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27o. Domingo do Tempo Comum, C.

“Senhor, tudo está em vosso poder e ninguém pode resistir à vossa vontade. Vós fizestes todas as coisas: o céu, a terra e tudo o que eles contêm; sois o Deus do universo!” (cf. Est. 1,9.10s)


Meus queridos Irmãos e Irmãs,

 

Duas palavras hoje nos convidam para a reflexão em torno de toda a liturgia: a e a FIDELIDADE. Quando Habacuc, na primeira leitura, diante da desordem em Judá, nos últimos anos antes do exílio, grita a Deus com impaciência, quase com desespero, Deus anuncia que ele tratará o mal por um remédio mais tremendo ainda: os babilônicos. À objeção de Habacuc contra esta solução, o Senhor Deus responde: “Eu sei que o faço; não preciso prestar contas; mas os justos se salvarão por sua fidelidade”.

Na primeira leitura (cf. Hab 1,2-3; 2,2-4), o profeta pede explicação a Deus – este trecho é um diálogo entre Deus e o profeta. O profeta se queixa, por causa do tirano rei Joaquim, que reinava sobre Judá entre 609-598 a.C., porque a impiedade está vencendo. O direito e o próprio justo são pisados ao pé. A resposta: vem coisa pior ainda! Deus não precisa prestar contas para o homem. Este é que lhe deve obediência, também nas horas negras.

O rei de Judá é, nesta altura, Joaquim (609-598 a.C.). Trata-se de um rei fraco, incompetente, que explora o povo, que deixa aumentar as injustiças e cavar um fosso cada vez maior entre ricos e pobres; além disso, desenvolve uma política aventureirista de alianças com as superpotências da época. Apesar das simpatias pró-egípcias de Joaquim, Judá sente já o peso do imperialismo babilônico e vê-se obrigado a pagar um pesado tributo a Nabucodonosor. Prepara-se a queda de Jerusalém nas mãos dos babilônios, a morte de Joaquim, a deportação do seu filho e sucessor Joaquin (que reinou apenas três meses – cf. 2 Re 24,8) e a partida para o exílio de uma parte significativa da classe dirigente de Judá (primeira deportação: 597 a.C.).

O profeta Habacuc grita a sua impaciência (e a impaciência do seu Povo), questionando a atitude complacente de Deus para com o pecado; ele não compreende que Deus contemple, impassível, as lutas e contendas do seu tempo. Habacuc sente-se interpelado pelo que o rodeia e não concebe que Deus (esse mesmo Deus que se manifestou como libertador e salvador na história do Povo e que se proclama fiel aos compromissos que assumiu para com os homens) não ponha fim a tantas grosseiras violações do seu projeto para o mundo.

O profeta não se limita a escutar a Palavra de Deus e a transmiti-la; ele próprio toma a iniciativa, pergunta a Deus, exige respostas. E, como uma sentinela vigilante, fica à espera que Deus Se justifique (cf. Hab 2,1). Finalmente, Deus digna-Se responder. A mensagem é de esperança, pois a resposta de Deus deixa claro que Ele não fica indiferente diante do mal que desfeia o mundo e que o momento da vingança divina está para chegar; ao homem, resta esperar com paciência o tempo da ação de Deus (cf. Hab 2,2-5): nessa altura, o orgulhoso e o prepotente receberão o castigo e o justo triunfará.

Todos nós devemos aprender a confiar em Deus, a entregarmo-nos nas suas mãos, a sentir que Ele é um Pai que nos ama e que, aconteça o que acontecer, está a escrever a história por caminhos direitos (embora os caminhos pelos quais Deus conduz o mundo nos pareçam, tantas vezes, estranhos, misteriosos, enigmáticos, incompreensíveis). Há que confiar na bondade e na magnanimidade desse Deus que nos ama como filhos e que tudo fará, sempre, para nos oferecer vida e felicidade.

 

Caros fiéis,

A Segunda Carta de São Paulo a Timóteo contém, como a primeira, conselhos pastorais do Apóstolo Paulo para o seu grande colaborador e sucessor na animação das Igrejas da Ásia: esse Timóteo que acompanhou Paulo nas suas viagens missionárias e que, segundo a tradição, foi bispo de Éfeso. Também aqui, é muito duvidoso que seja Paulo o autor deste texto. Os argumentos são os mesmos que vimos a propósito da Primeira Carta a Timóteo: linguagem diferente da utilizada habitualmente por Paulo, estilo diferente, doutrinas diferentes e, sobretudo, um contexto eclesial que nos situa mais no final do séc. I ou princípios do séc. II do que na época de Paulo (o grande problema destas cartas já não é o anunciar o Evangelho, mas o “conservar a fé” frente aos falsos mestres que se infiltram nas comunidades e que ensinam falsas doutrinas).

