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Festa de São Sebastião


Celebramos, neste dia 20 de janeiro, a Festa de São Sebastião. O glorioso Mártir é o protetor contra a peste, a fome e a guerra! Ele é o patrono da agricultura e da pecuária! Nós que lidamos na terra sabemos da sua poderosa proteção para a abundância da colheita e para a saúde animal das criações de toda a espécie. A sua poderosa intercessão é um bálsamo que nos aponta para Cristo, o Senhor da vida, da história e de todos os seres criados!

O culto a são Sebastião começou desde seu martírio, no século III da era cristã. Ele é um dos santos mais queridos, venerados e invocados pelo povo, por ser considerado poderoso com Deus. As orações feitas com fé chegam a Deus mediante gloriosa intercessão do mártir são Sebastião e serão atendidas, se for a vontade de Deus.

Os santos testemunharam com a própria vida e, muitas vezes, com o martírio a sua fé em Cristo. Na certeza de alcançar favores e graças por intermédio dos santos, as pessoas os invocam em suas novenas, prometendo mudar de vida, superando a barreira do egoísmo e indo ao encontro das pessoas mais necessitadas.

São Sebastião nasceu na cidade de Narbona, sul da França, mas, segundo santo Ambrósio, ele teria nascido em Milão, Itália. Órfão de pai, foi educado na religião cristã por sua poderosa mãe.

Sebastião abraçou a carreira militar com o intuito de poder ajudar a seus irmãos de fé, perseguidores e encarcerados. Em Roma, capital do império romano, foi admitido na guarda pretoriana, sendo responsável pela segurança do imperador.

Em 284, Diocleciano assumiu o comando do império romano, que estava com suas fronteiras ameaçadas pelos povos da Europa central e oriental. A anarquia e a corrupção reinavam nas repartições públicas e a religião oficial era desrespeitada.

O imperador esforçou-se para restabelecer a ordem. E, com o intuito de uma unificação administrativa e religiosa, diante da determinação dos cristãos de não adorar os deuses romanos, iniciou a última e a mais sangrenta das perseguições contra os seguidores de Cristo. Durante treze anos, milhares de cristãos foram aprisionados, julgados e mortos cruelmente.

Nesse ambiente hostil, Sebastião continuou firme em sua fé, confortando os prisioneiros, amparando os pobres e pregando o evangelho quando surgia uma oportunidade, sobretudo nas prisões e catacumbas, correndo risco de morte.

A ordem do imperador Diocleciano era muito firme, pois dizia que no seu império não havia espaço para os cristãos: “Sejam invadidas todas as igrejas! Sejam aprisionados todos os cristãos. Corte-se a cabeça de quem se reunir para celebrar o culto! Sejam torturados os suspeitos de serem cristãos. Queimem-se os livros sagrados em praça pública. Os bens da igreja sejam confinados e vendidos em leilão”.

Teria sido Sebastião a sustentar os confessores da fé Marcos e Marcelino na prisão. Segundo a tradição memorial da Igreja em Roma, havia terminado de enterrar os santos mártires Cláudio, Castório, Sinforiano, Nicostrato, chamados de Quattro Coronati, na Via Labicana, quando é preso e levado por Maximiano a Diocleciano, que furioso com o boato de que, no palácio imperial, os cristãos até se aninhavam entre os pretorianos disse a Sebastião: "Sempre te mantive entre os anciãos do meu palácio e trabalhas nas sombras contra mim, insultando aos deuses". Roma era lugar de violenta perseguição aos cristãos desde Cesar Nero e Sebastião sofrerá o que podemos chamar de “duplo martírio”.

Então, para Sebastião, chegara o momento de dar testemunho de sua fé, não apenas com palavras, mas com seu martírio. Após ter sido denunciado e levado diante do tribunal do govenador de Roma, com toda coragem, ele se declarou cristão e denunciou com veemência as injustiças praticadas contra os inocentes cristãos. O próprio imperador Diocleciano tentou fazê-lo abjurar o cristianismo e venerar os ídolos romanos. Mas Sebastião, mesmo afirmando lealdade a seu chefe, recusou-se adorar os falsos deuses, dizendo que só adoraria o único Deus, o dos cristãos.

Acusado de traição, foi condenado a morrer a flechadas pelas mãos dos hábeis arqueiros, amarrado numa árvore. Quando os cristãos o recolheram, achando que estivesse morto, viram que Sebastião ainda respirava. Passados alguns meses, ele começou novamente a caminhar.

No ano de 287, especificamente no dia 20 de janeiro – dia reservado à adoração do imperador, que era considerado um deus –, Sebastião, cheio do Espírito Santo, apresentou-se, destemidamente, diante do imperador e reprovou lhe a crueldade com que tratava os cristãos. O imperador ficou furioso e imediatamente ordenou que Sebastião fosse açoitado até a morte.

Estava lançada uma semente que faria brotar novos cristãos, reacendendo a memória gloriosa do povo cristão.

Com a morte de Diocleciano, o imperador Constantino, em 313, deu liberdade de culto a todos os cristãos, livrando-os do sofrimento e crueldade impostos pelos imperadores anteriores.

São Sebastião foi perseguido pelos imperadores por sua fé em Cristo Jesus, o Nazareno. São Sebastião protegeu os presos. São Sebastião visitava os presos. Sebastião não se submeteu aos bárbaros e agressivos militares e os enfrentou frente a frente. São Sebastião não fugiu da luta nem se submeteu aos caprichos da classe dominante. São Sebastião é exemplo evangélico de coerência ao lado dos últimos e dos

subalternos. A veneração do santo exige de nós a mesma coragem para enfrentar hoje a idolatria do capital, a arrogância dos que matam os pobres e manter a fidelidade ao lado dos pobres. São Sebastião é mais que uma estátua presa a uma estaca com flechas pelo corpo. Ele é alguém de quem precisamos retomar o exemplo no enfrentamento das novas idolatrias contemporâneas que colocam o dinheiro acima da pessoa humana e o poder contra os pobres esmagados por botas militares de torturadores.

Neste ano jubilar da esperança peçamos que possamos ser construtores de pontes de esperança e levemos a esperança de Cristo Ressuscitado para todos como São Sebastião!

São Sebastião protegei-nos da peste, da fome e da guerra!

São Sebastião abençoai nossas plantações e os nossos rebanhos!

Padre Wagner Augusto Portugal

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