Quaresma: tempo de desconectar e
fazer silêncio no coração. Estamos sempre com pressa, procurando sem encontrar,
sem tempo para assimilar todas as experiências que temos no dia a dia. Como vai
a sua vida de oração? A Quaresma é um tempo privilegiado para buscar mais
momentos de oração e de silêncio, para contemplar o Senhor na adoração, para
ler a Bíblia e saborear a Palavra de Deus.
Nesta
Quaresma, tempo favorável e propício para meditar sobre a própria vida à luz de
Maria, no Santuário, buscando discernir os caminhos que precisamos seguir.
Tempo para ler livros de espiritualidade que despertem novas perguntas em nós.
Tempo para enxergar Deus em nossa vida, no silêncio, no escondido. Tempo para
fazer algum retiro e voltar nosso olhar para o próprio coração.
Desconectar
Como
é difícil desconectar, deixar as coisas um pouco de lado, parar e fazer
silêncio! Estamos sempre com pressa, procurando sem encontrar, sem tempo para
assimilar todas as experiências que temos. A Quaresma nos convida a ir ao
deserto, seguindo os passos de Jesus, acompanhando sua busca.
Jesus
sentiu fome no deserto. Jesus vivenciou a necessidade, a fome, a sede e a
solidão. O ser humano sempre evita ter fome. Como é difícil fazer jejum quando
a Igreja o propõe! Parece que é justamente quando temos mais fome.
Na
vida, buscamos satisfazer os sentidos e as necessidades à medida que vão
surgindo. Se temos fome, comemos; se temos sede, bebemos; se precisamos de
alguma coisa, compramos.
Achamos
que satisfazer os desejos é o caminho da verdadeira felicidade. Como nos
equivocamos! Um desejo satisfeito abre a porta para outro desejo, maior ou
diferente. E assim vamos, em um círculo interminável. Saber renunciar nos torna
mais livres e, portanto, mais capazes de ser felizes.
Renúncia
Mas
como custa sofrer a fome, a sede e a renúncia! Por isso, a Quaresma adquire um
tom cinza, porque sentimos que temos de renunciar e nos parece que renunciar é
perder algo importante, que não ter é a ausência do que desejamos. Como podemos
ser felizes renunciando?
Sempre
que Deus nos pede uma renúncia, ela adquire um sentido muito verdadeiro. Ele
nos convida a preencher nosso coração com o seu amor, com a sua vida. Mas é
claro que isso dói.
O
homem de hoje perdeu a imagem positiva da renúncia, que parece já não ter valor
para ele. Não gostamos de experimentar a escassez; queremos tudo para “agora” e
achamos que precisamos de muitas coisas. Então, já saciados, nosso amor se
empobrece e nossa personalidade se enfraquece.
Estamos
acostumados a ter tudo facilmente. Nesta sociedade do bem-estar, nós nos
habituamos rapidamente às coisas boas. O aburguesamento da alma é paulatino,
lento, mas crescente. A alma vai perdendo força, ímpeto e adormece. Vai se
enfraquecendo quase sem percebermos.
Pecador,
agora é tempo de conversão! Procure mudar de vida! Conversão, confissão,
arrependimento e mudança de vida! Mãos à obra!
Padre Wagner Augusto Portugal.
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