De qualquer forma, quem escreve a carta (e que se apresenta na pele de Paulo) diz encontrar-se na prisão e pressentir a proximidade da morte. Exorta insistentemente Timóteo a perseverar no ministério e a conservar a sã doutrina. É uma espécie de “testamento”, no qual Timóteo (que aqui representa todos os animadores das comunidades cristãs) é convidado a manter-se fiel ao ministério e à doutrina recebidos dos apóstolos.

A segunda leitura (cf. 2 Tm 1,6-8.13-14) adverte que não devemos nos envergonhar do Evangelho e que devemos guardar o bem depositado. Esta exortação paulina aos pastores lembra que eles estão servindo ao Cristo aniquilado. O “bom depósito” é a plena verdade do Evangelho. Repletos dela, poderão distribuí-la aos outros. O cristão é responsável não só por sua própria fé, mas também pela fé do irmão.

É um pedido lógico: mesmo que a opção de doar a vida a Deus e aos irmãos já tenha sido tomada, essa decisão fundamental necessita, cada dia, de ser aprofundada e confirmada. As desilusões, os fracassos, a monotonia e a fragilidade humana arrefecem o entusiasmo original; e é necessário, a cada instante, redescobrir o sentido das opções fundamentais que, um dia, o discípulo fez. Na sequência, são recordadas a Timóteo três das qualidades fundamentais que devem estar sempre presentes no apóstolo: a fortaleza frente às dificuldades, o amor que o impulsionará para uma entrega total a Cristo e aos homens, e a prudência (ou moderação) necessária para a animação e orientação da comunidade.

A interpelação do autor da Segunda Carta a Timóteo dirige-se, antes de mais, a todos aqueles que um dia aceitaram o Batismo e optaram por Cristo. Na verdade, o mundo que nos rodeia apresenta imensos desafios que, muitas vezes, nos desmobilizam do serviço do Evangelho e dos valores de Jesus. É por isso que é preciso redescobrir os fundamentos do nosso compromisso. Quais são os interesses que influenciam a minha vida e que condicionam as minhas opções: meus gostos pessoais, as indicações da moda, as sugestões da sociedade ou as exigências e os valores do Evangelho de Jesus? Esta leitura nos convida a redescobrir, cada dia, esse entusiasmo que nos enchia o coração no dia em que optamos pela entrega da própria vida a Cristo e aos irmãos. Este convite nos insiste a despir da preguiça, da inércia, do comodismo e a fazer de nossa vida, em cada dia, um dom corajoso ao “Reino”.

 

Meus irmãos,

A fé não se mede pelo tamanho, mas muito mais pela qualidade e pelo compromisso de evangelização, de nova e eterna evangelização, aonde somos chamados a resgatar a pessoa humana na sua integralidade. Hoje, Jesus no Evangelho (cf. Lc 17,5-10), capítulo 17 de São Lucas, nos fala da fé, razão propulsora da misericórdia. Jesus não diz o que é a fé, mas apresenta qualidades da fé que nos ajudam a examinar a fé que temos e professamos.

A fé é uma experiência pessoal que vai evoluindo para se transformar numa experiência comunitária ou eclesial, que nos enche de encantamento na busca do rosto de Deus. A fé pessoal tem que se transformar em fé eclesial ou religiosa. Confiamos, mesmo contra todas as nossas tendências e pecados, na misericórdia de Deus que nos embala pela força do Espírito Santo na vivência da fé pela Palavra de Deus e pela celebração dos sacramentos e sacramentais.

Vivemos um grande momento de crise de fé e de grande secularismo. A humanidade está vivendo uma grande crise de relacionamento. À raiz dessa crise está o enfraquecimento da fé em Deus, criador e provedor. A fé cristã vê a força de Deus encarnada em Jesus Cristo, Palavra viva de Deus no meio de nós, conosco, fazendo-nos um só.

 

Irmãos e Irmãs,

Jesus apresenta o Deus misericordioso, que abraça o filho pródigo sem pedir satisfações nem impor condições. Assim deve ser nossa práxis cristã. Jesus nos ensina que o perdão não tem limites, mesmo para homens cuja generosidade maior havia chegado até a lei do talião, isto é, “olho por olho, dente por dente”.

Os apóstolos pedem a Jesus que aumente a sua fé. As exigências de Jesus são difíceis para aqueles que foram escolhidos para o Colégio Apostólico. Jesus chama os discípulos a dar um passo adiante, com novo modo de pensar e de se comportar. A fé pode até ser pequena como um grão de mostarda, mas terá a força de fazer coisas extraordinárias, até mesmo contra as chamadas leis da natureza, como plantar uma árvore sobre as ondas do mar. A fé põe a criatura em comunhão com Deus e a faz participar de sua força criadora e salvadora.

