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Cidadãos do céu

 


O que significa para um cristão ser um “cidadão do Céu”? A Bíblia frequentemente se refere à cidadania daqueles que creem em Cristo. E, como escreve São Paulo, nossa verdadeira pátria está no céu, com Deus.

Toda criança aprende desde muito cedo, por meio das aulas de geografia, que o mundo é composto de continentes, nações e países, com povos que os habitam e que forjam sua identidade de acordo com suas próprias culturas e costumes, fomentando assim o amor à sua pátria terrena. Mas todo cristão também deve compreender que está apenas de passagem, e que sua pátria, seu reino, está no céu, para poder viver no paraíso com Deus.

É claro que é justo amar a nação em que se nasceu. O quarto mandamento, que se refere ao amor e ao respeito aos pais, também inclui deveres para com a pátria, como se pode ler no Catecismo da Igreja Católica: "O amor e o serviço à pátria fazem parte do dever de gratidão e da ordem da caridade." (CIC 2239). Mas, em sua Carta aos Hebreus, São Paulo insiste que “a fé é um modo de possuir o que se espera, um meio de conhecer realidades que não se veem” (11,1). Ele então quer fazer os cristãos compreenderem que todos os esforços dos Antigos foram motivados pelas promessas de Deus. Assim, ele lembra que Abel ofereceu a Deus um sacrifício maior que o de Caim, que Enoque ascendeu ao céu sem morrer, que Noé construiu a arca, que Abraão deixou sua terra natal, que Sara, em sua velhice, concebeu um filho. E embora não conhecessem o cumprimento das promessas, “eles o tinham visto e o acolheram de longe, dizendo que, na terra, eram estrangeiros e peregrinos”. E São Paulo acrescenta: “De fato, eles ansiavam por uma pátria melhor, a dos céus. Por isso, Deus não se envergonha de ser chamado seu Deus, pois preparou uma cidade para eles” (Hebreus 11,13-16).

Cidadãos do céu: Assim, se estivermos cientes de que a realidade em que vivemos hoje mudará no momento menos esperado – não sabemos a hora nem o dia –, podemos nos preparar para habitar a pátria definitiva. E a advertência de São Paulo aos Filipenses é clara: “Irmãos, imitai-me e considerai cuidadosamente aqueles que andam conforme o exemplo que vos damos. Pois muitas vezes vos disse, e agora repito com lágrimas: muitos se comportam como inimigos da cruz de Cristo e caminham para a perdição. O deus deles é o ventre, e gloriam-se naquilo que é para sua vergonha; só pensam nas coisas terrenas.” (Filipenses 3,17)Mas, felizmente, se nos esforçarmos para seguir o Evangelho, receberemos a recompensa daqueles que creem em Jesus: "Mas temos a nossa cidadania nos céus, de onde aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará os nossos pobres corpos à imagem do seu corpo glorioso, pelo poder ativo do seu poder de sujeitar também todas as coisas" (Filipenses 3, 20-21). Que esta prometida cidadania do céu nos ajude a perseverar a cada dia em nossas resoluções de santidade.

Jesus disse: “Não fique perturbado o coração de vocês”. Ele diz a nós também nos dramas da vida. Mas como fazer para que o coração não se perturbe? O Senhor indica dois remédios para a perturbação. O primeiro é: “Tenham fé em mim”. Parece um conselho um pouco teórico, abstrato. Em vez disso, Jesus quer nos dizer uma coisa específica. Ele sabe que, na vida, a ansiedade pior, a perturbação, nasce da sensação de não ser capaz, do sentir-se sozinho e sem pontos de referência diante do que acontece. Essa angústia, em que a dificuldade acrescenta dificuldade, não pode ser superada sozinha. Precisamos da ajuda de Jesus.

Jesus pede a homens e mulheres para que tenham fé n’Ele, ou seja, a não se apoiarem em si mesmos, mas n’Ele. A libertação da perturbação passa através da confiança. Confiar-se a Jesus. Dar este passo. Esta é a libertação do turbamento. Jesus ressuscitou e está vivo para ficar sempre ao nosso lado. Então, podemos dizer-lhe: “Jesus, creio que você ressuscitou e que está ao meu lado. Creio que você me ouve. Apresento-lhe o que me perturba, as minhas preocupações: tenho fé em Ti e me confio a Ti”.

Gostaria de lembrar que há um segundo remédio para a perturbação, que Jesus expressa com essas palavras: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. […] vou preparar um lugar para vocês’”. “Eis o que Jesus fez por nós: nos reservou um lugar no Céu. Tomou sobre si a nossa humanidade para levá-la além da morte, para um novo lugar, no Céu, para que, onde Ele está, estejamos também nós. É a certeza que nos consola: há um lugar reservado para cada um. Não vivemos sem meta nem sem destino. Somos esperados, somos preciosos. Deus é apaixonado pela beleza de seus filhos. E para nós Ele preparou o lugar mais digno e bonito: o Paraíso.

A morada que nos espera é o Paraíso. Aqui estamos de passagem. Somos feitos para o Céu, para a vida eterna, para viver para sempre. Para sempre: é algo que agora não conseguimos imaginar. Mas é ainda mais bonito pensar que esse para sempre será na alegria, na plena comunhão com Deus e com os outros, sem mais lágrimas, rancores, divisões e perturbações.

Mas como chegar ao Paraíso? Qual é o caminho? Eis a frase decisiva de Jesus hoje: “Eu sou o caminho”. Para subir ao Céu o caminho é Jesus: é ter um relação viva com Ele, é imitá-lo no amor, é seguir os seus passos. E eu, cristão, posso me perguntar: Qual caminho devo seguir? Existem caminhos que não levam ao Céu: os caminhos da mundanidade, os caminhos da autoafirmação, os caminhos do poder egoísta. E há o caminho de Jesus, o caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros. Não é o caminho do meu protagonismo, é o caminho de Jesus protagonista da minha vida. É seguir em frente, todos os dias, dizendo-lhe: Jesus, o que você acha dessa minha escolha? O que você faria nessa situação, com essas pessoas?.

Fará bem a nós perguntar a Jesus, que é o caminho, as indicações para o Céu. Que Nossa Senhora, Rainha do Céu, nos ajude a seguir Jesus, que abriu o Paraíso para nós.

Sejamos cidadãos do céu! Vivamos o céu aqui na peregrinação neste mundo!

 

Padre Wagner Augusto Portugal

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