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A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos



        Com novembro celebramos a Solenidade de Todos os Santos e o Dia de Finados. A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, dia em que a Igreja nos exorta a sufragar com especial generosidade, com jejuns, esmolas e orações, as almas dos que padecem no Purgatório, é uma ocasião propícia para recordarmos alguns pontos básicos da fé cristã a respeito dos Novíssimos. Antes de tudo, é preciso saber que, logo após a morte, a alma humana apresenta-se diante de Deus para receber a sentença do seu juízo particular, em virtude da qual ela irá, de forma definitiva e irreformável, a) ou para o Inferno, caso tenha morrido em pecado mortal; ou, se partiu deste mundo em estado de graça, b) para o Céu, se estiver totalmente preparada para a visão beatífica; c) ou para o Purgatório, onde deverá pagar a pena temporal de seus pecados ainda não satisfeita, além de purificar-se das imperfeições que a impedem de entrar na glória eterna. Isso significa que, no Dia de Finados, não rezamos para que os mortos se salvem, uma vez que, depois da morte, já está selado para sempre o destino de cada um deles. Proferida a sentença do juízo particular, de nada adiantam, por exemplo, as orações feitas em favor de um condenado.

 Daí se segue que o Purgatório, ao contrário do que às vezes se pensa, não é um momento de “indecisão” em que a alma, numa última oportunidade, poderia decidir amar a Deus, e assim ir para o Céu, ou rejeitá-lo para sempre, e assim precipitar-se no Inferno. Os que vão para o Purgatório, com efeito, já estão salvos: têm, pois, garantida a sua eterna bem-aventurança, à qual só terão acesso depois de se terem purificado, padecendo sem mérito na outra vida o que poderiam ter lucrado nesta, da pena temporal devida aos seus pecados já perdoados quanto à culpa. Essas almas benditas, que se acham em condição puramente penal e nada são capazes de fazer por si mesmas, podem contudo ser ajudadas pelos sufrágios dos fiéis, na forma de Missas, orações, esmolas, jejuns e outras obras de piedade, sobretudo pelas indulgências

É a isso que nos exorta hoje a Santa Igreja; é ao cumprimento deste dever sagrado de caridade para com os nossos irmãos mortos na fé que ela hoje nos induz. É verdade que, a não ser por especial revelação, não podemos saber se um nosso parente ou amigo, falecido talvez repentina e tragicamente, sem chance de receber os sacramentos, foi para o Inferno ou para o Purgatório. No entanto, essa mesma incerteza, sustentada pela esperança de que Deus não nega a ninguém os auxílios necessários e suficientes à salvação, nos deve impelir a rezar, sim, por todos os fiéis que, mortos na graça divina, necessitam agora do nosso auxílio para que se lhes aliviem as penas que suportam e se lhes abrevie o tempo de padecimento; mas também por todos aqueles que, mesmo sem dar nesta vida sinais visíveis de se terem convertido a Deus, podem muito bem, num ato supremo de misericórdia do nosso clementíssimo Juiz, estar hoje no Purgatório, onde permanecerão por ainda mais tempo, se não abrirmos nossas mãos para auxiliá-los generosamente. Nossa Mãe Santíssima, que conhece o fim que tiveram os mortos por quem hoje rezarmos, saberá fazer bom uso dos sufrágios que oferecermos, e lhes dará melhor e mais sábia aplicação.

Uma vez que a Igreja nos convida a auxiliar os fiéis defuntos, ela nos disponibiliza os meios mais eficazes para esse propósito. As indulgências representam um valioso tesouro tanto para os fiéis vivos quanto para aqueles que já partiram desta vida. No entanto, como os fiéis defuntos já não podem mais contribuir para a própria salvação, cabe a nós praticar a caridade e a misericórdia para com eles.

Para receber a indulgência de finados é necessário

  1. Visitar um cemitério, no Dia de Finados, ou nos oito primeiros dias de novembro. Não é necessário que a pessoa pela qual você deseja rezar esteja sepultada no lá;
  2. Rezar pelos fiéis defuntos enquanto estiver no cemitério. Reze pelas almas dos fiéis defuntos, especialmente pela alma que você deseja ajudar; e
  3. Observar as condições de costume para obter indulgências: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração nas intenções do Santo Padre, o Papa.

Você pode realizar tais obras dentro do período de uma semana, do dia 1º ao dia 8 de novembro. A oração pelo Papa, pode ser feita imediatamente. Além disso, é importante realizar a confissão, mesmo que você não esteja em pecado mortal. Nesse caso, ela tem um caráter devocional e está direcionada à obtenção da indulgência plenária. A comunhão pode ser recebida no mesmo dia, antes ou depois da confissão.

Portanto, você pode receber uma Indulgência Plenária, exclusiva às almas dos fiéis defuntos, se, dentro desses 8 dias, rezar pelos falecidos e visitar um cemitério, seguindo as condições habituais. Além disso, é possível obter a Indulgência Plenária para os fiéis defuntos ao visitar uma igreja de maneira piedosa no Dia de Finados e lá recitar um Pai Nosso e um Credo. Contudo, é preciso também cumprir o costume: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração na intenção do Sumo Pontífice.

Conclusão: finados, a morte e a eternidade: A Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos é uma ocasião que nos lembra da importância da oração e da caridade em relação aos fiéis defuntos. A devoção aos mortos é uma prática antiga, enraizada na piedade cristã, que nos leva a refletir sobre a eternidade e a salvação das almas — inclusive da nossa própria alma.

As Sagradas Escrituras também nos instruem a rezar pelos fiéis defuntos. No Segundo livro de Macabeus, lemos: Pois, se ele não julgasse que os mortos ressuscitariam, teria sido vão e supérfluo rezar por eles. Mas, se ele acreditava que uma belíssima recompensa aguarda os que morrem piedosamente, era esse um bom e religioso pensamento. Eis por que ele pediu um sacrifício expiatório para que os mortos fossem livres de suas faltas” (II Mc 12,44-46).

Além disso, o Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre.”(CIC 1022) Sendo assim, a devoção aos fiéis defuntos nos recorda que a vida não termina com a morte, mas continua na eternidade.

Se nos oito primeiros dias de novembro nós rezamos pelos fiéis defuntos, esperamos também que um dia alguém reze pela nossa alma. À medida que intercedemos pelos falecidos e visitamos cemitérios, lembramos da importância da caridade e da esperança na misericórdia de Deus. Portanto, no Dia de Finados, assim como durante toda a nossa vida terrena, somos chamados a nutrir nossa esperança na eternidade e a praticar a caridade em favor das almas que anseiam pelo descanso eterno na presença de Deus.

            Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz! Amém! Visite o cemitério e reze pelos fiéis defuntos!

 

 

Padre Wagner Augusto Portugal


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