 

Meus amigos,

A fé necessita de duas qualidades:

1.              DINÂMICA. A fé não é sinônimo de resignação. Nada tem a ver com quietismo. A fé é coragem e decisão, ação e iniciativa. A fé é tão ativa que é capaz de mudar a ordem da criação. A fé pode ser o impossível, porque Jesus nos ensinou: “Comigo tudo podeis” (cf. Jo 15,5). A fé é dinâmica e opera sempre, em dias de bonança e em dias de martírio ou dificuldades. Tem a força de nos fazer caminhar também por cima das coisas negativas, como o pecado, a dúvida, a confusão e a violência injusta.

2.              HUMILDADE. Fé humilde, generosa e gratuita. A criatura diante do Criador deve estar disponível, sem cálculos, sem pretensões, sem contrato. Muitos cristãos procuram a fé em troca de uma recompensa. Essa era a mentalidade dos judeus e até dos apóstolos no início da pregação. Mas Jesus fala da gratuidade. Jesus é duro e direto: depois de um dia de trabalho ou de vida inteira consagrada às coisas de Deus, devemos dizer: “Somos servos inúteis. Fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Quando os discípulos pedem a Jesus que “aumente a sua fé”, Ele confirma a necessidade da fé. Mas uma fé profundamente dinâmica na dimensão para Deus e na dimensão para o próximo: uma fé humilde diante de Deus e diante de nossas pretensões.

 

Caros irmãos,

A “fé” é, antes de mais, a adesão à pessoa de Jesus Cristo e ao seu projeto. O “Reino” é uma realidade sempre “a fazer-se”; mas apresentam-se, com frequência, situações de injustiça, de violência, de egoísmo, de sofrimento e de morte, que impedem a concretização do “Reino”. Como é que eu – homem ou mulher de fé – ajo nessas circunstâncias? A minha “fé” em Jesus conduz-me a um empenho concreto pelo “Reino” e entusiasma-me a lutar contra tudo o que impede a concretização do “Reino”? Nós, homens, somos, com frequência, muito ciosos dos nossos direitos, dos nossos créditos, daquilo que nos devem pelas nossas boas ações. Quando transportamos isto para a relação com Deus, construímos um deus que não é mais do que um contabilista, que escreve nos seus livros os nossos créditos e os nossos débitos, a fim de nos pagar religiosamente, de acordo com os nossos merecimentos.

Na realidade – ensina o Evangelho de hoje – não podemos exigir nada de Deus: existimos para cumprir, humildemente, o papel que Ele nos confia, para acolher os seus dons e para O louvar pelo seu amor. É nesta atitude que o discípulo de Jesus deve estar sempre.

Caros irmãos,

“Aumenta a nossa fé!” Jesus já tinha ouvido uma súplica semelhante, quando o pai da criança epiléptica lhe havia suplicado: “Vem em ajuda da minha pouca fé!” A resposta de Jesus é surpreendente, até provocadora, sem dúvida: “Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: 'Arranca-te daí e vai plantar-te no mar', e ela obedecer-vos-ia”. Sua resposta, na realidade, força-nos a ir para além do imediato e do sensacional.

A fé é já um caminho humano. Quando duas pessoas se amam, sabem muito bem que o seu amor não se pode demonstrar cientificamente. O amor descobre-se como um dom gratuito, mas constrói-se na confiança. Posso dizer àquele ou àquela que amo: “Eu sei que te amo”, porque sei o que vibra dentro de mim. Mas, ao mesmo tempo, não posso dizer-lhe: “Creio que tu me amas”, porque não estou na pele do outro. O amor implica, pois, um salto num certo desconhecido que, no plano das relações humanas, pode, sem dúvida, apoiar-se nas provas “tangíveis”, mas que são frágeis.

Quando se trata da nossa relação com Deus, a fé é, sem dúvida, mais difícil, porque não tem – ou tem muito pouco – suporte “afetivo”. Mas o “princípio”, finalmente, é o mesmo: sou convidado a ter confiança na Palavra de Deus, que se exprimiu plenamente em Jesus e foi transmitida pelos seus primeiros discípulos. Jesus dá-lhes como missão serem suas testemunhas autorizadas. Posso, sem dúvida, pôr em causa o seu testemunho, não aderir a Ele, exigindo provas convincentes. Mas posso, igualmente, comprometer-me em outro caminho: o da relação amorosa com Jesus. A fé só se pode viver numa relação de amor que nos faz ver para lá das aparências, porque os homens veem com os olhos, mas Deus vê com o coração.

“Sim, Jesus, aumenta em mim a fé, para que eu possa amar-Te sempre cada vez mais.”

