos” daquilo que a comunidade constrói, mas não se esforçam
minimamente por colaborar.
Caros
irmãos,
As leituras deste domingo não estão
preocupadas com o fim do mundo. A questão fundamental é o percurso que devemos
fazer enquanto esperamos a plenitude dos tempos, segundo os desígnios de Deus.
É a esperança de que Deus conduz a história que deve acompanhar nosso caminhar,
e não o medo do fim do mundo.
O caminho do discipulado é, sem dúvida,
permeado por provações, adversidades e luta contra todas as formas de mal.
Jesus se encontra em Jerusalém para enfrentar a morte e não esconde que seus
seguidores passarão pelos mesmos confrontos. Essas, porém, são as condições
para construir o novo que irá surgir. O templo foi destruído, mas a Igreja,
alicerçada na fé dos apóstolos, resistiu a todas as adversidades e atravessou o
tempo.
Assistimos a muitas especulações acerca
do fim do mundo, mas será que conseguimos identificar, em nosso tempo, sinais
que apontam para o risco de destruição da humanidade? Povos se levantando uns
contra os outros, descaso com a natureza, fome, diversas formas de
intolerância, divisão e fake news, falta de
vida e de liberdade são acontecimentos que nos levam a ter medo ou, antes, a
dirigir nosso clamor a Deus, para que a fé na ressurreição fortaleça nosso
compromisso de construir um mundo sem medo, permeado de esperança?
Meus
irmãos,
A esperança sempre deve ser a marca
do cristão, mesmo que devemos caminhar contra todas as esperanças dos homens,
que são transitórias. Jesus é a vida verdadeira, que se dá a nós, criaturas.
Mas só a conseguirão os que perseverarem firmes na fé. A fé será provada de
muitos modos, dentro e fora de casa, e de forma até mesmo violentas e
inesperadas, que Jesus simboliza na figura do pai e da mãe. Que ninguém
desanime! Pode até acabar a terra. Mas não acabará a Palavra de Deus, feita
vida terrena para transmitir a vida eterna.
E, afinal, quando será o fim,
conforme muitos perguntaram a Jesus? Jesus não é um adivinho, mas um Mestre e
Senhor. Ele não fala nem o dia e nem a hora. Entretanto, nos dá pistas e
critérios de orientação dentro da história e as decisões que se devem tomar
para não perder de vista a meta final. Em vez de dizer o dia e a hora Jesus, na
sua segunda vinda, nos trará a libertação total e plena. Assim vamos vivendo a
esperança cristã e vamos depositar a nossa confiança unicamente em Jesus.
O provisório em seu valor. Relativo,
decerto, mas real. É a encarnação da nossa aspiração à justiça de Deus, que tem
a última palavra. Trabalhemos para que fique as obras de caridade porque o
corpo, como o templo, será destruído, mas o templo de Deus permanecerá de pé,
adornado de belas pedras das virtudes cristas, esculpidas na perseverança no
bem, na caridade e na justiça.
Padre
Wagner Augusto Portugal.
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