 

Meus caros amigos,

Na segunda leitura, São Paulo admoesta seu amigo Timóteo a manter plena fidelidade ao Senhor. Pois também o ministro da fé deve firmar-se na fidelidade, para poder firmar seus irmãos na fé. Não se envergonhar, observar a doutrina sadia recebida do Apóstolo, guardar o “bom depósito”, ou seja, o bem a ele confiado: o Evangelho. Nas circunstâncias daquele tempo e de todos os tempos, ontem, hoje e amanhã, isso só é possível com a força do Espírito Santo.

O seguidor de Jesus Cristo vive num contexto e num mundo secularizado, do qual Deus está ausente, que vive e se organiza sem Ele. Com a sua fé, o cristão tem neste mundo a tarefa de destruir as falsas seguranças, propondo-lhe as questões fundamentais e oferecendo a todos a sua grande esperança. A fé cristã é posta diante de um desafio: tornar-se propugnadora de problemas que nenhum laboratório, experiência ou computador eletrônico podem resolver, e que, no entanto, decidem o destino do homem e do mundo.

O católico, com a sua fé, tem a tarefa evangelizadora de destruir as falsas seguranças, propondo ao mundo Jesus Cristo Ressuscitado, esperança contra toda esperança humana. A fé cristã é posta diante de um desafio hodierno: tornar-se propugnadora de problemas que nenhum laboratório, experiência ou computador podem resolver. A fé resolve o destino do homem e do mundo, por isso pedimos que nossa fé seja sempre revigorada.

Assim, a Comunidade eclesial, neste dia do Senhor, é convidada com insistência a dar graças a Deus e unir à oferta de Cristo todas essas experiências de Páscoa. Por elas, os cristãos fazem uso dos bens materiais sem, no entanto, a elas estarem escravizados. A confiança em Cristo liberta o coração do homem para Deus e para os irmãos. Por isso, rezemos com insistência: “Senhor, aumentai a nossa fé!”

 

Prezados irmãos,

A fé não pode ser medida por quantidade, porque é um dinamismo que exige fidelidade e sinceridade com a verdade do coração. Para Jesus, o caminho de quem acolhe a fé é o serviço fraterno. É como se o servidor – que deve tomar consciência de que é portador do dom, não um contratado para trabalhar – possibilitasse aflorar do seu interior a força de vida que o habita.

A liturgia da Palavra deste domingo, além de ser oportunidade de celebrar com os irmãos e irmãs em comunidade, propõe a importante reflexão sobre a saúde da nossa fé, sobre a forma como a acolhemos e a traduzimos para o mundo. A Palavra é um mapa que orienta, dinamiza e converte aquilo que precisamos transformar.

 

Caros irmãos,

Iniciamos o mês das missões, e a liturgia nos provoca com uma questão atual a respeito da relação entre a fé e suas consequências para a vida.

O grito de Habacuc pode ser também o nosso. Assistimos a tantas injustiças, violências e desrespeitos e sofremos com tudo isso. A queixa daquele tempo pode se estender ainda mais diante das complexas tarefas sociais que temos na atualidade. Deus responde que o justo (fiel) viverá por sua fé. Isso significa que quem crê deve se comprometer na vivência da fé e se engajar para que as coisas melhorem. Imaginemos como o Brasil seria melhor se os políticos que citam a Bíblia vivessem verdadeiramente o que leem. Infelizmente, as notícias mostram o contrário.

O dom da fé é pedido pelos discípulos a Jesus. Contudo, o Mestre não ensina como acreditar em mais coisas, e sim como qualificar o que se crê, vivendo-o como amor e serviço. Esse ato de crer mencionado por Jesus deriva de um abandono confiante no mistério divino. Ele próprio o demonstrou com sua vida, servindo a todos até o fim.

A fé transmitida por Paulo a Timóteo deve ser proclamada a mais pessoas. Ela chegou até nossos dias atravessando séculos e tocando-nos no presente momento de nossa história. Diante dos desafios contemporâneos, não precisamos recuar com receios, mas confiar no Espírito de fortaleza, de amor e de moderação que recebemos.

Nós, que acolhemos o dom da fé, não a guardamos para nós mesmos. Cabe-nos propagá-la, vivendo-a no amor e no serviço a quem precisa. Nossa melhor missão é o testemunho de uma vida cristã comprometida e perseverante, como afirma uma frase famosa de Dom Helder Câmara: “É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca”.

A Igreja missionária é aquela em saída, que está perto dos pobres, vai às periferias existenciais, que são todas as pessoas de boa vontade. A Igreja missionária toca nas feridas do povo. Como disse o Papa Francisco, Ela é como um hospital de campanha, uma mãe de coração aberto e portas abertas. Sejamos missionários!

 

Padre Wagner Augusto Portugal

 

 

 


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